segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tudo é lama

De Brasília à Mariana, mortal lama pura
Vale e governo, de bom, nenhum gesto
Conluiados da impunidade na tessitura
Atos libidinosos, num autêntico incesto.

Não sou Diógenes, não ando à procura
Sequer saio às ruas em formal protesto
Acho-me acometido de mal que perdura
Pois eu tenho vergonha de ser honesto.

Roubalheira nesta República, é cultura
O Parlamento de meliantes está infesto
Rouba, então programa pilhagem futura
Num ritual espontâneo e também lesto.

E o povo? ora essa plebe é cavalgadura
Fica sempre a mercê do larápio funesto.

domingo, 29 de novembro de 2015

A quadrilha

Cadê o Doce vale que estava aqui
Onde gente tão humilde vivia feliz?
Que agora procurando não mais vi
Sobre o que a Vale cala, nada diz?

Cadê a floresta onde voeja o colibri
Que, parece, arrancada foi pela raiz
Lama grudenta descendo em frenesi
Da vila que encontrou fez o que quis.

No país da impunidade escorre lama
E outros problemas enervam Brasília
Salvar seu mandato poder proclama.

Nada importa àquele que mais pilha
Se o flagelado está comendo grama
Ele está confortável com a quadrilha.

sábado, 28 de novembro de 2015

Um dia a casa cai!

Às vezes até nos surpreende a justiça
Dá ao povão certa alegria inesperada
Ingente, contra o bandido, entra na liça
Vencendo a inércia taca-lhe barretada.

Invertendo aquela imagem de preguiça
Navega em água mansa quase parada
Assim acaba merecendo a grata missa
Cantada, tocada, linda, meio engraçada.

O Senador pego em completo flagrante
Mijando no pijama apavorado de medo
É, durante roubo, orgulhoso e elegante.

Diante da autoridade permanece quedo
Inquieto, amedrontado e meio cagante
Agora que lhe desvendaram o segredo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A lama


Corre pro mar a lama avermelhada
Da displicência e descaso oriunda
Cara de paisagem, a Vale diz nada
Os pobres do vale tomam na bunda.

Até quando essa gente humilhada
Continua atolada nessa barafunda?
Poder público, tremenda cambada,
Nesse atoleiro diz que não afunda.

Rio Doce com aves e peixes morre
Não se dá bola para os ribeirinhos
Enquanto a lama pelo leito escorre.

Quando houver brio um pouquinho
A Vale sai da inércia, vai e socorre
Prá quem acredita no bom velhinho!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

De que vale a Vale?

(Ao jeito de Ruy Barbosa)

De tanto ver o vetusto verde vencido
Pela ganância dessa ignóbil criatura,
De tal porte que além não mais dura
Na árida mata já sem algum sentido;

Quando mais a Vale é ente bandido
Dum tipo que só vantagem procura
Numa ausência total de compostura,
As florestas e rios perdem colorido.

Nos vemos vítimas dessa vil dança,
Adiante, do rio Doce uma morte rude,
E um futuro destituído de esperança;

De tanto aguentar a criminosa atitude,
Que leva uns a nadar na abastança:
O decente sente vergonha da virtude.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Adeus à maluquice


Feras da internet reunidos no espaço
Aquele facebook que maldade grassa
Como sou principiante nele nada traço
Então deixo a web pra ficar na massa.

O que consigo fazer, então o que faço
Mas de maneira tranquila, mais lassa
Aqui vou tecendo no lento compasso
Não me interessa ser alguém na praça.

Ingênuo que sou, facebook me engole
Come meu fígado e o resto ele vomita
Ômega e alfa não serei, pois sou mole.

Me vejo um internauta que o face evita
Inteiro sem que minha integridade viole
O que desejo é paz e ficar bem na fita.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O tempo

O tempo não é amanhã, nem ontem, é agora
Tempo não se conta, se vive apenas na hora
Se você conta ou marca, ele nem sequer liga
É mero passatempo, muito menos que intriga.

Tempo é tal como quem não tem algum senão
Já que pra ele nossa existência é apenas areia
Que escoa sem jamais terminar por ser turrão
Enquanto na vida, a ceifadeira o tempo semeia.

Dizem pois que o tempo não liga se você gosta
Enquanto existir, não chame o tempo, ele vem
E pensar na eternidade nunca será boa aposta.

Oportunidade é coisa rara, não seja dela refém
E pouco interessa perguntar sem uma resposta
Pois, no fim, sabemos que não somos ninguém.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Soneto ABC


Acode-me aquela ânsia tanto insuspeitada
Buscando palavras, sílabas, frases e rimas
Como a cabalar uma significância no nada
Dedicando-me a este projeto que se ultima.

Em que sequer pretendo parecer talentoso
Faço transliteração um tanto pobre apenas
Gracejando, sendo gaiato, mesmo gravoso
Haja labuta pra alma não parecer pequena.

Insisto aqui como se não houvesse amanhã
Jogo o jogo tentando consolidar um poema
Logrando manter-me sóbrio com mente sã.

Mas certas regras obedecem um esquema
No qual não se admite uma linguagem chã
Ou você o vai seguindo ou terá problema.

domingo, 22 de novembro de 2015

Concretagem


Todo vocábulo tem um sentido secreto
O qual não revela de graça pra ninguém
Mas se autor for criativo, talvez inquieto
Pode descobrir o que a palavra contém.

Dissecando o termo como um arquiteto
Às vezes o esconso significado logo vem
E o que era simples vira poema concreto
Com certa grande exuberância também.

Mesmo que não haja o bom caminho reto
Com segundo sentido, termo não fica sem
E um vate tenaz vai fazer o poema correto.

E essa modelagem sempre vai mais além
Porquanto neste nosso generoso alfabeto
Não há palavra que do sentido fique refém.

sábado, 21 de novembro de 2015

Pastiche


Pois existe um perfume a pairar por ai
Que, sinceramente, não sei donde vem
Há no meu jardim algo que nunca vi?
Se não for de você, não é de ninguém.

Existe no horizonte um brilho estranho
Que, sinceramente, não sei o que será
Quando eu decifrá-lo sei que nada ganho
Melhor deixa-lo então do jeito que está.

Em silêncio os campos floridos percorro
Vagando liberto e solto como preto forro
Mas nada que encontro sequer me seduz

Porque em nenhum lugar encontro você
E sei também que você jamais me vê
Porque tudo é escuridão, me falta luz.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Vida! Que vida?


Vamos que nossa vida seja apenas isso
Correr amoque para comprar o duro pão
Estragando a juventude até perder o viço
Sem nenhum futuro, sem sequer direção.

Vamos que esse mundo seja só injustiça
Onde uns labutam e outros gozam a vida
Será esse mecanismo que jamais enguiça
Nos fará um vivente que por aqui transida?

Não sei a resposta, meu escopo é indagar
Como essas coisas que pairam aqui então
Será que algum dia existirá outro patamar?

Portanto as coisas indo desse jeito estão
O que nós simples mortais vamos esperar
Que nos tire temor de vida em dissolução?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Acróstico

Homenagem ao meu neto que vai nascer:


Benvinda, mais que esperada criança
Encantada essa sua família está, sim
Na vida daqui a pouco você se lança
Já verá que este Planeta nem é ruim
Ansiosos, os pais a querem na dança
Meio perplexos, talvez abobados, enfim
Indiferente, você é somente esperança
Nomeado filho da felicidade: Benjamin.

OBS - Benjamin é nome hebraico cujo
significado é: filho da felicidade.

Vingança é um prato que se come em versos


Todo poeta tem trabalho a fazer
E quando não o fizer ele dança
Um deixa marca outro quer ser
Porém todos deixam lembrança.

Poetas! Exalta-se a sociedade
Esses seres destituídos de glória
Loucos, vivem longe da verdade!
Morrem, vai com eles sua história.

A vates neste mundo não há lugar
Até àquele que ao poder se lança
E que assim atingiu um patamar
E de tão alto pode fazer cobrança.

Então vai poeta, faça seu poetar
Com intuito apenas de vingança.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Acróstico

Tragédia mais que anunciada talvez
Resultado de displicência e omissão
Incautos jovens vítimas da sordidez,
Bazófia, oportunismo e transgressão.

Uma festa universitária descontraída
Todos comemorando a vida e a paz
O fogo lambeu, mas não havia saída
A boate Kiss, uma arapuca mendaz.

Salve-se quem puder nessa confusão
Via-se tumulto, correria, muita fumaça
Ímpios seguranças a todos dizem não
Tentam obstar a saída daquela massa.

Inefável matadouro tornou-se o evento
Mais de duzentas almas jazem no chão
Assassinato claríssimo, cem por cento
Só que autoridades ciência não se dão.

Depois surge uma tardia e falha justiça
Assoberbada, sequer a que veio ela diz
Beirando ao descaso, não entra na liça
Oblitera resultado, nada pronuncia o juiz.

Agora já decorrem uns dois anos vazios
Tais trâmites morosos, inexplicáveis são
Enquanto famílias guardam os calafrios
Kiss, reduto de extermínio na escuridão.

Insinua-se que próceres em compadrios
Se conluiam pra obstar uma condenação
Sabedores que o tempo os tornará pios.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Poetar

Quem és tu Poeta que compõe tais sonhos
E que passeia por versos, métricas e rimas
Trazendo luz e sombra pra este ser bisonho
Em átimo, minha autoestima põe para cima.

Quem és tu Poeta que estabelece o padrão
No qual com toda excelência faz na medida
Em tudo que fazes percebe-se certa paixão
De um bem estar de bem com a própria vida.

E, trotando convicto por tuas poéticas frases
Coisas coloca como fossem perfeitas demais
Já que a vida será somente aquilo que fazes.

Vai Poeta, vencendo a estrada com teus ais
Em cada curva com essa vida faça as pazes
Lembrando que neste universo somos iguais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vale o quê?

Pobre Mariana, infeliz vítima da incúria
Assolada pelo lodo que desce da Vale
Lama pegajosa cheirando morte e fúria
Nada que à mineiradora Samarco abale.

Na ânsia do lucro fácil, essas empresas
Não atentam para cuidado e segurança
Desastres, portanto, não são surpresas
Não são como os atentados na França.

A Vale, cujo nome é do vale do rio Doce
Da Samarco controladora e proprietária
Se lixa pro desastre, como alheia fosse
Prá ela o povo vitimado é simples pária.

E quem será o dono da Vale, por acaso?
Será ela, como dizem, empresa privada?
Não meu caro amigo, não é este o caso
A União recomprou a Vale numa “jogada”.

Numa mui escusa e bilionária transação
A nação tem da Vale o controle acionário
Mas se perguntarem, eles dizem que não
Mas sabemos todos ser este seu ideário.

Portanto, legalmente ficamos deste jeito:
Samarco pertence à Vale que é do Brasil
Então quem é responsável pelo mal feito?
Agora amigo, ninguém sabe ninguém viu!

Contudo, o governo, bravo resolveu multar
Tascou na Samarco a coima de milhões
Porém, sabemos quem a conta vai pagar
Trata-se do povo, ou seja, de nós, bobões.

E lá em Mariana, o flagelado triste chora
Sem sua casa, sem comida, sem colchão
E mesmo sequer sabe o que vai ser agora
Que o mundo desabou e a ele disse não.

Pois esse, da “Pátria educadora” é o retrato
Nada sei, não ligo, portanto assim o deixes
Lama rola de Brasília para Mariana de fato
E rio que já foi Doce, é cemitério de peixes.

Pois é, aqui no Pindorama é sempre assim
Parece que o Governo pois, tem uma meta
Quando seus atos resultem em coisa ruim
Que o povo se lasque! Ele tira o seu da reta.

domingo, 15 de novembro de 2015

Malditos!

Olhar de inveja na liberdade alheia
Totalmente arrogantes, os poltrões
Asnos ignorantes irados, sem peia
Logram pisar tudo com seus tacões.

Tanta intolerância na cabeça cheia
Eles pois abominam outras religiões
Rudes, flui apenas peçonha na veia
Real é que neste planeta são vilões.

O que este terrorismo então deseja?
Roubar apenas deste mundo a paz?
Ir ao encontro da maldade, qual seja?

Sim, terrorista já não sabe o que faz
Mede sucesso por mortes da peleja
Obliterando mal que ao mundo traz.

sábado, 14 de novembro de 2015

Malditos!

Olhares cúpidos na liberdade nossa
Tolerância zero para os não iguais
Assim, o radical quer causar mossa
Larapiando a existência dos demais.

Terrorismo muçulmano, essa joça
Enxerga apenas umbigo e que tais
Realiza maldade maior que possa
Resistente às convivências sociais.

Ontem, vítima da ignorância, Paris
Realismo vivo transmitido na tevê
Ignominioso ato, assim terror o quis.

Sentido algum no terrorismo se vê
Medrosos, nada encaram vis-a-vis
O mundo virando refém, veja você.

Criatura


Eu sei que o tal deus não existe
E que se entre humanos se o vê
Vale perguntar portanto o porquê
Se perpetua sua imagem em riste

Vida que vive sobre este planeta
Explica-se pois através da ciência
Mistério não há sobre a existência
Que não necessita de divina treta.

Mas se incomoda algum mistério
O homem procura uma explicação
Que deslinde esse assunto sério.

E à pergunta cuja resposta é não
Não lhe apraz silêncio de cemitério
Então deus, do homem é a criação.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ASD


O mineiro baixinho na buliçosa Paris
Pensou mui grande e mostrou serviço
Ordenou ventos e nuvens como quis
Era à prisão da gravidade insubmisso.

Tinha terno impecável e bonito chapéu
Alçou-se imperioso antes dos demais
Ditava suas regras flanando pelo céu
Aquinhoado com prêmios internacionais.

Salto enorme pro homem foi o que fez
Alberto Santos Dumont esse pioneiro
Sobressaiu esse gênio para o francês.

Sem pejo, era o alegre sátiro inzoneiro
Aparecia com novidade quase todo mês
Salve o maior e mais ousado brasileiro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ao consumo desenfreado


Comprar e comprar sempre, é ordem do dia
Onde houver gente há potencial comprador
Mesmo de bagulho sem qualquer serventia
E não resista ao que se vê, seja lá onde for.

Recorrem pois a nosso apetite de consumo
Citando as maravilhas tais daquele produto
Incitados então, em geral perdemos o rumo
Até porque vozes contraditórias não escuto.

Ligamos a tv e lá está, compre isso e aquilo
Ignoram que podemos até não ter dinheiro
Reagimos ao grito e vamos rápido adquiri-lo.

Aquele preço, só para quem chega primeiro!
Deixa comigo! Quero pelo menos meio quilo!
O que é não interessa, compro e fico faceiro.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ao tempo


Vai o simplório vivente a vida seguindo
Ou talvez contar tempo não lhe importe
Reflete com seus botões: o viver é lindo
Além de tudo sou um homem com sorte.

Geralmente o tempo não o vê desse jeito
Ele passa, leva amoque tudo pela frente
Moderação nem de longe é meu preceito
Deixo viver, mas não ligo prá essa gente

O tempo somente manda, nunca solicita
Tem aquela absoluta e infinita arrogância
Então ele sequer deseja estar bem na fita.

Mas jamais conte com qualquer vacância
Porque o tempo somente em si acredita
Obnubila entes, não lhes dá importância.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Lima Barreto


Pois Lima Barreto construiu um legado
Ousou romancear com idioma castiço
Liberto de amarras, um escritor afiado
Impôs-se às letras, não foi submisso.

Criando Policarpo Quaresma, o justo
Alcançou os píncaros da imortalidade
Romance de argumento mui robusto
Policarpo era o esteio da brasilidade.

Orgulhava-se deste vasto Pindorama
Que para existir motivos lhe fornecia
Ultrajava-lhe algum erro que inflama
Achava nossa língua cheia de poesia.

Render-se ao erro, Policarpo jamais
Ele, até morrer pelo idioma, poderia
Sempre viveu pelos valores nacionais
Mesmo sabendo que burrice é porfia
Ainda que com tais crises existenciais.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Caminhaço


O meu caminho somente eu traço,
Moderado, não vou fazer façanha.
Posso querer passar por um Paço,
Ou mesmo escalar uma montanha.

Se andar para frente insisto e abraço
E a transpiração no rosto me banha
Não importa tenho régua e compasso
Que me incentiva a formidável sanha.

Com determinação e vontade de aço
Obstáculo piramidal não me estranha
Continuo obstinado nesse meu traço

Como ataca nas águas uma piranha
Em momento algum me torno lasso
Vou até ao final de minha campanha.

domingo, 8 de novembro de 2015

Às estrelas



Seu olhar por trás da coluna ardia
Obliterou aquele solo de clarineta
Blusão jeans usado que me cobria
Foi rasgado pela acúlea baioneta.

Inda agora na soledade da estação
Levando a lira de meus vinte anos
Amanheço sob aquela constelação
Mariposas assim debaixo dos panos.

Exalo conhaque, bebida requentada
Nesta cidade de mui amontoado lixo
Tudo supões aquarela desnaturada
Onde o destino não encontrou nicho.

Sabendo a tais vapores de Yoko Ono
Deixo as minhas colheres flambadas
Apenas verdade nenhuma tem dono
Sob as nobres estrelas filamentadas.

E não me venha com excesso de zelo
Saberá cada vivente o que lhe apraz
Terá exatamente como assim fazê-lo
Resulta que disso compreensão terás.

Então que cada um sole a sua guitarra
Leve seus sonhos a caminhar sozinho
Apenas ao existente cada um se agarra
Sabendo que este mundo é comezinho.