domingo, 2 de agosto de 2015

Tecendo soneto


Portanto quando um soneto começo
Geralmente não sei onde vou chegar
Porque musas inspiração então peço
Esperando um fechamento peculiar.

Minha rimas ao texto eu arremesso
Numa métrica confusa nada modelar
Penso que ao lirismo tenho acesso
Quando estou apenas a tergiversar.

Mas a meus leitores direi que assim
Cometo poesia moderna e sem peia
Pois, do contrário sou meio chinfrim.

Então peço desculpa a quem me leia
Porque esta poesia diz muito de mim
Faço soneto como tecendo uma teia.

sábado, 1 de agosto de 2015

Amigo, eu digo


Não se compra ou vende amizade
Pois não é ato disponível no bazar
É deleitoso contato de intimidade
Entre os que gostam de se gostar.

Amizade muito diferente de amor
Jamais proíbe relação triangular
Generosa, abrangente, com calor
Quer o Planeta todo a se abraçar.

O amigo telefona de madrugada
Hora bem estranha para se ligar
Talvez converse e não diga nada
E seja apenas seu jeitão peculiar.

Amizade ilumina a nossa jornada
Desdo início até final crepuscular.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

À cura

Soneto-acróstico 

Funesta teia de células rebeladas
Onde massiva nocividade grassa
Roendo organismo pelas beiradas
Anuncia destruição e a desgraça

Caranguejo de gadanhas afiadas,
Agressivas cujo ataque não passa
Resisto às investidas malfadadas
Assim como mal que você abraça.

Não caio nas suas garras, maldito
Garanto que não vai existir porquê
Uma doença tão fatal não admito.

Então se suas maldades não se vê
Jungi seus malefícios, mais seu fito
O meu corpo não é repasto pra você.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O caranguejo

Soneto-acróstico 

Oculto nas entranhas onde não o vejo
Maldoso, cheio de maldosa artimanha
Encontra-se aquele terrível caranguejo
Ulcerando qualquer órgão que apanha.

Come lento, deliciando-se a seu desejo
Arrastando-se como fosse uma aranha
Resiste à medicina com o lauto bocejo
Ainda sabendo que ninguém o apanha.

Não sei meu fim e não o sabe ninguém
Garanto, ele está no controle, contudo
Urdidor manhoso mui eficiente também.

E sobre vencê-lo agora, já não me iludo
Jogo a toalha, aguardo aquilo que vem
O câncer é um mal que me deixa miúdo.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ao grilo

Soneto-acróstico 

Grilo que na floresta o canto desfia
Riscando tons nas cordas do violino
Ignorando que é assunto de poesia
Ligado não comete sequer desafino.

Onde estiver seu canto ouvido seria
Envolvente, irritantemente argentino
Apenas denotando sua vera alegria
Sabe tanger cordas, é o seu destino.

Era esse grilo que o poeta descrevia
Repleto de candura sem nenhum tino
E que estava no telhado em cantoria.

Sendo assim meu comentário assino
Tal grilo certamente sabe a melodia
Até porque não faz nenhum desatino.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Tormenta


Uma confusão de raios e sons se ouvia,
Tudo sacudia aquela tempestade brava,
Terra, água, vento e lama que escorria
Uma trovoada com o ar se embaraçava.

Emborrascado o oceano se embravecia
E a manhã com tardinha se equivocava,
Enquanto o povo tão abalado estremecia
Com estrondo horrível, que assombrava.

Nuvens tantas sólidas como rochedos,
Cumulus nimbus altos como obeliscos
E tudo despencando como de penedos.

E altíssimos sons deixam todos ariscos
Assombrados, atônitos com seus medos
Dançando no céu os coloridos coriscos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Literatice


Não termo neutro que sentido oblitera
Mas palavra positiva no sentir e falar
Que quando estimulada como fera
Vem e ataca diretamente na jugular.

Termo de solilóquio para mim já era
Palavra vazia de notação rudimentar
Pois da linha escrita mais se espera
Que um naturalmente mero versejar.

Há também linha cheia de quimera 
Porque para tudo se encontra lugar
Se real sentido assim não degenera.

Perguntamos então por que rotular,
Quando se está escrevendo à vera,
Não criando literatura espetacular?