sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Cartas são como ostras, só quem as come deverá abri-las.


E lembremos que bisbilhotar cartas
Nos coloca no reino dos abelhudos
Porque quando esse interesse nos farta
Enxeridos, queremos saber tudo.

Carta, meio que leva intimidade
Que em certas horas abrimos mão
Poderá abarcar alguma verdade
Sobre o íntimo de nosso coração.

E não deve ser lida por xereta
Tampouco andar livre pelo Planeta
Pois tem endereço conhecido, certo

Não será anunciada por trombeta
Ou marcada com crachá ou plaqueta
Pra ter entranha livre, a céu aberto.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Web

Hoje, apenas a internet a palavra dá
Álacre ou não, mas dona da verdade
Interessa saber, veja na web o que há
Nada escapa, do miúdo à variedade.

Tudo o que existe ou existiu, está lá
E ela tem valioso dom da ubiquidade
Logo, se procura, por certo encontrará
Incrível, e até demonstrável potestade.

Grande, esta incontestável potência
Ênfase na pura e correta afirmação
No entanto, indago: há inteligência?

Cada resposta também admite não?
Inclusive, embutida a consequência?
Assim de modo a haver contradição?
?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Luzes fátuas

Me aborrecem as tais luzes do ocaso
Porque sei, anunciam uma mensagem
Porém pergunto, que revelação fazem?
Ou são luzes aleatórias meio ao acaso.

Esmaecentes, num poente em atraso
Aquarela vertiginosa, ajaezada trazem
Talvez para que ar e nuvem se casem,
E jamais se quebre este fabuloso vaso.

Em seguida, vem a escuridão intensa
Que da esquiva noite indaga sobre dia
E o dia se recusa revelar o que pensa.

Quanto a noite vem mistério se amplia,
E sem que nenhuma vontade o vença
Nem que se veja alguma estrela guia.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Insônia

E vou dormir sobre minha própria história,
Relaxando trâmite de meu pensamento
Em travesseiro de esquecer o momento,
De silenciar a voz desta minha memória.

Sei que nesta vida nem sempre há vitória
Muitas vezes todo ganho se perde ao vento
Então, aqui permaneço assaz sonolento
Vou pensando quando, e se há escapatória.

E vejo bailando no ar sombras e imagens
Nada que tenha um significado pra mim
Apenas assombrações, talvez visagens.

As quais passam aquela impressão ruim
De alucinações, transtornos e más viagens
Anunciando que está bem próximo o fim.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Palavras

Existe cemitério de palavras, cova chã?
No qual em mudo silêncio, adormecem,
Faladas ontem e que hoje emudecem?
Que recobrarão sua existência amanhã?

Palavra que traduz ideia nunca será vã
Com seu par, juntas nascem e crescem
E o traço intrincado do vernáculo tecem
Como a verbalizar uma língua viva, sã.

Continuam por aqui as palavras já ditas
Voando alegres vão desafiando o vento
As vezes fixas para sempre nas escritas.

Oh! Palavras que usadas como cimento
Constroem as línguas castiças, benditas
Perpetuando um universal conhecimento.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Há sim, loucura


Há pois um sonho louco em cada um
Um sonho de devaneios sem sintonia
Como máquina assestando um zoom
Num dado evento o qual não se veria.

Mas não faça desse fato o argumento
Que de teu onirismo um dia desista
Não se deixe cair em algum desalento
Que o corpo abate e a alma entrista.

Existe coisas que não sabemos tudo
No amplo caleidoscópio de mistérios
Que mais das vezes nos deixa mudo.

Lembre-se vivemos neste planisfério
Mas mal conhecemos seu conteúdo
Mesmo com pesquisa muito a sério.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Trem da vida

Vou no trem e ninguém viaja comigo,
Cada um envolvido em seus assuntos
Homens ao lado de outros, não juntos
Ninguém é comparsa, menos amigo.

Cada um olhando seu próprio umbigo,
Tipo: não olho pro lado, não pergunto
Por mim pode ser apenas um defunto
Ou, se vivo, mais parece um mendigo.

Viajamos na mesma direção contudo
E a viagem evolui, decorre, acontece
Pensando, no meu canto estou mudo.

Cada qual como a rezar própria prece
Quieto atrás de intransponível escudo
Enquanto o mundo a sua volta fenece.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Abismo

Lutando corpo a corpo, com a morte,
À borda dum abismo estou clamando
Aos ventos, e seu silêncio ignorando,
Sei que minha voz briga com a sorte.

Então, tendo que morrer me faço forte
E não me interessa como nem quando
Pois, enquanto vivo estarei sonhando
E não há força que minha vida aborte.

Nesta luta vil, minha mão alto levanto
Abro os olhos: percebam, estou vivo!
Embora me sinta meio morto um tanto
Me lixo para esse ambiente corrosivo.

Mas se viver eternamente é espanto,
Imagine como se mostraria cansativo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Amenidade


Tudo está bem, o verde da pradaria,
O vento com seu sibilo leve, vacante,
O perfume que flui no ar, abundante,
E a paisagem com sua luz de poesia.

Tudo está bem, a fonte de água fria,
A água com seu soluçar acalmante,
E o riso das flores pra algum amante
Enquanto nuvens traduzem calmaria.

Bem, que seja tudo apenas o sonho,
Que sonhei esperando ser verdade
Mas que minha fé naquilo eu ponho.

Bem está, que se viva só banalidade
Que se lute apenas combate bisonho
Desde que seja tudo espontaneidade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A vez da quietude

Naquelas horas surdas duma madrugada
Até o relógio da igreja se imobiliza
Espessa escuridão, sensata, no chão pisa
Bem devagar para não despertar o nada.

E o vento solitário adota uma parada
Porquanto se detém então nada desliza
Porquanto só bem mais tarde se faz em brisa
De forma que, desperto dá sua lufada.

Nem a bonita estrela no céu rebrilha,
O mar, que silencioso estava, continua
Entes do céu à paz formam uma quadrilha.

Este silêncio dispõe da noite que é sua
Reúne em silêncio esta celeste família
Família, na qual não falta sequer a lua.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Cada um é o que é

Indivíduos são diferentes entre si
Dois carinhas, cada um do seu jeito
Igualdade entre tais, só por direitos
Ou seja, para você não tô nem aí.

Ser como sou, eu próprio o escolhi
Ser você como escolheu, é perfeito
Inclusive, cada um deve ser aceito
Nunca vivendo você aquilo que vivi.

Cada a seu modo, no seu dia-a-dia
Rindo-se um enquanto outro chora
Apenas uma questão de mais valia

Sair dalgum ambiente e ir embora
Idiossincrático, você bola não daria
Assim cada indivíduo faz sua hora.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Errante

O que buscas por aí com tanto desatino!
Como estiveras encerrado em muralhas:
Pelo que posso perceber nisso tu falhas
No que concerne ao seu próprio destino.

O que desejas não sei e sequer imagino
És um herói em busca dessas medalhas
Que romantizam as sangrentas batalhas?
Ou simplesmente és doido, sem um pino.

Ainda que eu fale, nada tenho com isso
Cada um cuida de si até a final sepultura
Porquanto devo me quedar, ficar omisso.

Já que escolhestes essa reativa postura
Que te rouba a animação e destrói o viço
Dou-te benefício da dúvida, és alma pura.

domingo, 18 de dezembro de 2016

À amizade

Quero desde sempre dizer e o digo,
Que amizade é o bem maior humano;
Que esta faz do conhecido um mano
E que este se torna o melhor amigo.

Com este camarada até o limite sigo
Não importa o roteiro ou mesmo ano
Quem tem amigo não precisa plano
Nunca estou sozinho ele está comigo.

Ter um grande amigo melhor te faz
Tal como dividir a dúvida e a certeza
Mas num caminho que te leva à paz.

Então, levando esta vida com leveza
Aproveitá-la melhor você será capaz
De modo a vivenciar toda a beleza.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Inferno na Síria

Aleppo

Um massacre que se comete a luz do dia
Milhares de civis sob bombas e explosões
Ignorância mortal sem pejo, se diria
Ninguém está salvo onde somem as razões

Ferozes belígeros com sangue nas ventas
Em total desacordo com dor das crianças
Rematam suas vidas com ações violentas
Não poupando pequenos nas suas matanças.

O que se vê, é tão somente crueldade
Como Bashar al-Assad assim o deseja
Homens, mulheres, bebês, toda uma cidade
Ali, à morte ofertados numa bandeja.

Morrem queimados em fogueira horrorosa
Acuadas por monstros em seus aviões
Deixam o solo manchado de sangue rosa
O subsistir fenece em meio aos clarões.

Agentes malditos em trajes camuflados
Livremente cometendo feroz holocausto
Em Aleppo, mortandade por todos lados.

Povo morrendo, guerreiros fazendo fausto
Porque os pobres civis estão condenados
Obterão paz quando Bashar se ver exausto.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Se parece, é


Não interessa se mendigo pareço
E que alguns caretas me olhem feio
É que estar na moda tem seu preço
Então, assim vestido entro no meio.

Se preciso for, me visto do avesso
Porque moda/pedinte é meu esteio
E se me visto, curto enquanto cresço
É porque esse jeito disse a que veio.

O que está na moda não incomoda
Para quem a segue é perfeito refrão
Dane-se quem por inveja nos poda
E que a integrar-se sempre diz não.

Por isso irmanados em nossa roda
Ficamos parecidos com aberração.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Dormir

Representa quase tudo o descanso
E a qualidade de vida muito melhora
Pode significar um inelutável avanço
Ontem triste, e apenas alegria agora.

Uma boa noite de sono vale bom dia
Seu cérebro desse sono se alimenta
Ouve tudo e aprende o que não sabia
Nada supera a mente ligada e atenta.

O despertar duma noite bem dormida
Traz um dia-a-dia a seu devido lugar
Um ente dormido de bem com a vida.

Realmente não existe o que comparar
Nenhuma outra assaz escusa saída
Ou você dorme bem, ou vai se lascar.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A virtuosa

Mulher de Pero Rodrigues, Maria
Metendo-lhe os chifres ela vivia
Na rua todos apontavam o corno
Que, parece, na cama era morno.

Maria, mulher com fogo na bunda,
Trepava de segunda a segunda.
E nada mais lhe importava afinal
Enquanto pudesse chupar um pau.

Mas jamais esquecia seu querido
Que a deflorou no passado, um dia
Falava dele com olhar compungido

De moral ilibada era aquela vadia
Falava muito bem do corno marido
Enquanto debaixo do amante fodia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Em Brasília

República? São outros quinhentos!
Eu, por aqui, reinando sem coroa
Império? Uma tropa de jumentos!
Não querem que eu fique numa boa
A eles, lhes ofereço excrementos
Nada podem fazer que a mim doa!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Reflexão em Brasília

Para mim, pouco importa essa arraia miúda
Aquela plebe que em eleitores se transmuda
Que por meio do seu voto traça meu caminho
No qual vou roubando, amiúde não sozinho.

Eu sou escolhido, prócer da raça humana
Para o povo merda, para mim o nirvana
Sou deputado, um político do caralho
Ganho muita grana bem longe do trabalho.

Não tenho que dar satisfação pra ninguém
Pra meus eleitores, um sorriso apenas
Forante isso, eleição só no ano que vem.

Essas gentes horríveis de ambições pequenas
Que sequer comida no prato sempre têm
Através de promessas as tenho serenas.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Gordo e feliz


Sou gordo sim, e não me importo
Nem de longe pareço um ofídio                                              
Carboidratos e gorduras não corto
Pratico farta comilança de lipídio

Gordo é quem gordo lhe parece
Porém quem optou pela magreza 
Somente para cima então cresce
E ser magro não é sinal de beleza.

Da vida se leva só o que se come
Porque comer é a lei do universo
Se fechar a boca nada consome

Contudo ficará na inanição imerso
Com costela encostada no abdome
Num viver muito triste e perverso.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Seu dia há de chegar!

A Renan dizemos: Tu és um embusteiro!
Pestilento, escroto, meliante e poltrão
Coliforme fecal, pústula e sorrateiro
Verme lazarento, proxeneta e rufião!

Sinceramente, vende a mãe por dinheiro
Pois em sordidez tu tens pós graduação
Velhaco ignóbil, homúnculo flibusteiro
Um grande abominável, safado e ladrão.

Digamos que Renan Calheiros, uma peste
Um pelintra real, malandro e asqueroso
E nas horas vagas, somente cafajeste.

Digamos que Calheiros é facinoroso
Esse vil mefistofélico do nordeste
Estróina, energúmeno, crápula sestroso.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quando o mal vence

Internet - casseta.com.br


Agora o que fazer, Supremo Tribunal,
O homem continua praticando o mal?

Imperador, tal como ele se sente, ganha
Mesmo passando sem pejo pela justiça
Pernóstico, tão traiçoeiro como aranha
Espera no trono, quando comece a liça
Respeito nenhum, para ele tudo patranha
Assim, no cargo vai enchendo sua linguiça
Deixando Supremo em situação estranha
O Supremo Tribunal Federal enguiça
Recontro com Calheiros? Tribunal apanha.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O gangster

Réu! aquele que acha o povo estúpido
E
le mesmo, o coliforme fecal
N
as lides senatorais o mais cúpido
A
squeroso e velhaco, o marginal.

Nada impede sua velhacaria
Comanda com astúcia o parlamento
A
cada dia uma nova felonia
Logo, mais embuste do lazarento.

Há empenho em bolar novo crime!
Em cometer roubo e improbidade
Inclusive, subverter o regime.

Rabugento inimigo da verdade
Os abomináveis compõem seu time
Sujos, e fiéis na cumplicidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Em Brasília

Olha! nem tudo está perdido minha gente!
Renan Calheiros, aquele que dá um jeitinho
Por certeira liminar, posto no escaninho
Que pode defenestrar o feroz demente.

Agora, tomara que o expulsem do ninho
Pois o Supremo numa atitude decente
Portanto, nada mais que repentinamente
Colocou mais obstáculos no seu caminho.

Esperemos que peguem esse cara-de-pau
Meliante, de conduta tão peçonhenta
Enquanto pela raiz, cortem esse mal

Esse é um desejo que o povão acalenta
Porquanto, será início do sonho afinal
Criar o filho e jogar fora esta placenta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Gullar

Quando um poeta morre, uma estrela aparece
Fixa e transcendente no vasto firmamento
Será o cosmos reconhecendo no momento
Este bardo falecido que resplandece?

Então lá, Ferreira Gullar tomará assento
Onde por certo brilhará quando anoitece
Quando, na noite, vai colhendo sua messe
Espalhando poemas sujos pelo vento.

Porém o bardo fecundo não se vai, apenas
E deixa trabalho que pra todos cai bem
Os versos homéricos e as rimas pequenas.

Mensagens, todas obras de Gullar contém
Exaltadas umas, outras de feições serenas
Contudo, inspiradas e brilhantes também.

Um homem exemplar

A honestidade é etérea, flutua
No senado, à vontade do bandido
Onde Renan, contra o povão atua
E pinta e borda, conforme tem sido.

Faz descalabros por trás das cortinas
Porque quem tem rabo preso tem medo
Pois roubar e fraudar são suas rotinas
Calheiros é sinônimo de tredo .

O senado nas mãos desse marginal
É como o demônio gerindo a Terra
Além do mais, maior cara de pau
Quer ao judiciário declarar guerra.

Pois assim, o Brasil vai muito mal
E quem apostar no caos, não erra.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Chape


Desta multidão encharcada ouço soluços
No meio da chuva, nesta longa avenida
E lacrimejam chapecoenses de bruços
Refletindo sobre os porquês daquela vida.

Gente que era jovem descendo ao solo
Cobrem-nas a terra fria como um  manto
Gente que há pouco foi embalada no colo
Pois agora recebe merecido pranto.

E aquilo que se deslindava ventura
Desce suavemente no solo molhado
Onde o alviverde para sempre fulgura.

Chapecó, estamos com certeza a teu lado
Para, certamente, a bela glória futura
A qual deixará nosso planeta pasmado.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Ao pestilento

Contra Renan Calheiros ergamos um grito
Que nós, indignados, nos façamos ouvir
Se preciso for, clamemos pelo infinito
Em nome da justiça que haverá de vir.

Não deixemos poder na mão desse tirano
Senador mentiroso que espalha ilusões
Um mestre ardiloso da mentira e engano
Cujo antro rouba Alagoas por gerações.

É esse ladrão que nós queremos no futuro:
Sujeito malandro, vil, escroto e felaz
O qual, tudo de bom que toca, torna impuro?

De toda escrotice, esse monstro é capaz
Sórdido, canalha, fanfarrão e perjuro
Gritemos contra o proxeneta ladravaz!