quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Viceversa


Tem dois lados o cérebro humano
Cada um com sua particular feição
Diferenças múltiplas até no arcano
O que pra um é sim, pra outro é não

O lado esquerdo aposta na direita
Então o outro ao contrário registra
Pois um ao outro sempre espreita
Um na destra e o outro na sinistra

Portanto não os julguemos em vão
Pois cada um ajusta à sua maneira
O jeito certo de contrapor oposição

E lá se vão carregando a bandeira
Como se fosse suprema obrigação
Mas, sabem, é apenas brincadeira.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mudar

Mesmo que esteja perfeito este lugar       
Apenas um pouco monótono talvez
Segue-se a vera vontade de mudar
Meio que contraria alguma sensatez.

Uma urgência de pelo mundo vagar
Dá ao nômade a sensação de fluidez
Aqui, além, muito longe, até ultramar
Rodar todo tempo, todo ano ou mês.

Porém, não cria limo pedra que rola
Resistir à mudança, vale a pena sim
Aquele que fica, bem a vida controla.

Que mudanças não sejam mero fim
Uma vez que, mudar somente isola
E o que é bom pode tornar-se ruim.
?

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Aqui em Floripa

Pois é, o sonhar sempre será de graça,
O que fazemos cada dia de nossa vida.
Realidade será aquilo que nunca passa,
Que sabemos certamente será cumprida.

Uma juventude sem sonho, uma trapaça
Ela dá a sensação de existência perdida
Até porque nesta idade o sonho grassa
Felicidade é sonho sem uma despedida.

Imagine-se na ilha de Floripa porque não?
Lidando com certeza de bom acolhimento
Aqui você poderia destravar seu coração
Ainda quando magoado por funesto evento.

Nada de ruim, certamente, há neste rincão
Deite-se na areia, sinta este sol, este vento
Apenas aproveite, se assim fizer questão.

sábado, 30 de julho de 2016

A rosa e o orvalho

E, por breve momento, o orvalho cintila
Na ponta da pétala, desequilibrado
Então num átimo sua vontade oscila
Entre brilho efêmero e cair no gramado.

A rosa fascinada, mesmo que tranquila
Àquele broche tão logo foi dispensado
Substitui pelo que o segue naquela fila
Que pra brilho também é vocacionado.

Contudo, há paixão entre a rosa e orvalho
Entre o brilho da gota e o colorido dela
Infelizmente, entre eles não há atalho.

Porque a rosa coquete não é Cinderela
Permanece firme no seu sólido galho
Enquanto pobre orvalho no chão se estatela.

Elas e eles

Mas como dois gêneros de mesma raça
Unidos pra sempre por afinidade e amor
Longe estão que definitiva união se faça
Homem e mulher estando a se contrapor?

Eles, na verdade, têm coesão escassa
Reduzem somente a no sexo se compor
Como a beber e degustar a mesma taça
Onde nada mais interessa seja onde for.

Mas como não existe o almoço de graça
Há, muitas vezes, entre eles um candor
O que os une de mãos dadas na praça.

Mesmo que exista na relação certo calor
Em dado momento esse dito calor passa
Morre sentimento e permanece só a dor.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A Francisco


(A meu amigo, Francisco José)

Algum belo dia durante sua juventude
Foi Hipócrates que o chamou ao mister
Rápido, estudante ainda, tomou atitude
Assumiu que medicina é o que ele quer.

Nada existirá que a vontade não mude
Coerente está disposto ao que der e vier
Inspira-lhe curar paciente como virtude
Seja apenas humano, homem ou mulher.

Contudo o que quaisquer gêneros têm?
O que os une se eles naturalmente são
Justamente órgão que vivo os mantém?

O Francisco até não pensou muito, não
Sabia o que estudar e que seria também
É hoje cardiologista, médico do coração.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Vida longa, Marlon!

Mas porque o gari constrangido estava,
Apenas por ouvir o seu nome chamado?
Realmente sem saber o que se passava
Logrei aproximar-me e ficar ao seu lado.

O que o tornou uma pessoa meio brava
No entanto sobre seu nome ficava calado:
Brando seguia Marlon e ele não gostava
Reverter queria nome que lhe fora dado.

Assim anelava ter um nome tupiniquim
Nada desse estrangeirismo tão babaca
Daria seu braço por um nome chinfrim.

Ora, serviria até nome de meia pataca
Conquanto não mais manguem de mim!
Álacre, Marlon Brando seu nome ataca.