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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Às compras!


Liquidamos, aproveitem a promoção!
De bons e úteis  bens somos arautos.
Vendemos tudo armando um alçapão,
Nosso foco, os compradores incautos.

Antes comprava-se só ali na esquina
Aquilo que era autêntica necessidade
Por impulso já se adquire até creolina
Independente do custo ou da vontade.

Para o comércio somos apenas caça
Que sem trégua deve ser perseguida
Então contra isso não há que se faça
Que aponte ao comprador uma saída.

Passear no shopping center é massa,
Mesmo vítima de compra desmedida.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Vende-se sabedoria

Vendemos gramática, letra e texto
Porquanto isso tudo é mercadoria
Sai mais barato adquirir um cesto
Como em qualquer sacolão seria

Existe aqui um grande sortimento
Temos inglês, história e geografia
Produtos autênticos cem por cento
Um válido diploma é nossa garantia.

Pois como no botequim da esquina
Bens vendemos até em prestações
Porque vender ensino é mera rotina
E a algibeira enchemos de dobrões.

Contudo se o saber não o ilumina
Não venha culpar nossos balcões.

domingo, 6 de julho de 2014

Vendilhando

Num distante país chamado Utopia
Estava capitulado na constituição
Que qualidade de ensino existiria
E povo extasiado louvou a moção.

Entretanto há o papel e a realidade
E nem sempre ambos coincidirão
Porque a parsecs da dura verdade
O conteúdo do papel virou palavrão

Escola pública não tinha qualidade
No imenso território é o que se via
Venda do saber grassava a vontade

E vendilhões brindavam com alegria
Nas suas vendinhas por toda cidade
Porque a educação virou mercadoria.