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domingo, 9 de setembro de 2018

Minha floresta



Nesgas de sol invadem o sombrio da mata,
quebrando o verdor semi transparente apenas;
cortam o ar borboletas asas de prata,
contrapondo-se a araucárias não pequenas.

No vale um riozinho quase silente cascata,
e somente ele fere as dolências serenas;
dando acordes que compõe argentina sonata,
onde voejam folhas outonais amenas.

Do galho alto, coruja apõe seus pios graves,
coleópteros coruscam os élitros seus,
enquanto se esquivam de famélicas aves.

Porquanto, tudo forma atmosfera que enleva,
dos gigantes pinheiros aos grilos pigmeus,
das flores das copas às minhocas da treva.

domingo, 2 de setembro de 2018

O rio

Miúdo e calmo segue o córrego dolente,
marulhando escorre sutil, como quem chora;
e nos remansos, como a descansar, demora,
mas dos óbices do caminho se ressente.

A chuva obriga a jogar alguma água fora,
pra amenizar a força de sua corrente;
já agora, mais largo, bem longe da nascente,
as margens plácidas sua força devora.

Agora seu formato antigo é lembrança,
flui mais rápido e onde corre causa clamor,
porquanto, cada vez, mais ousado se lança.

Um rio será ser vivo sempre, onde for,
corrente aquosa expressiva, que não cansa,
responsável pela flora e pelo verdor.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Bucolismo

Murmurando o riachinho corria,
ali próximo, pássaros cantores;
e alegre cantoria eram autores,
enquanto tranquilo passava o dia.

De aquarela a campina se vestia,
era uma primavera de mil cores,
dominada por perfume das flores
e, ao longe, um oceano que bramia.

Tudo remetia à vida de outrora,
atmosfera maviosa como antes,
havia sintonia entre fauna e flora.

No córrego, brilho de diamantes,
pela luz, que nele tocava agora,
e ninguém via, não havia passantes.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Somos a natureza

Aqui pensando sob os arvoredos,
contemplando o distante horizonte;
ouço o marulhar da pequena fonte,
prestes a contar-me certos segredos.

Entendo que devo ouvir casos ledos,
d' agua passando debaixo da ponte;
ou amenidade outra que ela conte,
ou sobre água que contorna rochedos.

Quero sentir-me parte da paisagem,
me diluir nos ramos, na folhagem,
fazer parte da natureza agreste.

Assim sentindo, eu percebi então,
que se aqui estou não é sem razão,
todos estamos num plano celeste.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O riacho

O riacho timidamente nasce
Modesto, vai rastejando normal
Ele sabe que neste trecho dá vau
Contudo, logo terá outra face.

No entanto, rolando pelo caminho
Surpreso, aos poucos se vê engordando
Um tanto, que sequer sabe até quando
Enquanto flui quieto, de mansinho.

Solitário, anda no solo ermo
Não percebendo onde será seu termo
Conduzir as águas é seu destino.

De mansinho torna-se caudaloso
Acelerado, vivo e buliçoso
Ciente de sua existência, imagino.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Amenidade


Tudo está bem, o verde da pradaria,
O vento com seu sibilo leve, vacante,
O perfume que flui no ar, abundante,
E a paisagem com sua luz de poesia.

Tudo está bem, a fonte de água fria,
A água com seu soluçar acalmante,
E o riso das flores pra algum amante
Enquanto nuvens traduzem calmaria.

Bem, que seja tudo apenas o sonho,
Que sonhei esperando ser verdade
Mas que minha fé naquilo eu ponho.

Bem está, que se viva só banalidade
Que se lute apenas combate bisonho
Desde que seja tudo espontaneidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Não rio do rio


Quando do rio, as águas passadas
Deixa um vazio na fonte que chora
Será como acordar e não ver nada
Será como ter tempo sem ter hora.

Porque rios que vão dar ao oceano
São como olhos chorosos de amor
Que lembram o recente desengano
E que dão azo ao virtuoso rimador.

Contudo, vejo águas do rio correndo
Só então permito meus olhos secar
Para apreciar os poentes morrendo.

Todos os rios vão para algum lugar
Onde por certo acabam nascendo
 Não mais chora, volta então cantar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Bucolismo


Sol a pino, na campina o arroio canta
Estradeiro neste oásis pois descansa
Enquanto certo vento a poeira levanta
A mata farfalhante folhagem balança.

Do alto, sol deita sua luminosa manta
Como resposta, natureza então lança
Cores de uma aquarela que encanta
Enquanto o dia radioso lento avança.

O córrego cristalino continua dolente
E as flores vão florindo com convém
Tudo que encanta pois está presente.

O passante se vê envolvido também
As flores, a mata, as cores, a corrente
Que feitiço e encantamento contém.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pastiche de obra de Augusto dos Anjos


Tarde, arroio canta sob mata umbrosa
Àquele sol suas viçosas águas alvejam
Brilha como cristal, corrente  suspirosa
Agitando os nenúfares que ali vicejam.

Há porém, presságio de noite luminosa
Enquanto lá no alto os astros rumorejam
Apaixonados por corrente tão charmosa,
Borbulhante, sem feiuras que se vejam.

Chora o ribeiro bem preguiçoso e dolente
E de inveja a noite escura também chora
Mesmo a flor noturna de tal beleza ciente,
Perde sua bela pétala que o veio descora.

E a pétala bóia no pranto dessa corrente
Que a tal rosa, ao luar, chorando enflora.

domingo, 19 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012