segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lambança

E nunca duvidem do bom gosto do vate
Esse mesmo que tece loas ao bombom
Ele gosta ao natural e com chocolate
Porquanto muito bem sabe ele o que é bom.

Se você notar no bardo quilos a mais
Saiba que provêm dalgum ótimo motivo
Bem longe de quaisquer lipídios virtuais
O lambe-lambe é que o mantém redivivo.

Não interessa que por causa do diabetes
Nos proíbam a comilança de lasanha
E o doce das tortas o médico nos vete.

Pois, quando certo chocolate nos assanha
Nos comportamos como famintos pivetes
Nós lambemos do pescoço até a aranha.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Pósteros

Para nós, apenas sombra, o passado
Pretensiosos, nos vemos demais
No futuro o hoje será julgado
Por aqueles nossos ditos iguais.

Aí, aos olhos deles, noutra dimensão
Reflexos de nossos enormes feitos
Como objetos de sua reflexão
Onde rir-se-ão desses nossos jeitos.

Motu continuum: julgado será
Porque somos peças da engrenagem
E relativamos o que existe acolá.

Devemos zelar pela nossa imagem?
Não! essa expectativa que não há
Pois pósteros também farão bobagem.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Nada

E não serei poeta de um mundo caduco
Tampouco versarei sobre beleza e luz
Sou escravo desta realidade, sou eunuco
Que a azulada cor do mar não me seduz.

Então, veremos que este Planeta é grande
E o vate com sua ecumênica visão
Traz o futuro ao presente porém o expande
De modo que o transcendental é ilusão.

Eu, então não serei cantor de letras mortas
Nada contribuirei para qualquer história
Entretanto, escreverei pelas linhas tortas.

Mas, em tudo que farei não haverá glória
Porque aquilo que o poeta faz, nada importa
Quando obra, a posteriori se torna escória.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vivendo

Aqui, eu, cansado, no ocaso da vida
Caminhando, percorri meio mundo
Subi montanhas e desci mais fundo
Carrego tristeza, cicatrizes e feridas

Nem sequer sei se bastante aprendi
Nesta escola-mundo que percorro
Porque nada veio em meu socorro
E nem lembro daquilo tudo que vi

Também não sei se sempre fui assim
E se como era, esqueci, ai de mim
Agora no horizonte vejo meu porto

Esperando-me pra ancoragem final
Que tudo que começa acaba, afinal
Porque daqui a pouco estarei morto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Voltei 04/16

Resta que, por boa que a viagem que esteja
Estando longe de casa surge certa saudade
Têm-se pois que enfrentar volta numa peleja
O cansaço dum longo voo sem comodidade.

Retorna-se a esse Patropi tumultuado, enfim
Não sendo possível evitar óbvia comparação
O poder público da Austrália não é trampolim
Austeridade é seu lema e trabalho de montão.

Os impostos, que são bem menores que aqui
Bastam para uma ótima prestação de serviço
Real é a excelente qualidade de vida a qual vi
Autoridade com sociedade tem compromisso.

Se um dia o Brasil quiser tomar jeito, percebi
Imite os australianos ser permanecer omisso
Luta e trabalho sério tornarão ótimo o Patropi.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Que calor!

Atrás das montanhas o sol em chamas ardendo
Alva que precede nascimento do dia
Talvez antecipando solama bravia
 Ou rápido vislumbre de verão tremendo.

O fato é que o sol, muito calor preludia
Pois então, exatamente assim acaba sendo
Dia canicular de extra calor horrendo
Que no fim, agoniza a própria agonia.

Numa jornada que até o frio é quente
Onde, tal como sorvete, derrete a gente
Ao relento, ou abrigado sob grossos véus

Calor que, do coração força, o palpitar
Numa condição claramente irregular
Que faz o crente, temente, clamar aos céus.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fifis fofoqueiras

Elas, sem saber onde a lira toca
Num vil trabalho de leva e traz
Doam sua vida por uma fofoca
Porque abelhudice as satisfaz

Não existe assunto ou intimidade
Que sejam por demais privados
E fiquem isentos da curiosidade
Ou de serem aos ventos levados

Fifis devem ocultar seu passado
Como fosse impoluto, comezinho
Pois aqueles que estão a seu lado

Jamais conhecerão seu caminho
Pois sendo de vidro seu telhado
Teme demais a pedra do vizinho.