quinta-feira, 12 de julho de 2018

Terremoto

Telurismo amedronta com voz rouca,
enquanto todo solo treme e inclina;
toda gente se sente pequenina,
quando a segurança parece pouca.

Inaugura-se uma azáfama louca,
obscurecida por atra neblina;
oriunda de poeira bem fina,
que penetra nos cabelos e touca.

Sob o sol estende-se grosso manto,
cada vivente temeroso um tanto,
hirto, aterrorizado no olhar.

Sentindo a sua vida por um fio,
alma paralisada, corpo frio,
sem saber onde tudo vai chegar.


quarta-feira, 11 de julho de 2018

O homem e o Planeta

Ser humano, primata pertencente a classe
de animal que finge, mente, briga e engana;
já no Éden ele e Eva criaram um impasse,
que forçou a degradação da raça humana.

Se há algo sagrado o tal homem profana,
é como se maldade em si, homem aninhasse;
e sempre de forma deletéria e insana,
esse cão maldito com impudica face.

Eles matam outros tal fossem dementes,
dinheiro, poder e fama são seus desejos,
e guerreiam amoque com facas nos dentes.

Desprezam a natureza que já poluída,
tornou-se verdadeiro monte de despejos,
e a Terra encontra-se de morte, ferida.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Pastichando Olavo Bilac

Radioastronômo, ouve estrelas por certo,
porém, ignorando tudo delas, no entanto;
mas algum astrônomo que se acha esperto,
se soubesse o que ouve o vate teria espanto.

Então, observando a negra noite, enquanto,
mantém aquele seu radiotelescópio aberto;
o vate, à mesma estrela oferece pranto,
pregando rima e versos em pleno deserto.

Portanto, direis, quem tem razão caro amigo,
quando cada um busca somente o seu sentido,
e ao outro dedica desdenhoso: nem ligo!

E ninguém jamais será capaz de entende-las,
quer as tenha visto quer as tenha ouvido,
porque é loucura definir as tais estrelas.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Ouvindo estrelas


Todo poeta é um bobo, vive sonhando,
e o caminho das estrelas é sua via;
onde vai sem questionamento: até quando?
e se fosse diferente como seria?

E no silêncio absoluto segue escutando,
estrelas! Que, diz ele, estão em romaria;
seguem no cosmos, aglomeradas em bando,
vão fazendo algazarra o poeta diria.

E lá com seus botões: no solo raso sigo,
prestando toda atenção neste chão também,
sem que repare nalguém andando comigo.

Mas, neste Planeta, todos vão como vêm,
bardo rola como pedra, não tem amigo,
porém, ouve as estrelas quando lhe convém.

domingo, 8 de julho de 2018

Olhe e aprenda

Preste atenção observe, tenha mente em riste,
repare no jeitão, modus vivendi, aspecto;
mas não deixe um só momento de ser discreto,
e para nunca esquecer, todo o que viu, liste.

Porquanto isto interessa, cada mero objeto,
seja uma nave espacial, ou apenas alpiste;
não se deixe vencer, nem mesmo ficar triste,
se a busca topar nalgum evento secreto.

Sempre pergunte como fora algum estulto,
então, de respostas úteis, não fique sem,
e ouça com atenção o que diz o homem culto.

Contudo, nunca se dê ares de ser ninguém,
tampouco pareça prócer sábio, de vulto,
ora aprender tudo que quer, isso lhe convém.

sábado, 7 de julho de 2018

Sábio faz perguntas

Se quer ser sábio todo mistério devasse,
pergunte à natureza onde guarda segredo;
e lembre-se que se levantar muito cedo,
será como no túnel do saber entrasse.

Então, fazer indagações não tenha medo,
encarando cada problema face a face;
mesmo que deveras intrincado, não passe,
aborde-o como fosse um mero brinquedo.

Mesmo depois que já deu seu primeiro passo,
não desista, e procure saber muito mais,
porque o saber à disposição não é escasso.

Procure estabelecer para onde tu vais,
portanto deve perguntar: o que agora faço?
sem nunca tropeçar nos senões e que tais.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Palavras...

Pois não há sentimento nas palavras frias,
quando o que vai pela alma não transparece;
assim como simples e mecânica prece,
palavras acerbam sonhos e fantasias.

Não há mérito, se conotação desvias,
e a palavra não recebe o que merece;
quer seja palavra forçada ou uma messe,
como certos vates fazem na poesia.

Porquanto, palavras soltas não fazem frases,
contudo, com elas o meu brado levanto,
porque legitimam as minhas várias fases.

Conjugando tanto meu riso como pranto,
e, sem pretensão ainda uso minhas crases,
que às construções dão ar antigo, um tanto.