Porquanto Manuel faz os versos sem peias
Versos de desamor, versos de desencanto,
Mas se dor e lirismo lhe corre pelas veias
Nem tudo é desespero, nem tudo é pranto.
Embora verso de sangue, amor ele semeia
Tristeza presente, porém diluída um quanto
Dói-me essa dor desmedida, dói-me, creia
Porque dor de Manuel é minha dor, garanto.
Mas, nestes versos de angústia existe vida
Uma vida que não abandona essa alegria
A qual está a nossa volta, as vezes diluída.
Ele faz os versos amargosos com ousadia
Com a consciência de quem está de partida
E que como Midas, tudo que faz vira poesia.