sábado, 7 de novembro de 2015

Flor é tudo


Simplicidade não é uma condição
A qual se ilumina depois desliga
Ao mero comprimir de um botão,
Nascemos simples há quem diga.

Não é simplória, é simples a flor
E ela com simplicidade convive
Seja colorida ou possua candor
More ela num jardim ou declive.

Lógica existe numa flor contudo
Que a nós cabe apenas admirar
Seja por feição ou por conteúdo,
Sua beleza não se pode ocultar.

Então na bela flor eu me escudo
Para frisar simplicidade secular.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ao amor


De que raro material o amor se faz?
Em qual forja fora ele então fundido?
Quando a resposta não nos satisfaz
Um lapso se abre sem algum sentido.

E, no entanto, para sempre continua
É como se nada o atrapalhe jamais
Fazendo os namorados curtirem a lua
E unindo para sempre até desiguais.

Impetuoso, o amor move montanha
Tem potência para moldar o universo
Ousado todos os tempos ele ganha
O aprisiona o poeta no meio do verso.

Amor pra sempre vai continuar assim
Mexendo nas entranhas dos amantes
Ou mesmo provando que não é ruim
Revendo o agora, o depois e o antes.
?

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Acróstico

O tempo, rostos e corpos ele arranha
Vento que apaga até as fotografias
Enquanto quem recorda nada ganha
Nele está a ruína de velhas poesias.

Deixa sinal indelével em nossas cãs
Avança amoque para incerto futuro
Vive ligando os hojes aos amanhãs
A contemplar as inscrições no muro.

Logo o pretérito, o futuro e o presente
Dançam ao ritmo do tempo imperioso
Ou se rende a ele ou seu peso sente
Tanto é esse tempo um ente teimoso.

E tudo que existe um dia acaba enfim
Menos o tempo que a existir continua
Pessoas e coisas vão pra sempre sim
Onde a vida existia a terra acaba nua.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Tem outro lado


Não a vê passar, mas a vida passa
E não dá satisfação prá ninguém
E enquanto você vaga pela praça
Sua vida se foi e nunca mais vem.

Pois mais do que andar uma vida
Será o que você fez que importa
Lembre-se que ela é via só de ida
Que repeteco nenhum comporta.

E deixe de esperar com sossego
Não sobrará tanto tempo assim
Faça da existência bom emprego,
Até que chegue o inexorável fim.

Então liberto de todo desapego
Almoçará pela raiz o bom capim.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Acróstico

Se não se ouve absolutamente nada
Imagina-se dessa mudez o significado
Logo, há sobejo de palavra não dada
Ênfase naquilo que jamais foi falado.

No silêncio há autêntica comunicação
Coisas subtendidas que ocultam a voz.
Implícitas como normalmente o são,
O recado desse silêncio vem até nós.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ao tempo


Porque o tempo é arrogante e impessoal
Assim, a ele nunca importa se tudo passa
Somos apenas meros passageiros afinal
Se aqui estamos, depois viramos fumaça.

Algum dia a nossa existência chega ao fim
Goste-se ou não, vítima da inexorabilidade
E adaptado ou não tanto, terá que ser assim
Indiscutível que o tempo é a única verdade.

Relativo é o tempo, quer a física convencer
Outra porém a nossa percepção entretanto
Se pouco tempo temos para o nosso lazer
Devagar ele passa se houver lida um quanto.

Ontem éramos jovens e tempo era eterno
Talvez pouco notássemos a sua voragem
E não nos percebíamos a ele subalternos
Mesmo porque a existência é uma viagem.

Porém agora sei que o tempo não governo
Objeto do tempo, sou somente sua imagem.

domingo, 1 de novembro de 2015

Tempo

Talvez o homem na sua vã filosofia
Ignore que existe suprema entidade
Resultando daí que, parece, existiria
Apenas o tempo, ancho de maldade.

Nada talvez vem trazer tanta agonia
Impondo-nos a todos atroz realidade
Aquele vivente, bem logo morto seria
Deixando o tempo de fora a bondade.

O tirano tempo impõe a vida e morte
Tem tempo de sobra, o tempo algoz
E pouco está ligando prá nossa sorte.

Mudo e mouco não ouve a nossa voz
Pois somos fracos e o tempo é forte
Ousado e imponente não liga pra nós.