terça-feira, 6 de outubro de 2015

Gravidez

Homenagem às minhas duas noras que estão grávidas.

Eventos tais, envoltos em mistério,
Meio transcendentais vejam vocês.
E então me vejo comentando sério:
Futuro em breve serão dois bebês.

Da Austrália berço úbere de minério
Lá onde não se fala bom português
Ou do Texas, Helen, do presbitério
Os rebentos que deverão somar três.

Ontem éramos apenas expectantes
Porém, eis que num quântico salto
Permutamos nossa previsão dantes.

E agora com certo tirocínio mais alto
Pais, mães e até avós tão confiantes
Que se fazem dos nascituros arautos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

À baranga


Sorte nunca bate à minha porta
Onde eu vá a ave caga em mim
No amor então sou água morta
E acabo me consolando, enfim.

Toda vez que uma garota me vê
Olha com sua cara de paisagem
À ela fico paquerando veja você
Besta só pensando em bobagem.

Ah! Mas tenho carta na manga!
Reparo minha rota auto estima
Achaco somente uma baranga.

Ninguém a minha sorte lastima
Gratos por eu acolher a ganga
As pessoas só olham de cima.

domingo, 4 de outubro de 2015

04 de Outubro

É lamentável que homem esse animal
Detendo tamanho poder em suas mãos
Indiferente, seja causador de tanto mal
Até ignorando que somos todos irmãos.

Devido a essa arrogância descomunal
Outros seres vivos desprezíveis o são 
Sem ocultar que é o vilão em alto grau.
Acreditando ser supra sumo da criação.

Neste dia de hoje façamos reverência
Inclinemo-nos a esses nobres animais
Morrem pelos homens e pela ciência.

Animais merecem nossas dores e ais
Imolados que o são na sua inocência
Sem eles diríamos que somos os tais?

Apocalipse


Ora, como nas escrituras está escrito
Toda vida humana um dia terá seu fim
As bestas do apocalipse como foi dito
Lograrão levar almas do térreo jardim.

Alguns arrepender-se-ão na hora final
Por certo haverá lamúrias e gemidos
Outros enfrentarão o fatídico tribunal
Como se aquilo nunca fizesse sentido.

Almas ocas sem conteúdo se evolarão
Libertas da gravidade e de seus laços
Ímpias almas como vis pecadoras são.

Pobres de espíritos só deixarão traços
Sonhos disperso de quaisquer paixão
Envoltos em velos de tecidos lassos.

sábado, 3 de outubro de 2015

Que bicho sou eu?

Pescoço longo que alcança ramo alto
Nestas estepes africanas ele me safa
Sou bicho maneiro, tranquilo e cauto
Que se alimenta de folhas e de alfafa.

E posso dizer que meu almoço é lauto
Às vezes eu bebo água, não de garrafa
Com predador, sempre de sobressalto
Porém para alguns minha altura abafa.

Seja nesta savana ou naquele planalto
A viva é animada sem qualquer estafa
E à minha área favorita, jamais eu falto.

Meu nome com só três sílabas se grafa
Não tenho voz aguda nem de contralto
Porquanto sou a pernuda meiga girafa.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

À vida

Soneto-acróstico 

Esquisito esse tal girino mensageiro
Supérstite que venceu a vital corrida
Persistiu e logrou chegar por primeiro
Entregando ao óvulo a chave da vida

Ribossomo dentro desse aventureiro,
Mais a férrea determinação incontida,
Aliam-se em algum conluio feiticeiro
Tendo no final uma missão cumprida.

O óvulo e espermatozoide juntos são
Zênite duma gravidez muito desejada,
Ósculo entre genéticas que fundarão.

Indivíduo novo que tomará a estrada
Deixando útero, ganhando amplidão
Em busca de tudo ou busca de nada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Escrito nas estrelas

Soneto-acróstico

Escrever não é peso, é prazer apenas
Palavras me compulsam a esse mister
Onde uma grande ideia seja pequena
Resolve expressar o que lhe aprouver.

Querer escrever não será o suficiente
Um texto tem que ter certa maturação
Em geral, um escrito manda na gente
E vai conduzindo a nossa inerte mão.

Seja onde houver certa competência
Criatividade a algum assunto somada
Registra-se um evento com sapiência.

Então é difícil escrever meu camarada?
Vai ser se não existir alguma tenência
Ou você escreve ou perde sua tacada.