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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Esfinge meteorológica

Olha as alturas, este observador terreno,
e, sonhando, transforma tudo em poesia;
já que vê no céu tanto mistério e magia,
e tanta enormidade que se acha pequeno.

Mas o firmamento não lhe faz um aceno,
que seja sério, ou que seja mera ironia;
mesmo apenas simples piscadela vazia,
ou cumprimento vão, destilando veneno.

E, por vezes este céu tornando-se fúria,
na fé dos homens violentamente, bate,
borrascoso, cidades e aldeias atinge.

Como a impingir à terra suprema injúria,
em um estranho unilateral combate,
mantendo-se misterioso igual esfinge.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

No ceio do mar

Numa demonstração feroz, massa bravia,
seu movimento alterna em ondas esse oceano;
sobem e descem como vero monstro insano,
o mar ignora os barcos, lhes faz porfia.

Balouçando conveses, procela fugidia,
em minutos, constrói evento diluviano;
acima da compreensão do ser humano,
como que por medonha força da magia.

Frente ao fenômeno, o homem se vê perdido,
nada o preparou para a fatídica espuma,
que dissolve a luz e transporta-o a treva.

Nessa azáfama letal só se ouve gemido,
que mostrar desespero nessa hora costuma,
enquanto aos céus almas descarnadas eleva.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

A tormenta

Um campo florido de cores deslumbrantes,
bom sol em céu límpido resplandecendo;
bucolismo básico como não se viu antes,
e surge no horizonte um vendaval horrendo.

Os pequenos bichos se recolhem as grutas,
aves que piavam, escondem suas vozes;
sons que se ouviam fazem parada abrupta,
estático, um esquilo que guardava nozes.

Agora a campina tal um verde deserto,
cerra seus movimentos como quem dorme,
porquanto tal tormenta virá, mais que certo.

E tudo nos mostra um desmantelo enorme,
de modo que ninguém quer ficar por perto,
porque tudo no campo ficará disforme.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Mar, meu desafeto

Da minha janela avisto o oceano,
hoje duma cor pálida, enfermiça;
que me parece eivado de preguiça,
mas que noutros dias já foi tirano.

Mar é estranho, sou homem urbano,
porém vê-lo, minha atenção atiça;
matas tanta gente, valha-te missa!
mar perigoso, ao longo de todo ano.

Tens tempestades convulsas, malsãs,
talvez, carregadas de pestilências,
as quais arrepiam as minhas cãs.

Pescadores dedicam reverências,
às tuas ondas que são como irmãs,
pois a ti explicam suas carências.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Elementos

Escureceu,  nuvens  toldam  o  dia,
tudo indica uma tempestade brava;
neblina  férrea  que o ar embaçava,
onde  o  ar e  a terra se confundia.

O  mar  de procelas   se embravecia,
vagalhões se alternam com as cavas;
esta tormenta  a todos assombrava,
por tanto  furor  e  tanta  ousadia.

Uma  luta  entre  oceano  e  rochedos,
cujos embates formam altos obeliscos,
entre espumas ferventes nos penedos.

Eventos carregados  de  altos riscos,
que  deixam  aflorar  nossos  medos,
frente a potentes clarões e coriscos.

domingo, 20 de novembro de 2016

Chove chuva


Recolher da aurora alguns pedaços
E unir com fragmentos de pura luz
Depois verificar que não há traços
De vivaz relâmpago que nos seduz.

Se eu chovo a ninguém interessa
Minha chuva molha o espantalho
Chover como chovo é bom à beça
Depois me recolho ao meu galho.

Vejo os relâmpagos nessa vidraça
Mesmerizado com tanta ousadia
Não há qualquer coisa que eu faça
Pra diminuir esta cruel melancolia.

Linhas imaginárias a chuva traça
As quais vou percorrer algum dia.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Recado

Chovendo lá fora, eu aqui prisioneiro
Há na chuva a premência aborrecida
Uma mandona neste planeta inteiro
Vem, molha o chão e aborrece a vida.

Age mansa, diluvial ou em aguaceiro
Alivia estiagem, mas quando incontida
Benfazeja, até árido solo virar atoleiro
O que acaba gerando raiva estendida.

Receio que a chuva está dando recado:
Revejam, seres egoístas, seus valores
E vejam que este paraíso nos foi dado
Contudo, agora são néscios poluidores.

Ignoram o futuro, presente e passado
Deixam tudo como teatro de horrores
Agora, me vejo chovendo no molhado.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Tormenta


Uma confusão de raios e sons se ouvia,
Tudo sacudia aquela tempestade brava,
Terra, água, vento e lama que escorria
Uma trovoada com o ar se embaraçava.

Emborrascado o oceano se embravecia
E a manhã com tardinha se equivocava,
Enquanto o povo tão abalado estremecia
Com estrondo horrível, que assombrava.

Nuvens tantas sólidas como rochedos,
Cumulus nimbus altos como obeliscos
E tudo despencando como de penedos.

E altíssimos sons deixam todos ariscos
Assombrados, atônitos com seus medos
Dançando no céu os coloridos coriscos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012