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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

De que vale a Vale?

(Ao jeito de Ruy Barbosa)

De tanto ver o vetusto verde vencido
Pela ganância dessa ignóbil criatura,
De tal porte que além não mais dura
Na árida mata já sem algum sentido;

Quando mais a Vale é ente bandido
Dum tipo que só vantagem procura
Numa ausência total de compostura,
As florestas e rios perdem colorido.

Nos vemos vítimas dessa vil dança,
Adiante, do rio Doce uma morte rude,
E um futuro destituído de esperança;

De tanto aguentar a criminosa atitude,
Que leva uns a nadar na abastança:
O decente sente vergonha da virtude.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vale o quê?

Pobre Mariana, infeliz vítima da incúria
Assolada pelo lodo que desce da Vale
Lama pegajosa cheirando morte e fúria
Nada que à mineiradora Samarco abale.

Na ânsia do lucro fácil, essas empresas
Não atentam para cuidado e segurança
Desastres, portanto, não são surpresas
Não são como os atentados na França.

A Vale, cujo nome é do vale do rio Doce
Da Samarco controladora e proprietária
Se lixa pro desastre, como alheia fosse
Prá ela o povo vitimado é simples pária.

E quem será o dono da Vale, por acaso?
Será ela, como dizem, empresa privada?
Não meu caro amigo, não é este o caso
A União recomprou a Vale numa “jogada”.

Numa mui escusa e bilionária transação
A nação tem da Vale o controle acionário
Mas se perguntarem, eles dizem que não
Mas sabemos todos ser este seu ideário.

Portanto, legalmente ficamos deste jeito:
Samarco pertence à Vale que é do Brasil
Então quem é responsável pelo mal feito?
Agora amigo, ninguém sabe ninguém viu!

Contudo, o governo, bravo resolveu multar
Tascou na Samarco a coima de milhões
Porém, sabemos quem a conta vai pagar
Trata-se do povo, ou seja, de nós, bobões.

E lá em Mariana, o flagelado triste chora
Sem sua casa, sem comida, sem colchão
E mesmo sequer sabe o que vai ser agora
Que o mundo desabou e a ele disse não.

Pois esse, da “Pátria educadora” é o retrato
Nada sei, não ligo, portanto assim o deixes
Lama rola de Brasília para Mariana de fato
E rio que já foi Doce, é cemitério de peixes.

Pois é, aqui no Pindorama é sempre assim
Parece que o Governo pois, tem uma meta
Quando seus atos resultem em coisa ruim
Que o povo se lasque! Ele tira o seu da reta.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sismo em Lisboa

Soneto-acróstico

Foi naquela sexta feira dita santa
A santa Lisboa vivendo tranquila
Terremoto de uma absurdez tanta
Arrasou cais, cidade, arredores, vila.

Látego divino que pois se agiganta
Temeu cristão na sacristia, na fila
Estrondo, que todo povo espanta
Reduzindo tudo, e Lisboa aniquila.

Rio Tejo as mansas águas revolteia
Envolvendo os incautos ribeirinhos
Morrem afogados até na densa areia.

Ouça o céu, não estamos sozinhos!
Terror e perdão previdência semeia
Outra vez encontraremos caminhos.