terça-feira, 7 de agosto de 2018

Todas auroras do mundo

Pinta-me uma aquarela no oriente agora,
antes que quase totalmente a noite suma;
as nuvens vestem-se de cores uma a uma,
então lá vem despontando uma nova aurora.

Somente na mata persiste opaca bruma,
a qual, certamente, logo se vai embora;
porquanto, deste dia está chegando a hora,
como sempre nossa natureza costuma.

O sol, este artista, toda aurora pinta,
e não economiza miríades de cores,
e disfarça o visual, embora não minta.

Contudo distribui no mundo seus calores,
de forma que nossa civilização o sinta,
e, nos jardins, amadureçam suas flores.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Musas silenciosas

Verás, se tua obra não for maliciosa,
um sucesso elevado a altíssima altura;
será justo sucesso pelo que tu esposa,
o reconhecimento por aquela obra pura.

Entendendo que isso o poeta procura,
seja numa rima ou no perfume da rosa;
no sabor da fruta, ou na floresta, a frescura,
sem nenhuma bravata ou obra mentirosa.

Então sigas trilhando por estas e aquelas,
veredas que, as vezes, te conduzem a enganos,
porém, onde tuas musas podem ser belas.

Nas campinas, florestas, rios e oceanos,
aproveite a paisagem que vês das janelas,
é, porquanto, coisa que nos torna humanos.

domingo, 5 de agosto de 2018

Politicalha


Há um equilíbrio entre os dois lados do balcão,
porque nós os elegemos de alguma maneira;
e eles, consequentes, representam o povão,
então lhes cobramos quando fazem besteira.

Confesso que eu gostaria que fosse assim,
que houvesse uma tal cláusula de barreira;
permitindo dizer não a uns, e a outros sim,
então, talvez, limpássemos essa sujeira.

Mas, prática fica longe da teoria,
vale na política apenas roubalheira,
porque roubo em Brasília virou epidemia.

Lá no planalto, mais afana quem mais queira,
e sempre se nega assim: pois eu não sabia!,
pois ali rouba-se para uma vida inteira.

sábado, 4 de agosto de 2018

Fernando Pessoa

Foi poeta dos heterônimos severos
E invólucro do corpo, dessas criações
Ricardo Reis produtor de temas sinceros
Navegou livre por trás de seus bastiões.

Alberto Caeiro, um “escudo”  de Pessoa
Nunca deixou a zona rural de Portugal
Dava, pra Fernando, voz que ainda ressoa
O que faz dele um autor sensacional.

Por Ávaro de Campos este “seu engenheiro”
Ele compôs tabacaria niilista
Sem qualquer dúvida seu poema primeiro.

Sem Bernardo Soares, esse articulista
O Fernando Pessoa não seria inteiro
Assim, todos eles completam este artista.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quero...

Pois quero ver esta natureza reflorir,
e que não seja evento efêmero de instante;
que, no entanto, deixe o Planeta tão brilhante,
e nós, gente simples, alegres a sorrir.

Até quero este mundo eivado de surpresa,
onde a felicidade em todos nós aflora;
e cada um estará contente aqui, agora,
certo que vida feliz é sua riqueza.

Contudo, eu quero bastante mais ainda,
que o Homo sapiens saiba como se faz,
para tornar a felicidade bem vinda.

Quero que a humanidade seja capaz,
de, numa solidariedade pura, linda,
mostre o caminho certo que leva à paz.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Somos todos iguais

Porque cada ser vivo tem seu espaço,
mesmo o pequeno e insignificante;
natureza deu-lhes régua e compasso,
seja simples pulguinha ou um elefante.

Todos fazemos parte do concerto,
todos, uns com os outros afinados;
se há muitos atritando em aperto,
certamente, alguns serão descartados.

Bicho maior come o menor, portanto,
alimenta-se e vai abrindo um claro,
de modo a caber mais em outro canto.

Pois a sobrevivência lhes dá amparo,
suprindo necessidades um quanto,
porque o mundo com ninguém, é avaro.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Retrato falado

Caricatura feita por Cícero, cartunista de Brasília.

Eis  que percebo nas  feições deste carinha,
por certo feições que têm tudo a ver comigo;
porque, sinceramente  a cara dele é a minha,
então  creio  que  pode  ser  até  meu  amigo.

Olhos, boca,  nariz e  queixo, todos  meus,
na verdade, bem pouco mais velho, porém;
daí  que não  desejo dizer-lhe  pois,  adeus,
deve ser gente fina  como eu  sou, também.

Quero ver o retrato emoldurado, então,
coloca-lo bem próximo da minha cama,
de modo a dedicar-lhe certa admiração.

Parece  que  certo  parentesco  proclama,
mostrado  sim  naquela  amigável feição,
dizendo: sou você na forma de anagrama.