quinta-feira, 6 de agosto de 2015

À nave que vai

Soneto-acróstico

Se aquele é vento soprando quente
Infenso à calmaria da desesperança
Navega o barco no mar inclemente
Ganhando ares enquanto destrança.

Recolhe sua âncora no mar assente
Algum pretérito no cais que se lança
Nas velas em chamas então somente
Debanda viagem numa maré mansa.

O que faz a gaivota sem o seu bando
Mesmo que sardinhas não coma mais
A nave vai veloz, contudo até quando?

Receio que apenas em outros arraiais
Esse barco continue assim navegando
Seja Almirante igual entre seus iguais.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Transformação

Soneto-acróstico

Um belo dia a crisálida se transforma
Meio que já esperava por tal evento
Assim assume sua derradeira forma
Mostrando nova vida eivada de talento.

E não há o que dizer, essa é a norma
Totalmente, completa, cem por cento
Agora àquela vida tudo se conforma
Mesmo que se torne poeira ao vento.

Ora metamorfose é destino que se vê
Revolução que atinge outro patamar
Fora forma anterior que não há porquê.

O andar da carruagem é transformar
Ser o mesmo e outro dentro de você
Enquanto não vier a terra prá passear.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Rio

Soneto-acróstico

Enquanto o Criador ônus e bônus distribuía
Concomitante à sua suprema obra criativa
Ordenando bondade e maldade Ele se via
Nalguns sítios muita feiura na matéria viva.

Talvez a má distribuição gerasse anomalia
Inserida em lugar bisonho ou nação festiva
Nem tudo eram flores, pois fealdade existia
Um local porém, ultrapassou a expectativa.

Aí no Rio de Janeiro tudo é mais que lindo
Logo não entendo porque não há espinho?
Interrogas, não continues portanto sorrindo!

No Rio de Janeiro a beleza construiu ninho
Deixei contudo, o último mal ir distribuindo
O que ali viver é o mais pernóstico povinho.

A Manuel Bandeira


Porquanto Manuel faz os versos sem peias
Versos de desamor, versos de desencanto,
Mas se dor e lirismo lhe corre pelas veias
Nem tudo é desespero, nem tudo é pranto.

Embora verso de sangue, amor ele semeia
Tristeza presente, porém diluída um quanto
Dói-me essa dor desmedida, dói-me, creia
Porque dor de Manuel é minha dor, garanto.

Mas, nestes versos de angústia existe vida
Uma vida que não abandona essa alegria
A qual está a nossa volta, as vezes diluída.

Ele faz os versos amargosos com ousadia
Com a consciência de quem está de partida
E que como Midas, tudo que faz vira poesia.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Férias molhadas

Soneto-acróstico 

Camping que abre as férias escolares
Haverá de ser a melhor programação
Uma barraca e reunir-se os familiares
Vincular-se aos desafios tal como são.

Assim se águas semelhantes a mares
Precipitarem-se molhando o seu chão
Acate tranquilo sem sequer indagares:
Rebela-se o tempo, nos leva de roldão?

Amigo campista, seja então submisso
Toda chuva que vem será boa pra você
O fito dela é nas plantas manter o viço.

Deixe-se molhar sem perguntar porquê
O seu dia está livre, sem compromisso
Seja feliz com esse resfriado que prevê.

domingo, 2 de agosto de 2015

Tecendo soneto


Portanto quando um soneto começo
Geralmente não sei onde vou chegar
Porque musas inspiração então peço
Esperando um fechamento peculiar.

Minha rimas ao texto eu arremesso
Numa métrica confusa nada modelar
Penso que ao lirismo tenho acesso
Quando estou apenas a tergiversar.

Mas a meus leitores direi que assim
Cometo poesia moderna e sem peia
Pois, do contrário sou meio chinfrim.

Então peço desculpa a quem me leia
Porque esta poesia diz muito de mim
Faço soneto como tecendo uma teia.

sábado, 1 de agosto de 2015

Amigo, eu digo


Não se compra ou vende amizade
Pois não é ato disponível no bazar
É deleitoso contato de intimidade
Entre os que gostam de se gostar.

Amizade muito diferente de amor
Jamais proíbe relação triangular
Generosa, abrangente, com calor
Quer o Planeta todo a se abraçar.

O amigo telefona de madrugada
Hora bem estranha para se ligar
Talvez converse e não diga nada
E seja apenas seu jeitão peculiar.

Amizade ilumina a nossa jornada
Desdo início até final crepuscular.