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terça-feira, 10 de julho de 2018

Pastichando Olavo Bilac

Radioastronômo, ouve estrelas por certo,
porém, ignorando tudo delas, no entanto;
mas algum astrônomo que se acha esperto,
se soubesse o que ouve o vate teria espanto.

Então, observando a negra noite, enquanto,
mantém aquele seu radiotelescópio aberto;
o vate, à mesma estrela oferece pranto,
pregando rima e versos em pleno deserto.

Portanto, direis, quem tem razão caro amigo,
quando cada um busca somente o seu sentido,
e ao outro dedica desdenhoso: nem ligo!

E ninguém jamais será capaz de entende-las,
quer as tenha visto quer as tenha ouvido,
porque é loucura definir as tais estrelas.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Minha obra

A minha arte não contém melodia,
e tampouco essas flores perfumosas;
tais como dálias, cravos e rosas,
o que faço é somente poesia.

Que seja, assim me falta harmonia,
daquelas abundantes nas prosas;
e que certamente são preciosas,
porquanto trazem substância ao dia.

Componho, sem surpresa ao que vem,
não produzo tiradas com sarcasmo,
dispenso o mal, escolho sempre o bem.

As vezes o mundo me deixa pasmo,
contudo, boquiaberto também,
porque tudo atiça meu entusiasmo.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Poeta sofre

Na procura do poema mais puro
para manter alumbramento aceso;
olhos fechados no quarto escuro,
do vate pensamentos perdem peso.

Quase sempre, na sua frente o muro,
que desejando mantê-lo ali preso;
não percebendo que o vate é duro,
é bravo, e vai se mantendo ileso.

Porque é vendedor de maravilhas,
as mais boas intenções ele tem,
então os seus poemas não são ilhas.

O poeta as vezes não se contém,
põe suas composições a partilhas,
sabendo que sequer ganha vintém.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Poesia e rotina

Eu não desejo versos fulgurantes
Os quais brilhem em falsos esplendores
De multicolores luzes faiscantes
E que no fundo ocultem minhas dores.

Portanto, nada de sonhos distantes
Onde caminha-se junto as flores
Onde o presente é melhor que antes
E até estrume não exala odores.

Meus versos não referem à cascata
Não parecem conter nem ouro e prata
Muito menos, metais e gases nobres.

Quando muito exaltam brilho da aurora
Quando muitos dormem e já é hora
Da triste alvorada das gentes pobres.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Essa força


A estrada a vida, o motor a poesia
Que ora rápido e ora lentamente
Por sendas escuras na noite fria
Seguramente vai levando a gente

Pela floresta de pedra sombria
Tortuosa, opressora, talvez ingente
Com ruídos em estranha sinfonia
Poesia, porto seguro da mente.

A força de Érato por aí se estende
Nos tais entornos, então nos prende
Porquanto enxergamos seus clarões.

Como que nos mostrando o caminho
Claramente: “Não estarás sozinho”
Vai desmanchando todos os senões.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Homenagem ao Poeta





Luiz Alfredo, menestrel do pôr-do-sol
Inspirado, quase todo dia amanhece
Ouvindo o suave canto do rouxinol
Canto bem vindo como fora uma prece.

Poeta antenado, mesmo meio doente
Aproveita para compor belo soneto
O qual doa de mão beijada para gente
Que, por certo, curti-lo demais eu prometo.

Vai Luiz, versejar, esta é sua sina
Pois para tanto você nasceu destinado
E ser poeta como és, ninguém ensina.

Porque bardo mesmo um tanto adoentado
Tem, certamente, uma inspiração muito fina
Porquanto jamais deixa Érato de lado.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A vida é...

A vida? intrincado quebra cabeça
Que muitas escolhas nos oferece
Independente do que aconteça
Cada pessoa terá o que merece.

Porém, as vezes, nem tudo se encaixa
Algumas peças faltam simplesmente
Que não nos deixam de cabeça baixa
Mas que estimulam andar para frente

Contudo, é compulsório sonhar
Com descontração fugaz de euforia
Descobrir onde está nosso lugar

Neste mundo que rescende poesia
Que antes de mais nada é nosso lar
E nos dá grande arena pra porfia.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A Diva

Curvas sensuais, corpo cinzelado
Sob qualquer aspecto, deliciosa
A moça passa, perfume de rosa
Mesmerizado, então fico calado.

Sorri perfeita, sorriso rasgado
A involuntária plateia, nervosa
Um artista a vê em verso e prosa
Mas, apenas digo: muito obrigado!

Os cabelos sedosos pelos ombros
Sua meiguice com brilho de assombros
Arte real, em veraz harmonia.

Tudo deixa extasiado o artista
Que quase não crê na sua vista
Matéria prima pra pura poesia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Noite do poeta

Translúcido este céu constelado
Com estrelas que formam cascata
Num fundo negro de tom azulado
E com difusa luz que sabe a prata.

Então o poeta se põe deslumbrado
Numa admiração que nunca desata
No firmamento com olhar parado
Como que escutando airosa tocata.

Porquanto tais luzes fosforescentes
Adulam e cativam suas mentes
Através destas conjuntas razias.

Pro vate é uma transcendente fase
De poema definidora, ou quase
Cornucópia de grandes alegrias!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Poesia morre?


Em alumbramento, o vate morre
Então seu corpo inerte vai pra essa
E nada neste mundo já o socorre
Apenas sua obra a nós interessa.

Passou a vida fazendo poesia
Tratou de romance, existência, luar
Agora cobre-lhe o corpo a laje fria
E sualma estará em outro lugar.

E do seu acervo que trato agora
Morre com ele toda a produção?
Ou apenas o poeta se foi embora?

Na cova profunda, na escuridão
O poeta lembrando tudo, chora
Pois só poesia lhe trazia tesão.





.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A Musa


A musa não mais me visita, e anoiteço
Esperando que ela volte depois da aurora
Pedir-lhe-ei, então, que aponte um começo
Depois estará liberta pra ir embora.

Não importa que seja poema pelo avesso
Desde que extinga a chama que me devora
Porque sei que o alumbramento tem um preço:
Que é enfrentar teclado de hora em hora.

Então, finalmente, surge um novo dia
Eis que toda a esperança se torna vã
Porque vai embora a inspiração que existia.

É bem simples, nada produzo esta manhã
Nesta mente não há lugar pra poesia
Pois prefiro, enfim, manter minha mente sã.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lirismo, sincronia da natureza

O relógio do campanário emudece
O próprio tempo, parece, imobiliza
Como que ao céu, sobe uma prece
Que, solene, sua carência enfatiza.

Nos páramos, sopra vento solitário
Que desimpedido pelo chão desliza
O vento se entende desnecessário
Então, se transforma em mera brisa.

No entardecer a revoada de pardais
Os quais dão movimentos aos ares
Que púrpuro, tem brilho e tudo mais.

Uma quietude, apesar dos pesares
É sossego e calmaria transcendentais
O qual junta céu, nuvens, rios e mares.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Minhas palavras

As vezes tenho uma palavra predileta
Que homenageio quando escrevo ou falo
Sinto-a, parece, pisando no meu calo
Até transforma-la numa ode dum poeta.

Contudo, alguma palavra mais direta
Me causa tanta impressão que me abalo
E sei exatamente o que fazer, num estalo
E, dalguma maneira, me torno profeta.

Há as tais palavras nobres, ditas de truz
As quais, sinceramente, pesam como cruz
Mas, bem empregadas, meu soneto até brilha

Vates não são competentes, palavras sim
Não me refiro aos outros, falo por mim
Porque, cada palavra, uma maravilha.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Letras vivem

Amigo vate, todas as letras têm vida
Sabem o que significar, e até quando
Logo, cada uma não se vê submetida
Entre sílabas que não está esperando.

Tudo que a letra quer é ser entendida
Residindo num teor que a vá levando
Até para não parecer triste e perdida
Sabe-se até quando está no comando.

Tais letras têm certo desvio pendular
Êmulas que são de bardos e poetas
Mas saiba, elas não vão te abandonar
Vão continuar aí, apenas mais quietas

Imitando-as, diga-lhes que as irá largar
Diga-lhes que, para você, são vedetas
Apenas têm comportamento bipolar.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Na visão do poeta

Sou poeta que por certo ninguém conhece
E escrevo poemas com virtual enredo
Os quais ninguém jamais leu, porque são segredo
Porém tudo que faço se transforma em messe.

E os versos, quem por acaso leu, já esquece
Preciso admitir que me sinto num degredo
Contudo anonimato não me mete medo
Então verso que ontem fiz, igual amanhece.

Mas o poeta é um ser por demais passivo
Porque desconhece se tem algum valor
É assim que no meu dia-a-dia pois eu vivo.

Vejo no mundo, tema, sem tirar nem por
Mas, deste descolorido não sou cativo
Então verso meu põe no mundo alguma cor.

sábado, 8 de abril de 2017

O texto manda

As vezes eu me pergunto, o que há comigo?
Desejo fazer um verso e sai quase oposto
Contudo, sai algo de acordo com o meu gosto
Então penso: já que vale o escrito, ignoro e sigo.

Quero confessar, o texto em geral é amigo
E, no discurso, parece estar bem disposto
Correto, conciso, informal, e bem composto
Então é isso aí! me sinto orgulhoso, e nem ligo.

Se por acaso é mau texto, vou deletá-lo
Sem, certamente, nenhum trauma nem abalo
Escrever é que me mantém vivo, o que amo.

E, me conformo, pois nem sempre era assim
Algumas vezes, o texto é menor, chinfrim
Isso é sina minha, porque vate me chamo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pensando

Esta tarde escorrendo por meus dedos
Enquanto, mudo, pras paredes falo
Dizendo-lhes porque calo meus medos
E porque sonhos na verdade embalo.

Frágil dentro, lá fora desafio
Pássaros vão desafiando o vento
A multidão na rua flui como rio
Então, para mim, guardo pensamento.

Derreto-me na tarde de janeiro
Esperando que passe o longo dia
Navego como trágico barqueiro.

Vendo a vida como muito não via
Caminhando triste neste sendeiro
Faço das minhas agruras, poesia.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O soneto

Há certa imposição no corpo do soneto
Algo que fascina, cativa e desafia
Porque essa modalidade de poesia
Aposta em modelo na forma de folheto.

As primeiras estrofes, rígidos quartetos
Uma parte integrante dessa anatomia
Não importa se de tristeza ou de alegria
Finaliza com conjuminantes tercetos.

Dentro desse notável arranjo final
Sem que lhe reste uma dúvida terminal
O tema será claramente esgotado.

Porque o soneto é estória bem contada
Despido dalguma rebarba, sem mais nada
Onde o sonetista encontra-se amarrado.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Manoel de Barros

Mas Manoel, como no Gêneses fez o criador
Amassava o barro e dele seus versos fazia
Naturalmente com maestria conduzia andor
Ordenhando da natureza o maná da poesia.

Ele era vate que bebia diretamente na fonte
Longe desses modismos que por aí estão
Deitado a contemplar a fímbria do horizonte
Em cada bicho ou árvore achava inspiração.

Bedel da harmonia e da beleza pantaneira
Amava o despretensioso e a simplicidade
Receptivo ao descomplexo à sua maneira.

Renhido poeta, não desdenhava a verdade
Observador atento nunca escrevia besteira
Sua obra assaz prenhe de espontaneidade.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A escolha


A vida é intrincado quebra cabeça
Que muitas escolhas a todos oferece
Independente do que lhes aconteça
Cada indivíduo terá o que merece

Mas, as vezes, nem tudo se encaixa
Algumas peças faltam simplesmente
Que não nos deixam de cabeça baixa
Mas que estimulam andar prá frente

Contudo, nos é compulsório sonhar
Com descontração da fugaz euforia
Descobrir aonde será nosso lugar

Neste Planeta que rescende poesia
E que antes de mais nada é nosso lar
E nos dá ótima arena para a porfia.