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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Beleza interna

Toda manhã, contraste entra pela janela,
uma dolorosa verdade vespertina;
beleza sã que no fim do dia termina,
mas que desperta maior horror dentro dela.

Porque imperioso ciclo se revela,
que vai do nascer àquela fatal ruína;
que traz rugas e frescor da pele assassina,
transformando em baranga moça que foi bela.

Apesar das cirurgias, muito desgosto,
plásticas que só mascaram a sufoca-la;
sequer lembra como fora seu rosto,
e mesmo a dicção agora por vezes resvala.

Evita sair a céu aberto com sol posto,
sua formosura, só escultura de sala.

sábado, 2 de junho de 2018

Natureza pródiga

Deixa-me esta natureza, a vista ofuscada,
a luz, com que há de mais belo constrói pontes;
vai mesclando de várias cores a alvorada,
transformando a fímbria dos belos horizontes.

Paisagem de milhões de cores carregada,
pincelando campinas, florestas e montes;
fornece-lhes vida, não esquecendo de nada:
desde lagos, riachos, pântanos e fontes.

Vejo-me olhando pasmo de longe, da borda,
essa balbúrdia, tão confusa de beleza,
a qual do letargo a humanidade, acorda.

Que mantém a vontade de criação acesa,
de maneira que num artista esta transborda,
e uma explosão de obras não será surpresa.

sábado, 24 de março de 2018

A beleza do fim

Essa  busca  desenfreada  pela  estética,
esse  desprezo  desumano  pela  estóica;
uma  escravidão  viciante  pela métrica,
naturalmente deixa a mulher paranóica.

Lábios, peitos, cintura e bundas modelados,
que  robusta  aparência  de  perfeição gera;
passos,  olhares  e  gestos  bem  calculados,
afirmam:  cá,  apenas  falsa beleza impera.

Portanto se vê tal corpo moldado em músculo,
dessa    estrela    misteriosa  e   fascinante;
belo invólucro para um cérebro minúsculo,
que  nada  pensa,  somente  segue adiante.

Parece que sociedade chegou ao crepúsculo,
mas, o  final  deste  mundo  será brilhante.

domingo, 18 de março de 2018

Gatíssima

A tipa se achando incomparável,
assume ares de fêmea mandona:
-Eu sou marombada, também saudável
que pose de diva me proporciona!

Gata desse nível não é amável,
pois pensa que altivez funciona;
sofre dum estrelismo insuportável,
porque crê que deste mundo é dona.

E não se sabe que mundo habita,
mas, parece, uma gazela no cio,
numa busca por macho infinita.

Com certeza, algo assim jamais se viu,
vazia, medíocre, porém bonita,
que, por mim, vá prá puta que pariu!

domingo, 17 de dezembro de 2017

A Diva

Curvas sensuais, corpo cinzelado
Sob qualquer aspecto, deliciosa
A moça passa, perfume de rosa
Mesmerizado, então fico calado.

Sorri perfeita, sorriso rasgado
A involuntária plateia, nervosa
Um artista a vê em verso e prosa
Mas, apenas digo: muito obrigado!

Os cabelos sedosos pelos ombros
Sua meiguice com brilho de assombros
Arte real, em veraz harmonia.

Tudo deixa extasiado o artista
Que quase não crê na sua vista
Matéria prima pra pura poesia.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O troféu

Bela e sedutora a aventureira alemã
Vestida de dossel e cabelo ostentoso
Enroscada no braço lasso do esposo
Trajado a caráter e carranca malsã.

Nos gestos uma sugestão de cortesã
Um olhar dúbio, um sorriso silencioso
Que deixou o frio ambiente luminoso
Seu andar prenuncia radiosa manhã.

O marido, por mero acaso, milionário
De bengala, colete, relógio e chapéu
A conduz a toque impessoal, utilitário.

Disfarça o prazer, parece andar ao léu
Talvez, preocupado de ter um vicário
Que esteja de olho nesta esposa/troféu.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Feiosidade

Neste belo jardim a rosa foi pisada
Porém, sei que não é a lua que ali pisa
Tampouco fez tal crueldade, a doce brisa
Então como esta rosa foi desfigurada?

Porquanto esta beleza, sempre desejada
Nunca permanece, assim que se profetiza
Embora matéria prima duma poetisa
Está sujeita a todos desmandos da espada.

Feiosidade, a boa convivência olvida
Então por mera inveja a beleza destrói
Viver na contramão é sua eterna lida.

Quando encontra jardim, por dentro se corrói
E, dessas belezas, acaba com a vida
Pois a maldade no seu coração não dói.

domingo, 18 de dezembro de 2016

À amizade

Quero desde sempre dizer e o digo,
Que amizade é o bem maior humano;
Que esta faz do conhecido um mano
E que este se torna o melhor amigo.

Com este camarada até o limite sigo
Não importa o roteiro ou mesmo ano
Quem tem amigo não precisa plano
Nunca estou sozinho ele está comigo.

Ter um grande amigo melhor te faz
Tal como dividir a dúvida e a certeza
Mas num caminho que te leva à paz.

Então, levando esta vida com leveza
Aproveitá-la melhor você será capaz
De modo a vivenciar toda a beleza.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Valores


Vastas somas de talento e dinheiro
Associam-se em nome da vaidade
Inclui no pacote médico açougueiro
Debuxando corpo com ambiguidade.

Algumas mulheres perderam o chão
Deixam-se levar por algo indefinido
Entram na espiral da beleza/dragão
Em que a estética perde o sentido.

Beleza acima de valores quaisquer
- Eu sou bonita, o resto não importa.
Lídimos artistas me fazem A Mulher!

E o que dizer de alguma boca torta,
Zerando o que a natureza quis fazer?
- Ao invés de feia, me prefiro morta!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Essas rosas...

As rosas sugerem cor e alegria
Ao despertar no albor da manhã
Porque sua existência não é vã
Mesmo a dormir numa noite fría.

Eis uma flor que a tudo desafia,
Então pela qual se pode virar fã
Flor da freira, donzela e cortesã
Quando vista torna feliz seu día!

Olem, e nos seduzem as rosas,
Seu perfume é amor e turbilhão
E nem são convencidas, prosas.

Querem ser vistas, eis a questão
Porque parecem flores vaidosas
Que se avistadas não fenecerão.

sábado, 17 de outubro de 2015

Crianças são poetas


O  abrutalhado homem nada vê
Sobre as coisas simples da vida
Se não está no jornal ou na tevê
É coisa totalmente desconhecida.

No alto só enxerga tempestade
Onde existem nuvens de algodão
Tudo de acordo com sua vontade
De não crer na verdade da ilusão.

Contudo ainda haverá esperança
De observar as belezas do mundo
Através dos olhos de uma criança.

Pois para ela a cada milissegundo,
Maravilha que aos olhos não cansa,
Percebe o universo mais fecundo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Que bicho sou eu?


Vistosa, não me incomoda ser admirada
Me dizem o bicho mais bonito do planeta
Voo é errático como não querendo nada
Sou frágil, peço que comigo não se meta.

Toda flor por mim gosta se de ser beijada
Na qual, para suga-la introduzo a lingueta
Então, no jardim jamais me sinto cansada
Desde que possa nas flores fazer chupeta.

Sou criatura voadora que não fica parada
As vezes, até me tacham de bicho xereta
Então isso me torna tristonha e magoada.

Se você por certo sabe essa minha faceta
Deve saber que sinto-me porém iluminada
Sou um agitado lepidóptero, sou borboleta.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pastiche de obra de Augusto dos Anjos


Tarde, arroio canta sob mata umbrosa
Àquele sol suas viçosas águas alvejam
Brilha como cristal, corrente  suspirosa
Agitando os nenúfares que ali vicejam.

Há porém, presságio de noite luminosa
Enquanto lá no alto os astros rumorejam
Apaixonados por corrente tão charmosa,
Borbulhante, sem feiuras que se vejam.

Chora o ribeiro bem preguiçoso e dolente
E de inveja a noite escura também chora
Mesmo a flor noturna de tal beleza ciente,
Perde sua bela pétala que o veio descora.

E a pétala bóia no pranto dessa corrente
Que a tal rosa, ao luar, chorando enflora.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Limerique


Na verdade, imagem não tem preço
Porquanto existe em qualquer endereço
Xô! Para longe, feiúra!
Pois ninguém te atura
Bonito sou, se bonito lhe pareço

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Limerique


Feiura em princípio se esquece
Pois beleza o coração aquece
Estética entra na visão
E se aloja no coração
Bonito é se aos olhos lhe parece.

domingo, 28 de abril de 2013

Limerique



Brandina fora a garota mais linda
Embora, diziam, formosura finda
Contudo não foi seu caso
Sua beleza não teve ocaso
Porque gatosa está mais bela ainda.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

terça-feira, 9 de outubro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012