quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Cecília Meireles

Nos anais da literatura, sobretudo
Em meio a ambientes tanto hostis
De fronte serena e o coração feliz
Está Cecília bem acima disso tudo.

Fruto de talento, dedicação, estudo
Ignorando estas academias tão viris
Cecília pensando, reflete, faz e diz
Recusando tornar-se talento  mudo,

Resplandece na noite sua claridade
Que aos reveses e óbices se aviva
E, em frente, indômita segue carreira.

Contudo, segue com justa humildade
Batalhando honestamente sua estiva
Cristã fervorosa: como Deus queira!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Passagem

Ando devagar porque nada sei
Nada levo, porque nada tenho
Deixo só rastro por onde andei
O que nada diz de onde venho.

Devagar porque não há pressa
E da vida nada há que esperar
Vivendo há que se andar a beça
Até enfim atingir um outro lugar.
Garanto que é triste cair nessa
Andando na esperança de chegar
Restando que ao fim recomeça.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quando o homem faz merda


O bicho homem teima em intervenções
Que, em desastre acabam comumente
Sem teimosia, estultice e burras ações
A natureza seguiria seu curso à frente.

A evolução darwiniana, sempre perfeita
Põe cada ser do Planeta em seu nicho
Portanto é claríssima a natural receita
Tudo em seu lugar seja planta ou bicho.

Mas o Homo sapiens, perfeito trapalhão
Vendo-se esperto, as cartas embaralha
Redistribui os seres na maior confusão
E depois de fazer a caca joga a toalha.

Quem paga conta é a próxima geração
Quando a natureza perder essa batalha.

domingo, 4 de setembro de 2016

Vende-se sabedoria


Vendemos gramática, letra e texto
Porquanto isso tudo é mercadoria
Sai mais barato adquirir um cesto
Como em qualquer sacolão seria

Existe aqui um grande sortimento
Temos inglês, história e geografia
Produtos autênticos cem por cento
Um válido diploma é nossa garantia.

Pois como no botequim da esquina
Bens vendemos até em prestações
Porque vender ensino é mera rotina
E nossa algibeira enche de dobrões.

Contudo, se o saber não o ilumina
Não venha culpar nossos balcões.

sábado, 3 de setembro de 2016

Assim é


Sejam quais forem, idílicas mamas
De negras, daquela África explorada
Ou da branquela euro caucasiana
São tetas onde olhos fazem morada.

Mamas fornecem o néctar de Gaia
Sem o qual o animal não é ninguém
A humanidade nadou naquela praia
E até hoje o faz quando lhe convém.

E seios não são brinquedo, veja você
Pois não foram feitos pra seu deleite
São fonte de alimento para o bebê
Local donde saudável, goteja o leite.

Porquanto a grande maioria aceite
Seio fica guardado onde não se vê.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Não entendi


Qualé a desse monstro do poema
Que leva o poeta talvez a loucura?
Se vale ele pois de qual morfema
Que permite o mal além da cura?

E não posso atribuir ao esquema
O desfecho difícil dessa aventura
Também me pareceu que o lema
Nem é mal que sempre perdura.

Portanto abandonemos o sistema
O qual tanta maledicência procura
E que mais assemelha a teorema
Sem solução e sem uma abertura.

Sugiro pois que vamos  ao cinema
Aumentar um pouco nossa cultura.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Trabalhar é nobre, mas cansa


Trabalho virou fazer o que se gosta
Porém nem sempre isso acontece
Se a gente nessa afirmativa aposta
Acaba fazendo o que nos apetece.

Mas há trabalhos e “trabalhos” por aí
Há quem labuta e quem se  encosta
Mas trabalho por necessidade em si
Acaba se transformando numa bosta.

Contudo, dizem o trabalho é salutar
Mas eu contra todo labor solto o berro
Porquanto labuta só me faz cansar
Então minha vontade adrede encerro.

Já dizia Drummond: hora de trabalhar,
Pernas pro ar que ninguém é de ferro.