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sábado, 13 de outubro de 2018

Poetando por aí

Cumpre o poeta sua obsessão pela rua,
e não lhe cai bem permanecer no aconchego;
porquanto seu grilo dalgum desassossego,
é moto que no tal alumbramento atua.

Mas, justifica, o vate, esse formal apego?
sem que, através dele, seu poema construa?
preto no branco, uma verdade nua e crua,
sem obscuras partes, como fora um morcego?

Compor, para o vate, não pode ser suplício,
tampouco certo feito que a todos agrade,
poema, não se constrói, não é um edifício.

Poemar é sair em busca da verdade,
se possível, com pureza, sem artifício,
porque a fórmula estará na simplicidade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Esfinge meteorológica

Olha as alturas, este observador terreno,
e, sonhando, transforma tudo em poesia;
já que vê no céu tanto mistério e magia,
e tanta enormidade que se acha pequeno.

Mas o firmamento não lhe faz um aceno,
que seja sério, ou que seja mera ironia;
mesmo apenas simples piscadela vazia,
ou cumprimento vão, destilando veneno.

E, por vezes este céu tornando-se fúria,
na fé dos homens violentamente, bate,
borrascoso, cidades e aldeias atinge.

Como a impingir à terra suprema injúria,
em um estranho unilateral combate,
mantendo-se misterioso igual esfinge.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sonho de bardo

Clamando aos elementos, o vate delira,
e, diz-se tolhido por tenazes algemas;
as quais, exercem nele censuras supremas,
obrigando viver em terrível mentira.

E não lhe vêm respostas para seus dilemas,
não há sequer real controle dalguma ira;
então nenhum acorde do piano tira,
e não consegue recitar os seus poemas.

Gostaria de soprar argênteas trompas,
que aglomerassem as pessoas de roldão,
ciente que tal fato é apenas um sonho.

Porquanto poeta não espera nem pompas,
nem conquistar das pessoas, o coração,
porque sabe que o seu, é poema bisonho.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Sem pureza

Muitas vezes, me surge constructo obsceno,
que fruto, talvez, dalgum desejo oculto;
e vai crescendo que acaba tomando vulto,
quando, na origem, era humilde e pequeno.

E, por assim dizer, me vejo burro, estulto,
meus versos se parecem com puro veneno;
anulando aquilo que seria só ameno,
e se era elogio, se transforma em insulto.

Porém ainda que minha mente me cobre,
a feitura de qualquer texto, não controlo,
então, por isso, não produzo nada nobre,

Porquanto apenas vivo no nível do solo,
com certa inspiração um tanto pobre,
mas, com tal mediocridade me consolo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Palavra de poeta

Pregando no deserto, o vate desvairado,
já fitando o nada enquanto caminha lento;
ainda que seja anormal aquele estado,
consegue conjugar o lúcido pensamento.

De nada adianta alçar ao vento algum grito,
como se fora algum protesto violento;
que atinge e repercute o cosmos infinito,
enquanto é carregado pelo vento.

Tanta esdruxularia, pro vate consiste,
em apenas mostrar ao mundo sua lavra,
a qual mensagem intrínseca em si carrega.

De certa consistência mui alegre ou triste,
nas entressílabas de inocente palavra,
que esta, mais que instrumento, é sua colega.

sábado, 4 de agosto de 2018

Fernando Pessoa

Foi poeta dos heterônimos severos
E invólucro do corpo, dessas criações
Ricardo Reis produtor de temas sinceros
Navegou livre por trás de seus bastiões.

Alberto Caeiro, um “escudo”  de Pessoa
Nunca deixou a zona rural de Portugal
Dava, pra Fernando, voz que ainda ressoa
O que faz dele um autor sensacional.

Por Ávaro de Campos este “seu engenheiro”
Ele compôs tabacaria niilista
Sem qualquer dúvida seu poema primeiro.

Sem Bernardo Soares, esse articulista
O Fernando Pessoa não seria inteiro
Assim, todos eles completam este artista.

sábado, 28 de julho de 2018

O bardo e o mundo

As vezes, me pergunto como a poesia,
fará deste Planeta um melhor lugar;
porque o vernáculo apenas se fantasia,
pra rimas, estrofes e versos formar.

Mas existe aquele poeteiro galante,
o qual exalta e verseja com excelência;
em cuja obra se vê qualidade constante,
que da responsabilidade tem ciência.

Portanto, beleza e verdade o vate exprime,
não descuidando da vírgula nem do acento,
eis que acaba compondo certa obra sublime,

Deste Planta em universal movimento,
que, dos humanos, toda maldade redime,
e melhora as interrelações, acrescento.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Metier de poeta

Como vate, jamais se veja desprezado,
e também nunca trate mal ou com desdém;
quem eventualmente está a teu lado,
jamais deseje mal a quem te trata bem.

Porém, concorde com a vida nos teus termos,
porque tudo fará parte da tua história;
seja entre multidões ou nos esconsos ermos,
e também para alguma derrota ou glória.

E lembre-se que sonhar é perfeito ofício,
pois de tua obra não importa o tamanho,
nem é julgada por suposto benefício.

Enquanto não se meça por ter algum ganho,
e mesmo que poetar seja mero vício,
jamais pense que ser poeta é estranho.

domingo, 3 de junho de 2018

Gullar

Fêz-se à luz o grande vate Gullar
Ele voltou pra onde tenha partido
Retorna para o próprio patamar
Retiro onde a poesia faz sentido.

Eterno será seu franco poetar
Imune a um modismo desmedido
Resta-nos entendê-lo peculiar
Ah! Gullar faz muito bem ao ouvido!

Gratos por poeta que deixou marca
Um ilustre vate maranhense
Ligado neste mundo esse monarca!

Lá se vai para lugar onde pertence
Agora dos vates é patriarca
Reinará sem um trono no non sense.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sonho de poeta

Vate deambulando por sendeiro,
libando gole a gole seu viver;
entrega-se ao lirismo por inteiro,
quer desfrutar tudo antes de morrer.

Talvez lhe venha verso derradeiro,
antes de seu existir anoitecer;
bastando para isso ser verdadeiro,
sem que ao modismo tenha que ceder.

O bardo alumbrado porém contrito,
tudo que faz, é somente pensar,
entra em comunhão com infinito.

Compõe um poema, talvez invulgar,
que a existência não cause conflito,
esperando este Planeta salvar.

quinta-feira, 15 de março de 2018

O vate sabe

Com sua muito especial acuidade,
o vate, em tudo enxerga grandeza;
pra ele nada parece futilidade,
e toda interpretação põe a mesa.

Portanto não busca apenas verdade,
basta que inspiração seja coesa,
e que o tema lhe inspire vontade
De modo que ao leitor cause surpresa.

Ele, um evento filtra com o olhar,
que, crítico, sabe como julgar;
o que lhe causa imenso prazer.

Então seu pensamento se expande,
e o que era pequeno ficará grande,
pois vate sábio sabe o que fazer.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Ah, esse mundo...

E vou aqui desenvolvendo meus traços
com esta velha caneta quebrada,
quando percebo, já surge alvorada,
então ouço, na rua, primeiros passos.

Como os vates, sou carente de laços,
e não sei que esperar no fim da escada;
será um universo, ou apenas nada?
Não sei, desconheço tantos espaços!

As vezes, o mundo me causa espanto,
mas, também sou vítima do seu encanto,
e então o vejo com brilho no olhar.

Tão mesmerizado que fico mudo,
com sede de sorver aquilo tudo,
e a outro universo me transportar.




quinta-feira, 1 de março de 2018

E la vita va...

ois o poeta não manda nas frases
O seu versar pode nascer defunto
mbora o vate tenha suas fases
uitas delas podem perder assunto.

quele seu tenso zoom de bardo
eio que vive acordando flores
nde lança fulminante petardo
asando-as dessas atrozes dores.

gnore o marimbondo alucinado
eba a fala do poeta apaixonado
m bêbado de cu cheio de absinto.

ada de catar pedaços de luar
eixe essa coisa de per si andar
O que tu queres deve estar extinto.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Via crucis do bardo

Pela estrada, aquele que, sem pecado,
que não se vê pecando neste instante;
mesmo quando, seguindo adiante,
vai continuar sendo imaculado.

É um bardo de coração lacerado,
que, racional, ativo e pensante;
numa via crucis assaz torturante
carrega a dor no peito magoado.

E, não obstante essa mágoa suprema,
lhe tolhe os braços pesada algema;
não há, portanto, desdita maior.

Do vate, não se ouve algum reclamo;
poeta bravo, assim eu o chamo;
as dores do mundo sabe de cor.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Tributo a Jorge Luis Borges


Borges sabe que nunca fora vão,
que, cego, observou de frente o mudo;
com seu olhar puro, porém agudo,
como a ver nele seu próprio irmão.

Borges, o filósofo que bem sabe,
e, por saber, estende seu perdão
a todos que tem merecido então,
pois julgar semelhante não lhe cabe.

Borges, de ilustres modos também;
sábio e engajado tal como o pinto,
nos textos e linhas não se contém.

E sobre a história tem olhar distinto,
porquanto passa e vai bem mais além,
sem errar, já decifrou o labirinto.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

E la mente va...

A mente do bardo, não satisfeita
Deseja ampla visão planeta a fora
Para tanto está sempre a espreita
Em qualquer época, a qualquer hora.

Se vê algo novo, faz sua colheita
Assim, desde a noite até a  aurora
E, com o que descobre, se deleita
Seja num longo prazo, seja agora.

A mente do bardo a garimpar ouro
Não julga, sequer enxerga desdouro
Nos tantos eventos vis deste mundo.

Em si, nada considera surpresa
Seguidor radical da natureza
Tudo lhe é normal e muito fecundo.