terça-feira, 12 de junho de 2018

Conviver


Passemos pelo mundo sem causar desdouro,
de nossa obra, importa apenas o conteúdo;
então recordemos que ninguém sabe tudo,
mas o que aprendermos deve ser duradouro.

Não importa a roupa, se de seda, ou couro,
somente aquilo que sabes será teu escudo;
pois tu serás somente o que sabes, contudo,
o que não tens é prata, o que tens é ouro.

Sejamos ativos numa sã convivência,
àqueles que discordam demos atenção,
e que nessas relações tenhamos tenência.

E demos valor ao sim tanto quanto ao não,
equilíbrio, este é nome dessa ciência,
pois assim, as coisas de vento em popa irão.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Farsa cabralina

Um navegante que não estava a procura,
e pensava encontrar já conhecidas plagas;
diz ele que encontrou traiçoeiras vagas,
que o trouxeram a estas terras da fartura.

Cabral parecia infenso a quaisquer pragas,
mas, tentava alguma navegação pura;
contudo, independente daquela postura,
o trono espera que boas notícias tragas.

Assim topou com gente de pele dourada,
que habitava o continente há milênios,
surgiu no horizonte como uma alvorada.

A troco de vidrilhos quis fazer convênios,
extorquindo os nativos sem lhes dar nada:
-Minha gente, nós lusitanos somos gênios!

domingo, 10 de junho de 2018

A diplopia se foi

Pois é, observo  para o  lado e vejo bem,
meus olhos tomaram o curso verdadeiro;
porque enxergar eu  não podia ficar sem,
agora  vejo  minhas  letras   por  inteiro.

Pois ausentei-me por sessenta e cinco dias,
num  exílio  de tormento e muita saudade;
dias  tensos  de  madrugadas  muito  frias,
meio  recluso  e  silente   como   um  frade.

Eis-me   tentando   sonetar   como  fazia,
colocando   certa   métrica,   certa    rima,
quem sabe fazendo um bom soneto um dia.

Então,  algum querido leitor se aproxima,
dando-me,  certamente,  elevada   alegria,
que me inspira compor alguma obra prima.

sábado, 9 de junho de 2018

Acanhamento

Diuturnamente, veraz me acompanha,
atrapalhando um bocado uma ou outra vez;
verdade, não é bicho como inseto ou aranha,
tampouco parece com cabrito montês.

Mas causa desconforto: sou gente estranha!
pois bem, me sinto diferente de vocês;
enorme vergonha de estar, então me ganha,
sentimento que beira até a insensatez.

Contudo, parece uma sensação tamanha,
que me conduz ao estado de quase mudez,
que aos outros pode parecer certa manha.

Mas, reparem nos suores de minha tez,
vejam, no meu íntimo aquele temor arranha!
nada mais nada menos que essa timidez!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Lá no planalto central

A pergunta que se impõe: roubos até quando?
com bandidos andando em plena luz do dia;
fazendo do Congresso uma casa de orgia,
enquanto a grana das “comissões” vai rolando.

Próceres do afano, com a cabeça fria,
escoram uns nos outros, vão formando bando;
e o prazer da vida faustosa antegozando,
mesmo quando o povão, bravo, nas ruas chia.

Para que lamentar, se têm os bolsos cheios,
e quem sai às ruas é apenas a escumalha,
de revoltadas mulheres e homens feios.

Portanto, escorados nessa justiça falha,
manuseando a faca e queijo como meios,
por aqui vamos fazendo nossa bandalha.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

A natureza e o homem

Maravilha-me a natureza, dita bruta,
assim como a vemos, arredores a fora;
na floresta, ave que canta, o rego que chora,
bando de morcegos descansando na gruta.

Desse bucolismo todo a beleza aflora,
em tudo que o homem enxerga ou escuta;
e onde não há sequer conflito nem luta,
porquanto essa harmonia nunca tem hora.

Tudo funciona, a mata, o riacho e vento,
no horizonte altas as montanhas imperando,
verde contrastando com o firmamento.

Então muito perfeito, porém até quando,
a natureza suporta o homem jumento,
esse que se acha o imperador no comando?

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Viver

Não precisas andar por trilha demarcada,
subverta, como se cometendo delito;
e poderás ser considerado um maldito,
mas, garanto, da existência não perdes nada.

As regras restringem, o mundo fica estrito,
Uma mistureba, ignora o um, e cada;
é multidão amalgamada pela estrada,
seguindo amoque pelos trilhos de granito.

Certas regras, no caminho colocam diques,
desestimulando o andar com confiança,
então, só vais prá frente se trabalho apliques.

Contudo, se quiseres só uma vida mansa,
vá tornando desativados todos seus piques,
porque trabalhar é mui nobre, porém cansa.