sábado, 6 de janeiro de 2018

Outras eras

Convidam-nas ciosas primaveras
A deleitar-nos em brandos afetos
E dar-nos chance a volúveis quimeras
Então explorar seu milhões de aspectos.

Que não nos venham às mentes austeras
Dureza e obstinação dos objetos
Menções sagradas de velhas eras
Onde houvera diletante e diletos.

E lembremos das eras dos castelos
Quando, mesmo os feios eram belos
Entre aquelas paredes nuas e frias.

Em noites caladas se ouviam passos
De fantasmas etéreos, escassos
Vagando tristes pelas galerias.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Ser poeta

Não ligue para o que o poeta disse
Tudo que diz é como se sonhasse
E seus sonhos pejados de crendice
São onirismos de diversa classe.

Mas, ao invés, e se o vate sorrisse
Com um sorriso que de ideia nasce?
De maneira que não fosse sandice
Mas, amor mostrado naquela face?

Não julgue, o poeta é ser humano
Por isso, as vezes, comete engano
Mas, não quer dizer que seja ruim.

Ele faz parte desta sociedade
Merece então nossa credulidade
Por ser poeta, vai ser sempre assim.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Homem e mulher

Senhoras! Homens não ligam pra celulite
Ou se suas carnes sensuais estão moles
Pois que, se assim a natureza o permite
É condição pra que a mulher se console.

Nossa admiração por vocês não tem limite
Já que nada assim com nossa macheza bole.
E também não somos perfeitos, está quite
E mais, coxa estriada? A gente engole.

O varão repara apenas na bela face
Eis que, nalgum caso, certa paixão nasce
Como deve ser entre homem e mulher,

E, assim sendo, dissipe essa vaidade
De mãos dadas na maior cumplicidade
Vamos fazer o que eu quero e você quer.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Meus versos

As vezes, afinal, canto os astros
Em composições que as vejo belas
E também versejo poemas castos
Quando os enxergo da minha janela.

Tanto vejo lama como alabastro
Mas também viajo pelas estrelas
Que na minha mente deixam um rastro
Versar, melhor jeito de removê-las.

Então, mostro o que existe por aqui
Tudo que sei, que desejo e que vi
As coisas nas quais estamos imersos.

Contudo, percebam, não busco palmas
Tampouco me interessam as almas
Quero apenas construir meus versos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O soneto

Poeta? Não, mas uns versos cometo
Como uma marcha bem estruturada
Faço quatorze versos dum soneto
Que alinham uma coluna na estrada.

Vão juntos combinados dois quartetos
Que conduzem as rimas afinadas
Encerram a fila mais dois tercetos
Rijos e fulminantes como espadas.

Com decassílabos ou alexandrinos
Versos ritimados e cristalinos
De forma lúcida e sempre gentil.

As vezes se referem a quimeras
Também enaltecem as primaveras
E do autor vão traçando um perfil.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A saga do poeta

O poeta, sensível em seus brios
Capricha versos em todos aspectos
Porém mantém recônditos secretos
Cheios dalguns pensamentos sombrios.

Pouco se importa com atavios
Desde que os versos sejam diletos
Que representem mui bem seus afetos
Ou mesmo que estes sejam doentios.

Porquanto todo vate tem visão
E só ao pernóstico ele diz não
Que é onde toda maldade resiste.

O vate então busca pelos países
E mesmo ferindo-se em cicatrizes
Recusa-se a parecer bardo triste.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Sapiência?

Pois de que adianta ser descolado
Sem entender do que trata essa vida
Morar numa dimensão indefinida
Desdenhando do que está a seu lado?

Pois de que adianta ter decretado
Que a vida é tão somente corrida
Má quando sobe e legal na descida
Quando desdenha dum pobre coitado?

Criticar sem dizer o que faria
Uma perspectiva muito sombria
Daquele que se acha sabichão.

Somos companheiros neste Planeta
Mesmo que seja só duma opereta
Onde ninguém é sábio de antemão.