Vou no trem e ninguém viaja comigo,
Cada um envolvido em seus assuntos
Homens ao lado de outros, não juntos
Ninguém é comparsa, menos amigo.
Cada um olhando seu próprio umbigo,
Tipo: não olho pro lado, não
pergunto
Por mim pode ser apenas um defunto
Ou, se vivo, mais parece um mendigo.
Viajamos na mesma direção contudo
E a viagem evolui, decorre, acontece
Pensando, no meu canto estou mudo.
Cada qual como a rezar própria prece
Quieto atrás de intransponível
escudo
Enquanto o mundo a sua volta fenece.