segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ser poeta


Obsessivo, esse teu jeito mostra loucura
Uma loucura extrema, loucura de pedra
Onde, parece, um visco da tragédia medra,
Sim, és louco, messiânico de estatura.

Desses teus olhos medonhos, medo supura
Contudo, te sentes como preso numa ilha
Portanto julgas que o mundo é tua família
Enfermidade está mui longe de uma cura.

Porque se te vês perdido, quase sem rumo
Vives olhando ao lado em busca de uma seta
Onde terás uma certa noção de prumo.

Mostrado entre meros dois pontos duma reta:
“E, nessa dúvida, nunca mais me consumo,
Eu não sou maluco, sou apenas um poeta!"

domingo, 5 de junho de 2016

Nuvens e anjos


Cavalgando as nuvens lá no alto
Estupefato observando contente
Anjo entusiasmado dá um salto
E vem ao chão falar com a gente

De certa forma anjos em sintonia
Com este mundo assaz barulhento
Portanto numa espécie de magia
Vêm amenizar o nosso desalento.

E nuvens como versos de algodão
Partilham dessa confraternização
Pois não há como não ser assim

Se não lhes basta simples vigília
Porque rezam pela mesma cartilha
Do começo dos tempos até o fim.

sábado, 4 de junho de 2016

Post mortem


Então era um poeta transcendente
Dos que morrem e continuam vivendo
Rabiscava seus poemas belamente 
Mesmo que ninguém estivesse lendo.

Revelando-se ao mundo seu escrito
Descobriu-se daí seu grande talento
Ficou portanto, o não dito pelo dito
Esquecendo que criou para o vento.

Pois era um poeta que criava estrelas
Mesmo quando não pudesse vê-las
Porque tinha cabeça cheia de lirismo.

E seus versos repletos de pigmento
Coloriam astros de todo firmamento
Com palavras destituídas de cinismo.



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Palavras


Porque toda palavra tem quentura
A qual nos sai pela boca ou dedos
Pois palavra representa uma figura
E traduz em sons os nossos medos.

Nasce a palavra numa zona escura
Onde antes de sair, a luz não via
Transforma-se em suave ou dura
De acordo com portador que a cria.

Porém palavra alguma sentido tem
Se não lhe dermos uma conotação
Palavra existe que está tudo bem,

Outra exprime grande indignação.
Na verdade uma palavra outra vem
Grande, pequenina e até palavrão.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Essas rosas...

As rosas sugerem cor e alegria
Ao despertar no albor da manhã
Porque sua existência não é vã
Mesmo a dormir numa noite fría.

Eis uma flor que a tudo desafia,
Então pela qual se pode virar fã
Flor da freira, donzela e cortesã
Quando vista torna feliz seu día!

Olem, e nos seduzem as rosas,
Seu perfume é amor e turbilhão
E nem são convencidas, prosas.

Querem ser vistas, eis a questão
Porque parecem flores vaidosas
Que se avistadas não fenecerão.

Batalha eterna

Quando o cidadão dissidência tome
Contra status quo que todos oprime
Então no meio da multidão ele some
Embora sua conduta não seja crime.

Mas o poder na mais infame graça
Por essa atitude, feroz e indignado
Pega em armas e sai em sua caça
Até que o tenha na cova enterrado.

Poder versus povo, é sempre assim
Manda quem pode, outro obedece
Quem se rebela pela raiz come capim,

Sem choro, sem vela e sem prece.
Porquanto desfecho é sempre ruim
Para aquele que ameaça esquece.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Camaleando



Se você olha no meio da floresta
Mas nada vê, enxerga ou atesta
Será o camaleão possivelmente
Camuflado, do galho indiferente.

O bicho escondido é fenomenal
Há quem confunda com vegetal
Mas é tão somente um disfarce
Que lhe impede qualquer realce.

Ele se alimenta de muitas cores
Que o tornam parte do ambiente
Que lhe impedem de sentir dores.

O camaleão um bicho inteligente
Não será encontrado onde fores
Pois oculto faz parecer ausente.