domingo, 6 de setembro de 2015

Que bicho sou eu?


Quando eu surjo elas sobem na cadeira
Apavoradas, as mulheres berram no ato
Num frenesi estranho sem eira nem beira
Que outros consideram o maior barato.

Não há no planeta, humano que me queira
Desprezo que sentem é grande e imediato
Porque vivo no monturo, no lixo, na poeira
E meu maior inimigo é um sorrateiro gato.

Faço ninhos de trapos e restos de esteira
Me escondo em vão e até em velho sapato
Para minha segurança evito fazer besteira.

Prefiro morar na cidade bem longe do mato
Sou considerado praga nesta nação inteira
Para quem não sabe, sou o execrável rato.

sábado, 5 de setembro de 2015

Inquirição


O que existe nesse tenebroso abismo,
Que surtado de medo jamais profano?
Onde existe dúvida e mortal ceticismo
Indicando um mundo ignoto e insano?

Seria o caso de procurar o exorcismo
Antes que me cause irreparável dano
Ainda que fundo seja mero misticismo,
Afoiteza, daquele que comete engano

Ah! Mas a infatuidade jamais perdoa
Quem a revela, levantando esse véu
Preferível dúvida cruel a qual magoa.

Então, melhor viver ignorante ao léu
Como quem está neste planeta à toa
Que da consciência tornar-se um réu.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Que bicho sou eu?

A pedido de Dilmar Gomes:


Sou inseto um tanto desengonçado
Que no meu dia-a-dia estou contrito
Vivendo entre folhagens camuflado
E parecer perigoso eu sempre evito.

Mas se aparece outro inseto ao lado
Ataco com as pernas e devoro o dito
No meu cantinho tímido e sossegado
Onde não corro, não salto e não grito.

Há quem veja meu design sofisticado
E me julgue um chefe, tal os corifeus
Entretanto sou pacato quase apagado.

Solitário, quase sempre sem os meus
Devoro o macho, depois de copulado
Sou bicho santo, sou o louva-a-deus.

Que bicho sou eu?


Vivo voando por aí mas tenho cara de rato
Bebo sangue e por gente não tenho apego
Sou um estranho mamífero voador de fato
Durmo de cabeça prá baixo no aconchego.

E não sou do mal, não destruo e não mato
Durmo em cavernas com calma e sossego
Eu não sou bandido, tampouco sou beato
Geralmente não gosta de mim um labrego.

Eu como super herói, sou homem caricato
E no cinema e quadrinhos tenho emprego
Com máscara, caverna um certo poder lato.

Por feio não agrade o troiano nem o grego
Contudo àquele que me entende sou grato
Porquanto sou o incompreendido morcego.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Que bicho sou eu?


Lá estou na bíblia, descrito como praga
Atacando lavouras de jeito bem escroto
De maneira que tudo some, tudo estraga
Tal como maligno gnomo voraz e maroto.

Voando em massivo bando tal uma vaga
Sou flagelo da planta, mascote do garoto
E meu ataque não há benefício que traga
Ante dele prostra-se o rico, também o roto.

Minha maxila tão cortante tal uma adaga
Depois que destruo desapareço no ignoto
E aquela destruição pelo planeta se alaga.

Barriga cheia, me resta apenas um arroto
Portanto agora não quero nenhuma paga
Porque sou apenas o singelo gafanhoto.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Contraditando

Claro escuro em antítese complementar,
Ódio que elimina, com amor que ilumina,
Fazem a matéria e etéreo se completar
Tudo converge à humanidade e sua sina.

O infinito e o nada, o dito zero protocolar
Alguma indeterminada lição nos ensina
E tais axiomas costumam nos aproximar
Igual como um farol fendendo a neblina.

Contudo, inocente, de tudo isso nada sei.
Junta-se o hemisfério a outro hemisfério,
E completa-se formando uma nova grei?

Não, amigo, agora se fez novo mistério
Reformular o que existe não constitui lei,
Quem faz berço, faz caixão de cemitério!

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ciclo da vida


Eu sei, sempre existi antes de nascer
Meu corpo não era assim como é visto
Sem boca ou olhos que pudessem ver
Nada uniforme, mais para algo misto.

Naquele estado inexiste o verbo sofrer
Estado que, muito dele agora eu disto
Existo! Porém nem sempre fui este ser
Que possui eterno medo do imprevisto.

Quando eu morrer de novo vou virar pó
E sequer sentirei saudade do meu jeito
A natureza vai me incorporar como só
Irreconhecível continuarei no seu leito.

E aos demais suplico não sentirem dó
Porque no futuro volverei a ser refeito.