quarta-feira, 1 de julho de 2015

Invisível


Eu sou aquele despercebido no mundo
Como uma pessoa transparente fosse
Enquanto este velho Planeta iracundo
Aos seres indesejados não dá doce.

Eu sou apenas um espectro, um nada
E a ninguém no mundo ofereço perigo
Por outro lado caminhando na estrada
Sigo sempre só, ninguém vai comigo.

Sou quem que não se vê quando passa
Pergunto-me por que terá que ser assim
Um morto vivo perambulando pela praça
Sem ninguém jamais olhando para mim?

Admito minha existência não é sem jaça
Porém, por que há de ser este meu fim?

terça-feira, 30 de junho de 2015

Templando


O tempo é impiedoso meu amigo
E não espere dele contemplação
Tampouco o trate como um perigo
Pois depende dele sua redenção.

Porque tempo não favorece tédio
Todo dia é exatamente novo dia
Para envelhecer não há remédio,
E para fim da vida não há alforria.

Porém sofrimento você que o faz
Pois o tempo somente te ignora,
E você viverá quanto o for capaz.

Para morte ele marca dia e hora
E desde sempre para o fim te traz
Então agradeça se não for agora.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Tenha medo de ter medo


Medo, esse sentimento estranho
As iniciativas humanas ele tolhe
Traz somente perda e não ganho
E diante dele nossa alma encolhe.

Mas o medo não redime ninguém
E uma vida de coragem sem medo
É tão possível vive-la muito bem
Sem permitir avassalar-se quedo.

Mas quando esse sentimento vem
E consigo vem trazendo segredo
Toda a esperança se vai também.

Então para continuar com enredo
Não há que existir algum porém
É começar viver desde muito cedo.

domingo, 28 de junho de 2015

À igualdade

Soneto-acróstico 

Machos e fêmeas sempre iguais serão
Assim os concebeu a sábia natureza
Contestar aquele evento da evolução
Há que manter a discriminação acesa.

Infenso à igualdade, machismo grassa
Seja na arraia miúda, ou entre nobéis
Toda essa gente defecando na praça
Apedeutas idiotas vão fazendo papéis.

É lamentável que isso aconteça ainda
Burrice da mais peçonhenta qualidade
Uma vez machista, seu respeito finda.

Richard Timothy Hunt e a bestialidade
Rei do besteirol que mundo prescinda
Opositor da integração e da igualdade.

sábado, 27 de junho de 2015

Homo stultus


Milhões e milhões de sinapses cerebrais
Multidão amorfa, atenta em certo conjuro
Que tornam os seres humanos racionais
Pensam como Planeta se tornará impuro.

Porquanto este ser que quer sempre mais
Polui, suja tornando ambiente um monturo
Porquanto mais que tantos outros animais
E por qualquer motivo, para mim obscuro.

O Homo, anônimo no interior da multidão
Cobre todo o Planeta por mero capricho
Dizendo que outros poluem, mas ele não.

Esse energúmeno, maior produtor de lixo
Que um dia afundará na sua vil putrefação
Se diz humano e não um irracional bicho.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Medito


Homem, ser que pensa que outro ser não pensa
Sempre se julgando o supra sumo, esse homem
Acha que por ser bicho racional e ter uma crença
Não tem grilhões e não existe leis que o domem.

Contudo, na morte quando os vermes assomem,
Talvez lhe venha à mente uma tardia descrença
Lutar não adianta contra larvas que o consomem,
E então, por fim, algo há que o abata e o vença.

Por isso, poetas desta web, eu penso na ventura
E do nada que somos neste imenso firmamento
E na constatação que neste mundo nada perdura.

Talvez, somente o melhor do nosso pensamento
Que incorporado ao que denominamos de cultura
Terá duração eterna, nunca se perdendo ao vento.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Meteorologia


Cúmulos nimbus de carrancas escuras
Raivosos na abóbada azul da natureza
Quando os vejo negros sobre planuras
Sei que poderão causar alguma tristeza.

Ameaçadores na atmosfera enegrecida,
Vejo que o aviador certo medo empalma
Preocupado com ameaça a alguma vida
Ainda que o CB vá deslizando em calma.

Porém com céu límpido isento de bruma
Voo assim é como brincadeira de criança
Preocupação com tempo quase nenhuma.

Porque o GPS leva ao porto da bonança.
Como navegante ao iniciar voo supunha
Porquanto é essa sempre sua esperança.