quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Atalaia


Ontem éramos nós lépidos e jovens
Tudo que sólido é desmancha no ar
Embora ainda continuemos homens
Muitíssimo se perdeu ao se evaporar.

Penso que melhoramos com a idade
O tempo nos avisando o tempo todo
Não é assim pois isso é mediocridade
Ouvi: viemos do barro, iremos ao lodo.

Saudável é admitir que se é um velho
Assim torna-se mais simples continuar
Viver sem preocupação eu aconselho.

Isso tornou-se uma sabedoria milenar
Sobretudo se conhecemos evangelho
Aonde Matusalém é um nunca acabar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Esse tal Sol


Pois o sol, esse mero expectante
Aquilo que veio espreitar, aquece
Quando choram ele segue adiante
Então, triste, lá no horizonte desce.

Seu espreitar é só um momento
Em que ele observa pela vidraça
Depois se afasta como um vento
Entretanto não há o que se faça

Absorva as suas calorosos luzes
Que aparecem e num átimo vão
Como a carregar pesadas cruzes.

Porque luz e calor felicidade dão
Se teu corpo ao tempo conduzes
Enquanto sentires calor do verão.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Acróstico


Chaves era um dos personagens
Havia outro, Chapolin, mais esperto
Atento às tramoias e sacanagens
Parecendo sempre estar por perto.

Olhava sem nenhum preconceito
Levava seu raciocínio na minúcia
Invariável era sua frase de efeito:
“Não contavam com minha astúcia”

Culto a Onan


Garoto saudável cheio de tesão,
Uma foto sensual numa revista
Rapidamente com alguma razão
Imagem que súbito o conquista.

Pulsa estranho seu entre pernas
Ubíqua aquela tensa baioneta
Nenhum pudor mais o governa
Hoje será dia e hora da punheta.

Então vai correndo ao banheiro
Temendo que nem deus acuda
Excitado pois é um punheteiro.

Indiferente quanto assim se iluda
Reconhecendo um tanto cabreiro
Outra vez aquela mão cabeluda.

domingo, 7 de dezembro de 2014

O pão de cada dia

Dias festivos os há ano inteiro
Indiferentes, alegres ou tristes
Agora teremos dia do padeiro
Debanda fome, forno em riste.

Os profissionais do nosso pão
Saem de casa de madrugada
Pra colocar produto no balcão
Aí no desjejum, café e torrada.

Dedinho, pão doce e bisnaga
Entre uns tais menos nobres
Imaginemos pão como saga.

Rosca em nossa mesa sobre
Onde haja pão a fome estraga
Solucione alimento do pobre.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Concretudo

Soneto concretO
sOneto concreTo
soNeto concrEto
sonEto concReto

soneTo conCreto
sonetO coNcreto
soneto COncreto
soneto COncreto

sonetO coNcreto
soneTo conCreto
sonEto concReto

soNeto concrEto
sOneto concreTo
Soneto concretO.

Interação

Ah, existe aqueles dias quentes!
Que agapanto promete um botão
Perspectiva de todas as gentes
Porquanto ele prenuncia verão.

Mas os homens nem tanto assim
Compreendem a viva mensagem
No entanto flores de nosso jardim
Nos falam através dessa imagem.

Mas por certo chegará aquele dia
Que entre os homens e natureza
Haja uma existência de harmonia.

E esse evento não será surpresa
Pois todos se encontram na poesia,
Basta manter a esperança acesa.