domingo, 12 de junho de 2016

Doze de junho

Àquela que numa bela noite de verão
Meio que me fascinou pela sua beleza
Iniciando paquera e um namoro então
Namoro, casório que ainda põe mesa.

Há este enlace duma veraz comunhão
Afirmando aquilo o qual temos certeza
Neste casamento existe o sim e o não
Assim se navega por esta correnteza.

Minha namorada de hoje e de amanhã
Ontem já passou e virou história talvez
Representa que há uma convivência sã.

Agora desejo neste dia doze deste mês
Dedicar-lhe esta homenagem temporã
Agradecer-lhe por tudo que ela me fez.

sábado, 11 de junho de 2016

Devagar com o andor!

O Planeta foi ocupado pelo maldito
Arrogante Homo que aqui põe sua mesa
E sob o signo de seu talão, só tristeza
Estendida deste presente ao infinito.

Insensível, desrespeita costume avito
Descoordenado, seu trato uma surpresa
Contudo vai se achando o rei da firmeza
Como ordenação natural só traz atrito.

Tão deletério que é, nem ele sabe o quanto
Traduz as suas ações em dores e pranto
Deixando à sua volta tudo frio e triste.

Porém, não tem jeito, esta vida é tal como é
Independente do que diga nossa fé
Homo sapiens aqui está porque existe.

A virtuosa


Mulher de Pero Rodrigues, Maria
Metendo-lhe os chifres ela vivia
Na rua todos apontavam o corno
Que, parece, na cama era morno.

Maria, mulher com fogo no bunda,
Trepava de segunda a segunda.
E nada mais lhe importava afinal
Desde que pudesse chupar um pau.

Mas jamais esquecia seu querido
Que a deflorou no passado, um dia
Falava dele com olhar compungido

De moral ilibada era aquela vadia
Falava muito bem do corno marido
Enquanto debaixo do amante fodia.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Nem tudo é o que parece


Indo pela mata Fred, “Pica de jumento”
Deliciado, gozando de cara pro vento
Nem um pouco atento a pisar o chão,
Ele e sua estrovenga distraídos vão

Entretanto lá estava peçonhento ofídio
Então tocar nele, verdadeiro suicídio
E agora, poeta, o que se pode fazer?
Pois venenosa cobra poderá te morder.

Aqui teve uma ideia o erótico andante,
A qual aos outros pode parecer banal,
Sem qualquer gesto formal, elegante

No bestunto do bicho deu paulada fatal,
E sem pestanejar sequer um instante
Após matar a víbora ele mostrou o pau.

Pássaros cantam


Era um poeta em crise existencial
Que se vê como pássaros no quintal
E renega o que sua mente encana.
Como ser nobre sem ser Quintana?

Colorar em palavras de aquarela
Sem parecer a fabulosa Florbela?
Escrever sem nunca se locupletar
Como sempre o fez Ferreira Gullar?

E lhe vêm os passarinhos então
Que estes tantos outros imitarão
Mesmo que estejam em revoada

Não lhes acode imitar ninguém
Porque canto natural lhes vem
E pelo canto não cobram nada.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Metamorfose


Naquela penumbra altivo cavalheiro
De chapéu, porte nobre, sobretudo
Ereto na chuva, orgulhoso contudo
Cabeça erguida, olhar sobranceiro.

Pisando solo lamacento, altaneiro
Me aproximo, dou-lhe uma esmola
Que incontinenti coloca na sacola
O vulto sequer agradece o dinheiro.

Não me cabe julgar esse inusitado
Contudo, vejo uma metamorfose
Se era um nobre está modificado,

Se observarmos de perto em close
Veremos então um pobre coitado:
O importante é não perder a pose.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Poetemos


De gotas de poesia como alimento
Encaminha poeta seu alumbramento
Bebe e come versos em sua vigília
Quando dorme seus sonhos partilha.

Assim é o poeta de poetar precioso
O qual nas métricas insiste teimoso
Estendendo de Érato um estandarte:
Viu como apreciada é minha arte?”

Vejo o mundo por meus olhos então,
Não julgo e nada cobro de antemão.
Se é beleza que todo mundo queria

Venho brinda-vos com minha criação
Que une onirismo com prática razão,
Transformando triste vida em poesia.