terça-feira, 30 de agosto de 2016

No planalto central

Uma anta correu até seu triste final
E nada percebeu porque é arrogante
Agora, com corda no pescoço, afinal
Braveja seu grito altissonante.

Pessoalmente, personagem sem sal
Guindada por Lula a posto importante
Em tudo que fez acabou se dando mal
Aquela turrona assaz ignorante.

Pois hoje acaba seu burro reinado
Ela já está arrumando a bagagem
Com ela seguirá idiota postulado.

Leve para a longe essa ladroagem
Se possível, tenha Lula a seu lado
Este país precisa de reciclagem.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Rabisque

Se ao fazer um mero rabisco
Algum significado ali, pois vê
Conclua se está certo o risco
Se algo representa pra você.

Pois rápido lance, um corisco
Vai esclarecer bem o porquê
Se no olho não tem um cisco
Está desenhado o que prevê.

Então dessa tua obra desfrute
Que uma obra-prima seja ela
E pelo quanto representa lute

Será criação de sua aquarela
Miúda, ou grande tal mamute
Para você será perfeita e bela.

domingo, 28 de agosto de 2016

À vida

A pessoa mais próxima de você
Mais abrigada na tua intimidade
E que todo santo dia te fala e vê:
VOCÊ, seja humilde ou potestade.

Onde estiver, sem algum porquê
Combata a fúria, essa fealdade
Ênfase no beleza, fora o miserê!
Pois importante é tua liberdade.

Para ser uma tal melhor pessoa
Reduza o estresse, fé na alegria
Ótimo é sempre estar numa boa
Porquanto tristeza arrasa seu dia.

Ria, ria sempre, ria bem, ria à toa
Ignore os chatos que te dão azia
Ande descalça, na rua, na garoa.

sábado, 27 de agosto de 2016

À vida

Soneto-acróstico

Apenas vida única nos foi dada
Cuide portando, dela muito bem
Recebida, inicia-se essa jornada
Em busca do que por certo vem.

De que serve vida desconectada
Ignorando as cercanias também
Tente integrar-se à essa estrada
E aproveite tudo que lhe convém.

Nesta vida quase nada será doce
Aceite, usufrua as oportunidades
Viva a cada dia como último fosse.

Inclusive sorria e vem a felicidade
Deleite o gosto que a vida trouxe
Acredite nas vitórias e na verdade.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Protetantismo

Meio ao enorme descontentamento
As políticas do Catolicismo romano
Rebelou-se Lutero por tal desalento
Tornou suas teses, o credo luterano.

Indulgências, negócio do  momento
Norteava ação do papa no Vaticano
Havia transação até pra sacramento
O que consistia um enorme engano.

Logo, dissidência inaugurou religião
Ufanistas alemães foram convertidos
Talvez tenha sido a maior revolução.

Era rompimento com os tempos idos
Religiosos, ao catolicismo diziam não
O analfabetismo tornou-se combatido.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Porvir

Existe uma só verdade absoluta:
Todos morreremos um belo dia,
O que nos compele à velha luta
De viver com sapiência e alegria.

O óbito muitas vezes nos enluta
Sobre o falecido a dura laje fria
Morte uma viagem filha da puta
O que nenhum ser assim queria.

Retorno de onde viemos, o chão
Reversão do que fomos, à poeira
Exatamente o que os seres são.

Mas em homenagem verdadeira,
Os finados no calendário cristão
Sentida dor, queira ou não queira.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Efêmera

E a vida heim! Parece que é eterna
Se não ligarmos pra ela, viveremos
Sendo otimistas, passemos a perna
Apenas é esta esperança que temos.

Entretanto, existe uma efemeridade
Fátua a existência que nos acomete
E de nada adianta a nossa vontade
Mais vive porém, quem pinta o sete.

E a ceifadeira está a nossa espreita
Rindo da ingenuidade que nos apraz
Indiferente se não lhe temos suspeita
Dia deste, a morte uma visita nos faz

A morte vem ao mundo fazer colheita
Dia e noite aos vivos não lhes dá paz
E qualquer ser que respira ela aceita.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tempo

O que fazer se esta entidade absoluta
Tem sobre homens tal predominância
Em que nos domina, esse filho da puta
Mostrando-nos nossa desimportância?

Pode o tal tempo vencer-nos sem luta
Obliterando-nos em qualquer instância
De maneira tal que ele não nos escuta
Em sua total e permanente ignorância.

Se o tempo quiser, nos abaixa a crista
Morte das coisas está em sua agenda
Apaga seu lume ainda que você insista.

Nada resiste ao tempo, não há emenda
Dado que o tempo é completo egoísta
Assim não existirá amarra que o prenda.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Poeteiro

Sobre poetas, estes seres estranhos
Ignoro tudo, nem sequer os entendo
Mas, se aqui versos e rimas apanho
Só me refiro àquilo que estou vendo.

Ouso afirmar que então nada ganho
Unicamente besteirol vou escrevendo
Pra fazer minha parte neste rebanho
Onde me coloco como mero adendo.

Então cabe me definir como poeteiro
Tentando o verso espúrio, descabido
Estranho no ninho, até neste terreiro.

Importa pouco se versejo sem sentido
Resta-me apenas sentir-me verdadeiro
O mais, é mera brincadeira que eu lido.
!

domingo, 21 de agosto de 2016

Ao tímido


Ombreio um poeta oculto ainda puro
Buscando ser anônimo empedernido
Saindo da luminosidade para escuro
Conforta-me este ignoto com que lido.

Uns nascem pra na ribalta reverberar
Rindo ao mundo com brancos dentes
Incríveis estão quase sempre a brilhar
Deixam embasbacadas todas as gentes.

Aos que como eu cultuam anonimato
De nada adianta possuir algum talento
Escolhemos neste mundo ser oblato.

Se por acaso nos vemos num evento
Ocultos ficamos como fora carrapato
Um bicho pois discreto cem por cento.

sábado, 20 de agosto de 2016

Manda quem pode


Uns mandam outros não, claramente
Há aqueles que exercem um domínio
Sobre algum outro que apenas sente
E nenhum uso faz do seu raciocínio.

Meios de comunicação, nitidamente
Nesta sociedade não ficam parados
Ficam no controle de nossas mentes
E nos tangem obedientes como gado.

Daí somos vítimas não tão inocentes
Pois para nossa suprema infelicidade
Fizemos essas máquinas inteligentes.

Então independente de nossa vontade
Mais as máquinas mandam nas gentes
E é assim que caminha a humanidade.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Viva o inimigo!


Minha caminhada simples eu sigo
Essa mesma que acabará no jazigo
Se apenas me  move o entusiasmo
Nada do que vejo me deixa pasmo.

Sequer presto atenção ao que digo
Não vejo à frente qualquer perigo
E caminho livremente no Planeta
Mesmo que certos pecados cometa.

Grandes feitos eu jamais persigo
A verdade é meu melhor abrigo
E estampada está no meu rosto

E a todos os viventes eu bendigo
Principalmente ao meu inimigo
Que este sempre será meu oposto.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Tem outro lado


Não a vê passar, mas a vida passa
E não dá satisfação prá ninguém
E enquanto você vaga pela praça
Sua vida se foi e nunca mais vem.

Pois mais do que andar uma vida
Será o que você fez que importa
Lembre-se que ela é via só de ida
Que repeteco nenhum comporta.

E deixe de esperar com sossego
Não sobrará tanto tempo assim
Faça da existência bom emprego,
Até que chegue o inexorável fim.

Então liberto de todo desapego
Almoçará pela raiz o bom capim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Um dia a casa cai


Esse tal homem, gigolô de inseto
Um verdadeiro rei dos convênios
De mordomias e regalias repleto
Vivendo na boa vida há milênios,

Sem vergonha, a abelha explora
Faz desse bichinho seu escravo
Como sempre fez desde outrora
Sem sofrer porém algum agravo.

Mas, abelhas morrem por incúria
Do mesmo Homo sapiens erudito
Inocentes vítimas são de sua fúria.

E então engolfado por tal conflito
A civilização entrará em penúria
E será o fim desse tirano maldito.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Mundo cruel


Caminho solitário, indiferente à luz
Não busco entender meus sentidos
Nem noto as cores, sequer os ruídos
Não ligo pra onde estrada me conduz.

Pela poeira e região hostil eu navego
Traçando linhas como fossem retas
Busco sempre nada, sem seguir setas
Tateando aqui e ali como fosse cego.

Pois nada tenho, só uma alma vazia
E meu coração que esconde verdade
Pois tudo que houve não mais existia,

E jamais dependeu de minha vontade.
Com este mundo não sinto  sintonia
Porquanto está saturado de maldade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Fast tudo


Vai de fast isso, fast aquilo, fast food
Quanto mais fast, mais rápido se ilude
Já não diminui o rítimo para pensar
Esse homem que está em todo lugar

Lhe parece que viver é uma corrida
Porém o que passa é a própria vida
E ele, consumindo-se, não aproveita
Correr, trabalhar sem olhar sua seita.

Pois é, Homo sapiens esse animal vil
Que queima a vela pelos dois lados
E nada sabe da vida, porque não viu?

Ignorante, comporta-se como gado
Como em manada atravessando rio
Acreditando que sofrer será seu fado.

domingo, 14 de agosto de 2016

Cartas são como ostras, só quem as abre deverá come-las.


Lembremos que bisbilhotar as cartas
Nos coloca no reino dos abelhudos
Porquanto a curiosidade nos farta
Por causa disso anelamos saber tudo.

Carta, veículo que leva intimidade
A qual em certa hora abrimos mão
Poderá abarcar alguma verdade
Sobre o íntimo de nosso coração.

Carta não deve ser lida por xereta
Tampouco vagar livre pelo Planeta
Ela tem endereço conhecido, certo

E não será anunciada por trombeta
Ou marcada com crachá ou plaqueta
E ser de conteúdo livre, a céu aberto.

sábado, 13 de agosto de 2016

O peso da vida


Vaga o vate por inóspitos lugares
Escrevendo versos de abandono
De tresloucado se dá, então, ares
À terra do nunca onde não há sono.

Passa sem deixar pegadas no chão
Está na busca insana do ignoto
Indo em busca de onirismo vão
Como barco perdido sem piloto.

Carrega uma alma assaz dolorida
Num corpo já, então, desgastado
Lhe oprime o peso da própria vida,

Porém sabe que este será seu fado
Levar para sempre sua alma ferida 
Ainda que caminhe para todo lado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quem lhe dá vida, reserva a morte


Vendo tanto desalento nesta vida
E pensativo, andando pelo horto
O poeta continuando na sua lida
Nos problemas do mundo absorto

Porquanto tudo que vê o entrista
É navio perdido em busca de porto
Não há o que o console ou assista
Pois seu viver é um caminho torto.

Resolver os óbices não sabe como
Essa existência não lhe dá conforto
Talvez que certo dia, num assomo

Lhe fosse muito melhor ser aborto.
E de sua lavra as palavras lhe tomo:
Prefiro neste momento estar morto.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ouça!


De repente o silêncio envolve tudo
Sê sábio, escuta o que diz o vento
Pois embora o silêncio seja mudo,
Escuta muito aquele que fica atento.

E mesmo que não entenda, escute
Porquanto certos ventos falam de ti
Consciente, colime com seu azimute,
Os ensinamentos que pode tirar daí.

Prestar atenção é não ser egoísta
É pois dar ao interlocutor um regalo
Enquanto os silêncios falam, assista

Pense: se natureza fala eu me calo,
Pois então a qualquer réplica resista,
Quem muito fala dá bom dia a cavalo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ápice da criação?


Ora! direis, com certo espanto talvez,
Como então na humanidade não crês?
E eu, tranquilamente vos esclareço
Pelo Homo sapiens não tenho apreço.

Porquanto ele é seu próprio inimigo                                         
Apenas preocupado com seu umbigo
E que tudo mais pouco lhe interessa,
Porquanto nunca convive, tem pressa.

Direis, mas isso não faz sentido algum!
Então o tal humano é autodestrutivo?
Sim, se matará até não existir nenhum.

E vos direi: acha-se o maior ser vivo,
E nunca valerá mais que mero “pum”
Ele que mata sem qualquer motivo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Águas da vida


Embaixo dessas águas turbulentas
Haverá, talvez, um imenso mistério
Certamente águas um tanto lentas
Ou mesmo estáticas, um cemitério.

Mas a corrente impõe uma ilusão
Que, em geral, engana o otimista.
Faz parecer que suas águas são
A grande maravilha que se avista.

Mas bom é que não seja enganado
A corrente é uma paródia da vida
Que mostra tão somente um lado,

Escondendo outro na justa medida.
Deixando o incrédulo deslumbrado,
Pasmo, encantado sem ver a saída.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Atriz

Sem embargo, há algo que sempre quis
Algo que move-me olhando para frente
Por certo alguma coisa que me fará feliz
A qual, aliás, é desejo de muita gente

Pois apresento-me, meu nome é Beatriz
Sou fêmea descolada, cheia de dotes
Desde quando criança, sonho é ser atriz
E, de peitos grandes, gosto de decotes

Entrego o corpo para conseguir intento
Mas minha alma resguardo só pra mim
Enquanto meus ais revoam ao vento

Perguntada se amo, não digo que sim
Então ambição dos homens alimento
Enquanto colhem flores no meu jardim.

domingo, 7 de agosto de 2016

Tempos outros


Eram dois gêneros iguais, mas opostos
Um deles mais proeminente se achando
O outro de dotes domésticos supostos
Que por convenção juntos iam andando

Mas sendo inelutáveis as diferenças
Pra que haja uma convivência normal
Há que se transpor arraigadas crenças
E considerar uma semelhança virtual

Antes o homem, Rei da Cocada Preta
Ditava todas as regras simplesmente
Ela carregava o piano, ele a banqueta

Mas um dia veio igualdade finalmente
Desapareceram os óbices no Planeta
E a mulher ocupa lugar igual a gente.

sábado, 6 de agosto de 2016

Perguntar não ofende


O que fazemos nós sobre isso tudo?
Sobre as guerras que destroem vidas
Tremendo horror que nos deixa mudos
Sobre miséria e abandono infanticidas?

Filas na saúde e descaso aviltantes
Nas ruas insegurança e bala perdida
E mortes por inanição a todo instante
Quando para os cães abunda comida?

Enquanto alguns raramente comem
E outros engordam redondamente
As proteínas para os pobres somem

E os abastados não ligam prá gente
Porque homem é o lobo do homem
E amor por semelhante jamais sente.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Serendipidade?


Era um cientista buscador aplicado
O qual em nome da austera ciência
Em seu laboratório vivia enfurnado
Pesquisando com labor e paciência

Por vezes, concentrado transcendia
Não lhe vinha a mente desistir jamais
Porquanto noite transformava em dia
Na sua procura de respostas cabais

Porém, certa feita sem mais aquela
Lhe acode solução por mero acaso
A serendipidade entrou pela janela?

Parece que este nunca será o caso
O cientista havia feito sua parcela
E resposta viria, mesmo com atraso.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Solucionática

Existe uma lenda tribal africana, a qual conta que pai, avô e filho estavam num pequeno barco prestes a afundar no caudaloso Okavango. Apenas o pai sabia nadar e podia salvar um dos restantes: seu próprio pai, ou seu filho. A sua consciência lhe dizia que ambos eram igualmente importantes, mas ele salvou seu pai. O velhos, naquela tribo, eram depositários de toda a sabedoria e, sem eles, a própria tribo perderia sua identidade e estaria fadada a desaparecer.

Hoje as coisas são diferentes na tribo internética, então fiz um soneto que esclarece como aconteceu recentemente na África quando um homem branco, seu filho e seu pai foram encurralados por um leão feroz e faminto:


Perigo de morte a todos naquele grotão
Encurralados os três no interior do mato
Pois, faminto a espreita estava um leão
Pai, o menino, o avô com medo de fato.

Como fazer? Alguém seria sacrificado
Para que se salvassem os outros dois
Seria o avô querido ou o filho amado?
Qualquer solução, dor causaria depois.

O pai, aos céus, fazia pungente oração
Pedindo resposta para tal problemática
Porque parecia inviável qualquer opção.

Não via como podia empregar uma tática
Mas, de repente, ouviu-se a voz do ancião:
Salve o menino, ele conhece informática!