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quinta-feira, 5 de abril de 2018

A saga de Cornélio

Casou-se meu amigo com “aquela”.
e nada sobre a jovem ele sabia;
há quem diga: puríssima donzela
mas outros que a veem com avessia.

Mas ele estava na sua companhia,
como quem um belo defunto vela;
pouco ligava para o que viria,
pois sua paixão não deixava sequela.

Porém, acontece que um belo dia,
notou amores dela um tanto mornos,
jeito apaixonado já não se via.

Na sua testa mudaram os contornos,
descobria que ela era uma vadia,
e nele colocava lindos cornos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A outra metade

Ninguém é ilha, ninguém está sozinho,
seguimos  juntos,  ou  vamos  ao lado;
numa mesma  senda, num só  caminho,
muito embora  cada qual com seu fado.

Pois,  assim caminha a humanidade,
seres humanos  na  estrada sem fim;
cada qual a procurar a outra metade,
parte igual  que lhe  cabe no butim.

Porém, certo dia, que não sei quando,
o que busca talvez venha encontra-la,
e o círculo,  por fim,  então  fechando.

Eis que, o sino da torre, pois, badala,
dizendo, o destino  está no  comando,
para  mais  uma  festança  de  gala!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O casal

Um casal resolveu comprar cortina
Para isso, revolveu terras e mares
Numa busca insana, quase divina
E nos mais longínquos lugares.

Haveria de ser a coisa mais fina
E passível de constar em altares
Porém estava logo ali na esquina
Pronta para evitar os caminhares.

Vem então diferença entre os sexos
Ela, pesquisadora aprofundada
Faz um peripatetismo sem nexo
Ele prefere comprar numa tacada.

Por isso este conjunto é complexo
Cada qual tem em comum quase nada.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Bodas


Valia até casaco vermelho nos anos 70

Pois, aconteceu há quarenta e três anos
Depois de dois anos de namoro normal
A Brandina e o Jair uniram os panos
Fizeram em Floripa, um casório formal.

Viajaram a Foz, de acordo com os planos
Sinceramente, este um passeio nada mau
Não houve óbices, tropeços ou desenganos
E a Brandina ganhou no cassino, afinal.

Vieram, no devido tempo, dois rebentos
E que hoje estão vivendo em outros países
Ensinamos que devem se manter atentos.

Portanto, nunca esqueceram suas raízes
Mas eles têm filhos em seus casamentos
E, parece, sabem onde põem seus narizes.

sábado, 30 de julho de 2016

Elas e eles

Mas como dois gêneros de mesma raça
Unidos pra sempre por afinidade e amor
Longe estão que definitiva união se faça
Homem e mulher estando a se contrapor?

Eles, na verdade, têm coesão escassa
Reduzem somente a no sexo se compor
Como a beber e degustar a mesma taça
Onde nada mais interessa seja onde for.

Mas como não existe o almoço de graça
Há, muitas vezes, entre eles um candor
O que os une de mãos dadas na praça.

Mesmo que exista na relação certo calor
Em dado momento esse dito calor passa
Morre sentimento e permanece só a dor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Casamento


Nos idos de setenta e dois, passado
O então jovem Jair, terceiro sargento
Viu a Brandina num passo apressado
E foi tomado por intenso sentimento.

De fato, no cinema sentou a seu lado
E o namoro portanto teve nascimento
Fez ela do palmeirense seu namorado
E sempre juntos em qualquer evento.

Vivemos o namoro que virou noivado
Em 74 nove de fevereiro o casamento
Reunindo os dois por amor tomados
E lá se vão décadas desse juramento.

Incabível alguma coisa desse errado
Resultante desse bom entrosamento
O que temos é isso mesmo, obrigado!

domingo, 26 de julho de 2015

Imprevisões




Casaram-se nesta terra este e aquela.
Ele filho da puta, ela de mesa e panela
Entre eles dois havia apenas disparate
Previa-se no casamento muito combate.

Casados porquanto ele desejava só ela
Como um troféu sem qualquer sequela
Sem que a verdade dessa união retrate
Nessa existência de matizado escarlate.

Contudo, os que viam nela tanta pureza
Daquele viver comedido, calmo e morno
Jamais desconfiaram que ali havia vileza

A virginal traía o maridão pelo entorno
Que da honestidade dela tinha certeza
E jamais percebeu que tornou-se corno.

terça-feira, 17 de março de 2015

Soneto-acróstico À sogra

À sogra

Se tu és casado e não é órfã tua mulher
Oh meu amigo! sinto muito, estás fodido
Goste ou não, se mude para onde puder
Recusando informar até no qual sentido.

A vida é pra dois apenas, e não pra três
É um núcleo dual íntimo tal qual uma ilha
Já se a sogra corre a habitar com vocês
Aguente essa deturpação de sua família.

Realmente, é a sogra serpente jararaca
Aonde ela anda o veneno vai destilando
Reverta isso ou não valerás uma pataca.

Ao menos é legal, sogra não reúne bando
Cada uma somente o seus genros ataca
Assim cada infeliz a seu jeito vai levando.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Gente como agente

Jesus com Madalena foi casado
Nada mais lógico minha gente
Se eles conviviam lado a lado
Por que não agir normalmente?

Pelo que sabem e pelo que sei
Jesus vivia e agia como varão
Entedendo que não seria gay
Espera-se ter cedido à paixão.

Viu aquela samaritana um dia
Conversa vai e conversa vem
Foram eles direto prá pretoria.

E exatamente como convém
Maria muitos filhos lhe pedia
A isso atendeu Jesus também.

sábado, 9 de março de 2013

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

domingo, 22 de abril de 2012