domingo, 8 de maio de 2016

Obesidade

Sou gordo sim, e não me importo
Nem de longe pareço com ofídio
Prá não ficar de fome semimorto
Pratico farta comilança de lipídio

Gordo é quem gordo lhe parece
Porém quem optou pela magreza
Somente para cima então cresce
E ser magro não é sinal de beleza.

Da vida se leva só o que se come
Porque comer é a lei do universo
Se fechar a boca nada consome

Contudo ficará na inanição imerso
Com costela encostada no abdome
Num viver muito triste e perverso.

sábado, 7 de maio de 2016

Falsa falsidade

Quando o poeta mentindo um tanto
Se sente assim tirando vantagem
Vai aí pela vida a mentir enquanto
O mentir não lhe tolde a imagem.

Mentiras sérias com fundamento
Mentia o vate pra sua querida avó
Pois para mentir ele tinha talento
Construía patranhas como ele só.

Hoje, adulto, a verdade confessa
Tornou-se para sempre mentiroso
No decorrer da vida mente à beça

E de suas petas sente-se vaidoso.
Portanto nunca mais sairá dessa
Porque mentira é um jogo vicioso.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ressurreição

Eis que, um belo dia sumiu o poeta
Diz que escrevendo versos na lama
Pois sua biografia seria incompleta
Se vivesse somente da velha fama.

Que de exposição estava cansado
Da ribalta se retirou de mansinho
Fora rimar poemas em outro lado
Tecendo iluminuras com carinho

Contudo, seus leitores ele acalma
Estava alumbrando com candura.
Enquanto jamais vendeu sua alma,

Não pode ser acusado de usura.
E, verdade, seus versos empalma,
Porquanto sua vida continua pura.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Coisas

O que está feito está pronto, pronto!
Fazer mais não necessitamos mais
Se era para fazer um conto, eu conto
Porquanto não preciso mentir jamais.

Cada coisa é a própria coisa somente
Não há que duvidar de sua qualidade
E sabemos que natureza não mente
Portanto a coisa em si, pura verdade.

A coisa é uma coisa que outra não é
Pois subverter a natureza não se pode
Saber que a coisa existe, questão de fé.

Embora o axioma a alguns incomode
E se permitam o questionamento até
Não há que confundir cabra com bode.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Alucinação

O poeta ouve rumoroso murmúrio
E lhe ocorre que pode ser augúrio
Porque vozes confusas parecem
Como se do além túmulo viessem

Pois é ruído totalmente estranho
Antevendo atrevimento tamanho
Crescente e atingindo seu ouvido
Num tom bem alto, desconhecido

De pronto o mistério se esclarece
Pedidos de misericórdia e perdão
Que sobem aos céus como prece

Implorando humilde sua redenção
Portanto seu coração se aquece
E o poeta lhes concede sua unção.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Sensação

E nada melhor que a ruidosa alegria
Dos que estando de bem com a vida
Transformam tudo talvez com magia
Numa perene animação sem medida

Pessoas alegres deixam a sensação
Que esse mundo tem jeito realmente
Espalhando risos sem conta elas vão
E trazem sorrisos a quase toda gente

Admirando seus belos gestos eu vivo
Então trago no íntimo uma sensação
Que tudo que fazem é o bem coletivo

Que aglomera humanidade em união
Portanto seu divertimento é conectivo
Que mudará para sempre esta nação.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Frio

Pois alguns me dizem um louco puntual
Que vez ou outra surta, vertido em sanha
Maluco de pedra que não se acha igual
Nem no chão nem no alto da montanha.

Muitas vezes não pareço um cara legal
Porque não rezo pela cartilha estranha
Mas de moça casadoira sou partido ideal
Porém como minha escolha é tamanha

Veja bem, não sou indiferente a paixões
E nunca vivo alheio a toda essa gente
Meus sentimentos as vezes são vulcões

Que mesmo esse frio gelo fazem quente,
Pedindo que não julguem minhas ações
Pela idade do gelo que vem pela frente.