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sábado, 14 de julho de 2018

Metamorfose

Ah, se pudesse escolher o que for,
pois seria muito bom, certamente;
gostaria então de ser uma flor,
bem colorida, de boa semente.

Porém não será apenas o querer,
que mudará o corpo material;
pois a natureza assim fez meu ser,
e não mexerá o produto final.

E, como sonho sequer paga imposto,
sonhando com hipóteses eu fico,
pois menos vale dinheiro que gosto.

E mais vale ser flor que homem rico,
quando no espelho percebo meu rosto,
meu semblante para flor modifico.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A Rosa e o orvalho

E, por breve momento, o orvalho cintila
Na ponta da pétala, desequilibrado
Então num átimo sua vontade oscila
Entre brilho efêmero e cair no gramado.

A rosa fascinada, mesmo que tranquila
Àquele broche tão logo foi dispensado
Substitui pelo que o segue naquela fila
Que pra brilho também é vocacionado.

Contudo, há paixão entre a rosa e orvalho
Entre o brilho da gota e o colorido dela
Infelizmente, entre eles não há atalho.

Porque a rosa, coquete, não é Cinderela
Permanece firme no seu sólido galho
Enquanto pobre orvalho no chão se estatela.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Versejar

Pois é, acordei com a mente desolada!
Contudo, poetar eu simplesmente quero
Como eu devo resolver esta parada
E que seja poema solúvel e austero?

O cérebro: tua cabeça está cansada
Pois isso será um problema muito vero
Por acaso nossa mente não pensa nada?
Então, normalmente, isso eu não espero.

Portanto, que tal se fizer versos tacanhos
Sem qualidade, sem afeto ou sabor
Os quais aos leitores lhes pareçam estranhos
Como aqueles que não costumo compor?

E também não sei se tais versos trarão ganhos
Ou traduzem cores e perfume da flor.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A perereca e flor


Apenas sossego a perereca queria
Pousada modestamente numa flor
Que a chamasse de rela, rã ou jia
Nunca lhe causaria a mínima dor.

Na mata entre os galhos ela vivia
Entre batráquios a menor rãzinha
A qual vive à noite e dorme de dia
Que vaidosa nunca perde a linha.

Porém se um grande anuro seria
Nem sequer havia pensado nisso
O negócio é manter-se na alegria
Para nunca desvanecer seu viço.

E se conseguir ser tema de poesia
Não há motivo para cair no sumiço.

sábado, 24 de setembro de 2016

Ao cuitelo


E as flores, que, mais que tudo, sabe você
mas fontes que transbordam admiração
ob seu bico floram sem saber o porquê
las, graças a tua labuta, são o que são.

nclusive sei: sem beija flor, não haveria
egônia, dália, magnólia, cravo e jasmim
ntão, provavelmente em nosso dia a dia
ndiferença, tristeza e uma apatia sem fim.

ardins de pedras, sem brilho e sem cor
penas terra nua sem uma vida qualquer
rio pedaço de terra, sem nenhum calor.

ogo o Planeta, imutável tal não se quer
bscurecido, tristonho, morrendo de dor
eduzido a receptáculo da morte que vier.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A tristeza da rosa

Jogada, abandonada e tristonha
Ávida para contar aquela história
Nervosa até pejada de vergonha,
O que não tem ganho nem glória

Uma rosa, que não é flor bisonha
Tratada como fosse mera escória
Recorda, lembra, também sonha
O que fora bom, agora é memória.

Já perdeu seu perfume, embora
Ainda que tenha colorido o jardim
Rosa triste, é só a flor que chora.

Diz que não vai continuar assim
Infeliz e desprezada que é agora
Melhor deixar vida chegar ao fim.

sábado, 30 de julho de 2016

A rosa e o orvalho

E, por breve momento, o orvalho cintila
Na ponta da pétala, desequilibrado
Então num átimo sua vontade oscila
Entre brilho efêmero e cair no gramado.

A rosa fascinada, mesmo que tranquila
Àquele broche tão logo foi dispensado
Substitui pelo que o segue naquela fila
Que pra brilho também é vocacionado.

Contudo, há paixão entre a rosa e orvalho
Entre o brilho da gota e o colorido dela
Infelizmente, entre eles não há atalho.

Porque a rosa coquete não é Cinderela
Permanece firme no seu sólido galho
Enquanto pobre orvalho no chão se estatela.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Jardinar

Confesso, tenho olhos de jardim
No qual nasce flor e voa inseto
Borboletas aqui pousam em mim
Sem se importar com meu veto.

Flores ingênuas são tão prosas
Como gerânios e lindas rosas
Em meus olhos como moldura
Fazem deles gloriosas pinturas.

E aqui também há erva daninha
Que é vivo ônus que se instala
Onde há plantas ela se aninha.

E se deixar até jardim ela abala
E diz, essa plantação é minha,
Quando quero o pássaro se cala.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Às flores


Face a mudez daqueles os quais dizem nada
Liberta a palavra falada, no jardim, a flor
Ousa pois mostrar sua alma apaixonada
Recriando antigas declarações de amor.

E aquela locução não falha de tão ousada
Sabe-se bem convincente e mostrar calor
Quando fala o que quer, e se faz amada
Um dia fala pra nós, outro ao beija-flor.

Era uma vez, flor que ser gente queria
Falando, encanta no jardim a plateia
Assim cativando seu canteiro que ouvia.

Lá estavam a rosa, o cravo e a azaleia
Atentos, mesmerizados, no que ela dizia
Motivados, sonhando em feliz assembleia.

sábado, 7 de novembro de 2015

Flor é tudo


Simplicidade não é uma condição
A qual se ilumina depois desliga
Ao mero comprimir de um botão,
Nascemos simples há quem diga.

Não é simplória, é simples a flor
E ela com simplicidade convive
Seja colorida ou possua candor
More ela num jardim ou declive.

Lógica existe numa flor contudo
Que a nós cabe apenas admirar
Seja por feição ou por conteúdo,
Sua beleza não se pode ocultar.

Então na bela flor eu me escudo
Para frisar simplicidade secular.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pastiche de obra de Augusto dos Anjos


Tarde, arroio canta sob mata umbrosa
Àquele sol suas viçosas águas alvejam
Brilha como cristal, corrente  suspirosa
Agitando os nenúfares que ali vicejam.

Há porém, presságio de noite luminosa
Enquanto lá no alto os astros rumorejam
Apaixonados por corrente tão charmosa,
Borbulhante, sem feiuras que se vejam.

Chora o ribeiro bem preguiçoso e dolente
E de inveja a noite escura também chora
Mesmo a flor noturna de tal beleza ciente,
Perde sua bela pétala que o veio descora.

E a pétala bóia no pranto dessa corrente
Que a tal rosa, ao luar, chorando enflora.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

À vulva rosa


Disse o poeta, uma rosa é uma rosa
Será apenas à singela flor alusão?
Ou poderá existir flor mais gulosa?
Não há resposta, pelo sim pelo não.

E uma vagina, ser rosa/flor poderia?
Ou tal coisa apenas tola cogitação
Será que num ágil passe de magia
Pode-se fazer essa transformação?

Não sei, talvez não saiba ninguém
Mas se existe certa concatenação
Uma poderá vir a ser outra também.

Porém se ambas em pauta estão
Logo à mente a pergunta me vem:
Deflorar, mera coincidência, então?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Soneto-acróstico Rosa sangue


As rosas são puras por definição
Respeitando regras pela tradição
Elas se definem nas suas cores
Gravitam coloridas onde tu fores.

Regras por seu lado e sua função
Assinalam um rumo, uma direção
E quando chega o período certo
A rosa então terá o corpo liberto.

Sem fugir daquilo que é prescrito
Regulamenta o seguir dessa vida
O corpo da rosa pois dá seu grito.

Sangra vermelho a rosa fendida
Assume a cor que seria um mito
Sabendo que é viagem só de ida.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Limerique


Era mais uma flor lá do seu jeito
Que aos meus olhos causava efeito
Olhava-me do vaso
Veja, eu arraso!
Olhe bem, eu sou um amor perfeito!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Limerique




Impossível negar nossa opinião
Sobre a flor e o extasiado cão
Num quadro muito raro
Ele agracia seu faro
Cheirando a flor como um zangão.