segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A noite

A noite na escuridão mansa, nada
Nada diferente, pura rotina
Ainda que sequer esteja estrelada
Procura na terra uma bailarina.

E sem descanso, vara a madrugada
Quando o horizonte se descortina
Em flagrante, a noite então divaga
A luz do sol surge e a alucina.

Então, o blues lamenta-se na vitrola
Num compasso meloso bem dosado
Melancolia que ninguém controla.

Este som pesaroso deita e rola
Como se o mundo estivesse errado
O mal solto, a bondade na gaiola.

domingo, 12 de novembro de 2017

Ideias

O mundo foi construído por ideias
De sábios sobre sábios, nos seus ombros
Erigido sobre velhos escombros
Que sobraram de antigas panacéias.

Embora, hoje, haja muitos céticos
Homens com seus olhares nas estrelas
Que só creem quando podem vê-las
São viventes pragmáticos, patéticos.

Nesse caldo surge o velho poeta
Deslumbrado, vivo, de alma inquieta
Que vê os eventos com outro olhar.

Então idealiza certo novo mundo
Acolhedor, brilhante e tão fecundo
Que cada um seu próximo vai amar.

sábado, 11 de novembro de 2017

Felicidade

Do que se trata a tal felicidade?
Um bônus, espécie de mais valia?
Que nos vem por alguma bondade
Sem custo, mas apenas fantasia?

Ou é fantasma que de longe nos fita
A espera de quem irá procura-la
Muito faceira como a mulher bonita
Que seduz sem abandonar a sala?

Pois pra ser feliz, só seguir as setas
Que estas dão indicações completas
Portanto, só andar se faz preciso.

Então este caminho tão curto e claro
Necessitando quase nenhum amparo
É caminho da descontração e riso.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O pensamento

Algo flamejante, como um pulsar
Sinapses insanas, boom de ideias
Umas recicladas. Outras? Estreias!
Fluxo contínuo, um nunca parar.

Cataclismo orgânico, tal vulcão
Um moto perene dentro da mente
Parece ser convulsão permanente
A qual, certamente, não dorme não.

Evento maior, criador de mundos
E transforma tudo em poucos segundos
Alterando o material e a história.

Sem ele no planeta nada acontece
Pode ser considerar uma messe
Para horror, para nada, para glória.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Que bicho sou eu?



Imagem oriunda da internet: vultureday.org

Garboso animal de negras plumas
Que, embora desprezado, e não cante
Seu lugar no mundo mui bem arruma
Pois carniça é seu almoço reinante.

Equilibra-se em correntes de ar
Em lentas e perfeitas espirais
Do alto e atentamente a observar
Descobre cadáveres de animais.

Ave grande, discreta e bonita
E quase do tamanho dum peru
Se há carniça, está bem na fita.

Todos sabem, ela é útil prá chuchu
Pois se você não sabe, me permita:
Esta ave é simplesmente o Urubu.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Desconhecido universo

O cosmos, o exemplo de harmonia
Constitui entidade bem espaçosa
Que os vates descrevem em fantasia
Mesmerizado em aura luminosa.

E tem ele um potencial latente
O qual sequer poderá ser descrito.
Somente se vê, ou apenas sente
Supondo que vai além do infinito.

Sobre ele tudo é dedução, porém
Pois pode ser que se projete além
Algo incansável pra humanidade.

Um dia talvez, um Homo arrojado
Deixa toda sua timidez de lado
Então o esconso universo invade.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Eu e a rosa

No jardim, a rosa mais delicada
A qual estimula os meus pensamentos
E redime os neurônios poeirentos
De minha mente um tanto nublada.

Oh! Se ao menos fosse despetalada
Pelas intempéries e pelos ventos
Neutralizaria meus olhares cruentos
Os quais desejam vê-la amargurada.

O fato é que as tais dores desta vida
Nos induzem desprezar a beleza
Mesmo dalguma flor assim querida.

Portanto, peço perdão à natureza
Porque, nesta hora de dor sentida
Desejei à bela rosa essa vileza.