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domingo, 15 de abril de 2018

Diplopia

Imagem real, e outra nem tanto, no lado,
viver  nessa   atra   duplicidade,  pareço;
diplopia,  disse  o  médico   consultado,
que é visão dupla, pela qual pago um preço.

Eis que, morar neste universo duplicado,
é como entender as coisas pelo seu avesso;
andando  na  rua   fico  meio   abobado,
pois tropeço na calçada se subo ou desço.

Do   médico  estulto  não tenho solução,
nada propõe, nem alguma receita indica,
pois não consta no Vade mecum uma ação.

Portanto, já tomei até infusão de arnica,
chá de jurubeba e alho poró, por que não!
enquanto essa tal medicina nada explica.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dia de combate ao câncer

Portador de câncer há dezessete anos, e lutando contra a doença sem perder o ânimo, muito à vontade, sem desespero, ódio ou rancor, fiz este soneto para lembrar que hoje é o dia mundial de combate ao câncer.

O caranguejo


O tal câncer, doença multifacetada
Acomete humanidade cada vez mais
As células más no corpo montam cilada
Indiferentes ao ser humano e seus ais.

E, milhões de pessoas, a cada jornada
São vítimas dessas células canibais
Quando a doença não é diagnosticada
Ganham a luta as condições anormais.

Mas, agora a medicina também ataca
Aumenta paulatinamente seu arsenal
Milhares de pacientes livra da maca.

Assim, com sucesso, livra-nos desse mal
Muitas vezes vai fazendo até gol de placa
Com intuito de mandar o câncer pro pau.

domingo, 18 de outubro de 2015

18 de Outubro

Épicos tempos, Hipócrates primeiro
Depois Paracelso, Avicena e demais
Intensa busca de socorrer por inteiro
Avançar contra doenças antes fatais.

Deixou o esculápio de ser curandeiro
Ousou abandonar as mezinhas e sais
Sofisticou-se no tratamento verdadeiro
Medicina tem procedimentos especiais.

É fator de longevidade do ser humano
Dedicada a tratamento de fatal doença
Investiga e trata os males a todo pano
Com recursos além do que se pensa.

O médico poderá ser bom samaritano
Sabe tratar e, por isso, faz a diferença.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Violência é doença


O que distingue o homem civilizado
Certa violência dormente, separada
Porque se não contida fica provado
Que homem é uma fera mascarada.

O homem não mata pombos por aí,
Porque inibe sua maldosa impulsão.
O que porém nos compulsa concluir
Que nos instintos coloca um bridão.

Não há porque sentir culpa também
Se seus pés sentem ganas de chutar
Porquanto um cérebro o homem tem
O qual não lhe diz que deverá matar.

Para sua salvação portanto lhe vem
Uma consciência saudável, peculiar.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Câncer


Meu amigo, que maléfica doença é essa
Que tortura, traz sofrimento depois mata
Fazendo toda a ciência pesquisar à beça
Em busca de medida que a torne pacata?

Um mal que destrói depois que começa
Seja o paciente mendigo ou até magnata
Seu desenvolver seja lento ou depressa
Haverá que entender que a morte acata.

Porém, se ninguém nasceu prá semente
Não existe como comandar esse destino,
Será apenas viver e morrer simplesmente.

Até não se entregar a qualquer desatino
Prevendo o que certamente virá pela frente
Como a dizer: com morte eu não combino!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

À cura

Soneto-acróstico 

Funesta teia de células rebeladas
Onde massiva nocividade grassa
Roendo organismo pelas beiradas
Anuncia destruição e a desgraça

Caranguejo de gadanhas afiadas,
Agressivas cujo ataque não passa
Resisto às investidas malfadadas
Assim como mal que você abraça.

Não caio nas suas garras, maldito
Garanto que não vai existir porquê
Uma doença tão fatal não admito.

Então se suas maldades não se vê
Jungi seus malefícios, mais seu fito
O meu corpo não é repasto pra você.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O caranguejo

Soneto-acróstico 

Oculto nas entranhas onde não o vejo
Maldoso, cheio de maldosa artimanha
Encontra-se aquele terrível caranguejo
Ulcerando qualquer órgão que apanha.

Come lento, deliciando-se a seu desejo
Arrastando-se como fosse uma aranha
Resiste à medicina com o lauto bocejo
Ainda sabendo que ninguém o apanha.

Não sei meu fim e não o sabe ninguém
Garanto, ele está no controle, contudo
Urdidor manhoso mui eficiente também.

E sobre vencê-lo agora, já não me iludo
Jogo a toalha, aguardo aquilo que vem
O câncer é um mal que me deixa miúdo.

sábado, 6 de junho de 2015

A peste


A peste grassando na Europa medieva
Num ceifar de almas medonho, insano
Nos recônditos das aldeias a morte leva
Como a demonstrar ódio ao ser humano

Ratos pulguentos na sua busca de ceva
Trouxeram peste bubônica a todo pano
Com bestialidade toda Europa virou treva
Vítima do maldito holocausto bacteriano.

Os doentes, peles escaldantes em brasas
Mas a doença segue amoque enquanto
Vai devastando famílias nas suas casas.

Deixando um rastro de luto em cada canto
De maneira que toda a sociedade arrasa
E de nada adiantou o apelo a algum santo.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Soneto-acróstico

Vida e morte

É, morre-se todos os dias um pouquinho
Vida como suprema dádiva da natureza
Indica apenas o seguimento do caminho
Viver, na prática verdade, não é moleza.

Então um “check up” torna-se imperioso
Realizado, mostra-nos algum mal oculto
Ou talvez um diagnóstico sutil, nebuloso
Uma enfermidade que pode tomar vulto.

Mas tudo aquilo que importa realmente
Obsidiar que simples viver leva à morte
Razoável o medo de finar que se sente.

Riscamos a vida pensando que é sorte
E pouco lembramos que somos um ente
Rico ou pobre no ocaso ninguém é forte.