segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Renovar


Se não estaciono, estou vivo portanto
Se sou pássaro que desistiu do canto
Pelo menos posso ainda no céu voar
E abro as asas onde considero um lar.

Se essa minha emoção é o recomeço
Continuo o mesmo, isso eu reconheço
Faço pois na vida, o mesmo mergulho
E se volto atrás eu sequer me orgulho.

Claro, se deste modo pareço o vento
Nem de longe sou eu esse elemento
Porque o mundo jamais assim o quis.

Então dia a dia renovo, me reinvento
Porquanto mero nada é meu alimento
Vou vivendo ou morrendo por um triz.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ilha da fantasia



Onde há de políticos uma concentração
Pensado em maracutaias o tempo todo
Lá foram conduzidos por aquele povão
Agora eles só querem chafurdar no lodo.

No planalto central está a ilha da fantasia
Acolhedor recanto dos ladrões deste País
Loteamento de cargos, posto e mordomia
Todos roubando e na urna eleitor pede bis

Oh! Essa triste republiqueta das bananas!
Cheia de vermes roendo os pés da nação
Em que nunca perdem a pose os bacanas
Nem ligam, pois donos do poder eles são.

Trabalhe povo, trabalhe porque isso é bom
Raciocine: pobre é pobre, ele jamais herda
Aqui a pobreza trabalha e o rico dá o tom
Ladrão enriquece e o pobre fica na merda.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Reticências


O amor ao estender-se pelo infinito
Usando na sua alma preciosa veste
Vai ouvindo pois o que esta tem dito
Indiferente que ao fazê-lo seja teste.

Nessa dança da tristeza inerente seja
Deixar penetrar na impossível brecha
Ou ser do bolo num momento a cereja
Aquela dor que no imo coração fecha.

Seguem então as reticências teimosas
A superar quem sabe tão escuros dias
Logo esse átimo não apenas de rosas
Mas algo isento de quaisquer poesias.

Assim, ainda que expectativas airosas
Sabemos que diferente disso não seria.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ao ignoto


Como aquela mão que a palavra toca
Lá onde o vento certa paixão ascende
Aquela poeta como a lira, tange a roca
Revelando ser um real mágico duende.

Imaginemos na claridade do dia agora
De vocálico encontro na gaiola aberta
Aos poucos vai o tempo, inexiste hora
Deixando impune essa alma tão alerta.

Em tudo mais cessa algum movimento
Debalde o sol entre nuvens vem espiar
Onde o que existia se foi com o vento
Desfolhando as árvores que vão ao ar.

Insisto portanto entender, juro que tento
A mim não foi dado poder de adivinhar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

À faixa de pedestres



Uma faixa na esquina, comum, zebrada
Massifica, e aqueles pedestres pressiona
Convergem para ali pessoas como boiada
Onde à vista espetáculo nos proporciona.

Nessa faixa há contudo certa democracia
Todos igualmente correm mesmo perigo
O fluxo cessa as vezes pralguma calipigia
Pode acontecer com você, mesmo comigo.

Outra não é que a vocação de passarela
É ali que a feiura ou beleza se descortina
Talvez o perfeito local de desfile para ela.

Incita os hormônios da gente essa menina
Como viagra ambulante às gônadas apela
Oculto na cueca qualquer mastruço supina.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Escorre a lama

Por incúria e descaso da milionária Vale
A lama que atinge ribeirinhos em partilha,
Exigindo que neste país ninguém se cale,
Concorre com a lama que flui de Brasília.

No Parlamento não há quem não regale
Até apaniguado humilde, se puder, pilha
E o Planalto, à súcia de ladrões equivale
Executivo? mais parece uma camarilha.

E a lama mortífera impunemente escorre
O responsável? Ninguém sabe e não viu
Pela verdade, neste país ninguém morre.

Todos preocupados com o bem do Brasil
O povo, de abastança tomando um porre
Quem reclamar que vá a puta que o pariu.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A Liam

Longe, na terra de cangurus e coalas
Imerso no afeto dos corujas genitores
Ascendeu como fosse preciosa opala
Menino saudável coberto de amores.

Adriano e Megan de felizes, vibrando
Depois de nove meses o belo rebento
Recompensa para agora para quando
Imersos na vida dele a todo momento.

Agora, estão pais de primeira viagem
Nada que lhes arranque seus cabelos
Ontem viviam por aí, fazendo imagens
Liam portanto veio à luz para contê-los.

O mundo pois gira ao redor desse piá
Porque os dois são responsáveis pais
E muito bem, com certeza, Liam ficará
Saboreando leite da mãe e tudo mais.