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terça-feira, 23 de outubro de 2018

O incognicível

Harmoniosamente na amplidão do espaço,
onde nenhum humano jamais deixou traço;
movimenta-se o chamado planeta Terra,
numa órbita quase circular que nunca erra.

Nas profundezas deste tenebroso breu.
onde até mesmo a luz ao longe se perdeu;
desaparece distinção entre mal e virtude,
e nada indica que este paradigma mude.

Embora pareça oco, o espaço é cheio,
bilhões de astros giram naquele meio,
uns pedras menores, outros rochas robustas.

Numa roda viva, cada um as suas custas,
existe de tudo, desde gelo até chamas,
contudo, todos eivados de sombrios dramas.

sábado, 8 de setembro de 2018

Crepúsculo

Cores invadem a translúcida atmosfera,
subvertendo a calmaria daquela hora,
exaltando o brilho da nuvem que evapora,
então o coração do enamorado acelera.

Existe certo conluio entre a fauna e a flora,
cujo resultado, parece, não se espera;
é a conjugação que faz o verde e a fera,
porém, no horizonte o fulgor não demora.

Esse crepúsculo de natureza rara,
se faz acompanhar de silvos e gritos,
de pios e sussurros que trazem ternura.

Que só quando a noite se veste seu véu, pára,
e nada demonstra este crepúsculo contrito,
o qual prenuncia uma noite bem escura.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Chegada da noite



Pois, astro rei lentamente adormece o dia,
então, trevas substituem o sol prostrado;
num processo tanto lento como calado,
e perde colorido toda a serrania.

Agora é a vez duma atmosfera sombria,
a qual adormece qualquer risada ou brado;
daí, o que parecia leve, está pesado,
enquanto o sol atrás dos montes alumia.

À frente nada se enxerga da velha senda,
que serpenteia pontiagudas montanhas,
tornando uma possível subida, horrenda.

Na escuridão as coisas se tornam estranhas,
ambiente propício de mitos e lendas,
com estórias horríveis de feias aranhas.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Escuridão

A luz solar não penetra nessas entranhas,
não lhe apetece ver certas coisas estranhas;
de modo que ali impera negra escuridão,
impedindo de vermos como as coisas são.

O vale encontra-se escondido pela neblina,
então os sons propagam-se pouco, em surdina;
é algum mistério que aquele esconso traduz,
onde não é bem vinda a claridade da luz.

E nunca desnuda-se a envoltura de véus,
que impedem enxergarmos nesgas dos céus,
porquanto vamos errando pelo caminho.

De alma atribulada, corpo andando sozinho,
apenas me arrasto, muito, muito cansado,
donde sequer consigo enxergar o prado.

sábado, 23 de junho de 2018

Insanidade

Mistério! no esconso onde os sonhos são reais,
lugar em que circunstâncias são muito vagas;
há que ter em mente situações abismais,
que nos ameaçam como fossem adagas.

Há mistério, onde até a solidão se sepulta,
e a fímbria do universo não está mui além;
envolta em volutas do tempo esta se oculta,
porquanto dorme um sono eterno ali também.

Ninguém ali vive, na beira do penhasco,
tremendo de pavor daquela escuridão,
grandes medos servidos em pequeno frasco.

a névoa, o terror, verdadeira escrotidão,
como estar frente a frente com carrasco,
que ao pedido de perdão diz somente não.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Elfos e quimeras

Pois o vate não busca a claridade
Onde esta lhe aparece de graça
Prefere uma escuridão que passa
E vai criando sua própria verdade.

Então, no escuro, pela cidade
Ele quebra da noite sua couraça
Naquele momento que os versos traça
Com bastante talento e humildade.

Tira rimas da dor escrusciante
E versos lhe vêm a qualquer instante
Através de rimas ricas e austeras.

Enquanto sente o poeta insiste
Compondo poema alegre ou triste
Habitado por elfos e quimeras.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Noturno

Noite, filha do mesmo pai mas, do sol rival
Também, guardiã do atro, e oposta a luz do dia,
Então tu nascestes do astro-rei em agonia,
Mas findará quando este voltar, afinal.

Ao menos, escondes tanto o bom como o mau,
Tal como obstando tudo com sua magia
Enquanto a luz, este Planeta desvaria,
Noite que acorda o noctívago bacurau.

Entretanto, tu vais adormecer também
Como deste negror estivesses cansada
E vais saindo, enquanto novo dia vem.

Daí desaparece como fosses um nada
Dormindo tão somente de dia, porém
Pois permaneceu desperta de madrugada.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Noite, apenas


A noite murmura aos vates apenas
Mas ela sabe exatamente o que diz
Os poetas estendem suas antenas
Atentos e particularmente infantis.

Para gente comum a noite é muda
São indecifráveis as suas palavras
Contudo nenhum ouvinte se iluda
Belíssimos colóquios a noite lavra.

E nela os vaga lumes estrelas são
Porquanto aquelas no céu distante
Só fazem com a lua uma conexão.

Diz o vate que noite é dos amantes
Para os quais mais vale a escuridão
Então que ela seja menos brilhante.

sábado, 20 de junho de 2015

Noturno


Recolheu-se o sol para sua casa
Tornando o dia tênue, moribundo
Então veio noite de negrura rasa
Na sombra escondendo o mundo.

No entanto algo no imo me abrasa,
Algo que com iluminação confundo
Uma fulgente luz que de mim vasa,
Experimento especial tão profundo.

Será meramente um oculto desejo,
Recalcado pelos instintos animais
Que com olho da alma sinto e vejo?

Ou o negror me faz enxergar mais
Dando-me poderes, ou até traquejo
Que à luz da lua semelham portais.