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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Nome que não dá rima

Você, antítese da proverbial andorinha
Não traz verão, lhe acompanha inverno
Quando chegou não disse donde vinha
Mas certamente parece ser do inferno

Este seu olhar que por detrás me fita
Enfeitiça qualquer alma simplesmente
Lembrando, como todo mundo acredita
Que você carrega os ovos da serpente

Se é bom com você, bem melhor sem
Arrepio-me quando você se aproxima
Vai-te embora para sempre meu bem!

Além de tudo é pior que minha prima
Naturalmente então a pergunta vem:
Prá que serve nome que não dá rima?

domingo, 9 de agosto de 2015

Olhos


Meus olhos enxergam melhor quando eu pisco
Porque vislumbram as coisas que adiante estão
Porquanto não haja em meus olhos algum cisco,
Afirmo categoricamente: tenho uma ótima visão.

Entretanto, se for uma noite atrozmente escura
Mesmo que meus limpos olhos estejam abertos
Ficarei em vão tateando, inutilmente na procura
Tento encontrar algo com gestos nada espertos.

Com estes olhos que um dia a terra há de comer
Perscruto este  mundo velho apenas à luz do dia,
Mas tudo que enxergo, neste olhos hão de caber

Estes velhos olhos são instrumentos para alegria
E não poderia ser diferente, assim tinha que ser
Eles me permitem da bela natureza fazer elegia.

sábado, 18 de abril de 2015

Diálogo

Ele e ela, apaixonados, a se encarar
Como flor despetalando à beira mar
Um falar sem subterfúgios tão aberto
Que esse trocar de juras parece certo.

Dele, o desejo de vê-la como sereia
Fluindo suave como valorizar a areia
Ela, ansiosa de cair em seus braços
A estreita-la transcendendo os laços.

Diálogo que tão comprometidos os faz
E cria o mais profundo envolvimento
Num maior enlace que o amor é capaz

Ambos, agora acariciados pelo vento
Atados nesse nó de amor tão pertinaz
Deixam levar-se por inelutável advento.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Soneto-acróstico Ao olhar


Você nos esconsos se esconde
Incógnita no fundo desse poço
Não sei como estejas ou onde
Ou quão ignoto é esse fosso.

Se está assim tão depressiva
Tente daí emergir ao menos
Encare o mundo e assim viva
Um destilar de falsos venenos.

Sei que sorrisos os tem você
Ocultos em enigmático olhar
Livres porque ninguém os vê.

Há nos olhos profundos, pesar
Oclusos ninguém sabe porquê
Se quiser poderá até enxergar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Acróstico, Olhos sedutores


Sabe que quando existe aquele olhar
Em que se perde um homem racional
Um modo do feitiço não nos paralisar
Obriga-nos a parecermos cara-de-pau.

Lucidez não acode o estúpido homem
Havendo por trás dos olhos uma mulher
Assim que a vê os escrúpulos somem
Resolvido fica arriscar o que der ou vier.

Quando esse universo conspira assim
Um vivente perderá suas estribeiras
Ele sente-se excluído de algum butim
Haja lágrimas para suas choradeiras.

Indo de encontro a seu melhor instinto
Põe a cabeça de baixo para funcionar
Naquele justo momento seu ativo pinto
Ousado, vai fazendo que lhe é familiar.

Tarado não é o carinha que assim atua
Infelizmente alguém que então zomba
Zoando desse pau duro em plena rua
Altera fluxo natural como uma bomba.