domingo, 12 de março de 2017

Onirismo peripatético

Peripatético, sonho e vou caminhando
Onde tudo é ilusão, não há referências,
Existem certas formas, mas não as essências,
E as ideias, como aves, revoam em bando.

Continuo meu caminho não sei até quando
Talvez a mais profícua das experiências
Delineando outras espécies de vivências
Indescritíveis, nos vastos espaços pairando.

Ególatra, não há lugar para os demais
Não existe espaço para reclamos e ais
E não se escuta nenhum lamento ou gemido.

Contudo, não me destrambelho cegamente
Tampouco ignoro toda aquela cega gente
Que não sonhando, só deseja o consentido.

sábado, 11 de março de 2017

Inquietante noite

Oh! noite, não és amiga, e te levo a sério
E tenho te perguntado sobre as razões
Porquanto carregas em teu ventre, mistério
Pleno dos incognoscíveis entre senões.

Detestas o sol entre túmulos secretos
Tornando impenitentes nossas frágeis almas
Mais então, homens pecadores inquietos.
E poor que tu nos desespera e não acalma?

Porém, quero contigo estabelecer pacto:
Mantenha essa tua arrogância e postura
E permita meu sono profundo e intacto.

Porquanto não desejo passar pela agrura
De sofrer um possível pesadelo abstracto
Num cruel evento, repleto de amargura.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Arrogância é mortal


Oh! Árvores, águas, rochas e bichos
Que por desespero clamam em coro
Todos vítimas, roubaram seus nichos
Então mais que justificado seu choro

O Homo sapiens, a natureza subverte
Egoísta, no centro do universo se põe
Julga à volta, todo um universo inerte
De quais elementos só homem dispõe.

Mostra o espírito pobre de alma infeliz
Que do entorno não tem consciência
Parece: o mais importante é o que diz.

Mal sabe este asno, que sua ausência
Com a civilidade de superficial verniz
Para o Planeta seria feliz coincidência.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Homem, virus do Planeta

Ouço das árvores e dos animais, as vozes
Que desejam que saibamos suas agruras
Nada de lamentações nem gritos atrozes
Apenas tristes visões de suas vidas futuras.

Árvores milenares que vivem nas florestas
Percebem destruição que impõe o homem
Como a perpetuar falsas alegrias e festas
O machado e serra atuam e matas somem.

Extermínio do ambiente e próprios animais
Faz deste Planeta mais feio futuro deserto
O Homo sapiens desrespeita os não iguais.

Por arrogância e cegueira diz estar certo
Mas por egolatrismo ele quer sempre mais
Do Planeta construindo futuro bem incerto.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ninguém a quer, porém...

Muitos dos que conheci e gostei onde estão?
Mortos! como arrastados por um furacão
A morte acusa, julgando, condena e prende
Universal e inclemente, não se arrepende.

Seus tentáculos envolvem como prisão
Na eternidade, sem dó, sem compaixão
Pra uns avisa, à maioria surpreende
Então a humanidade toda a ela se rende.

Porém, ao levar os meus amigos me assusta
Muito desespera, sei que está de olho em mim
Porque, para ela, encontrar-me nada lhe custa.

Portanto sei que me vou, como um dia vim
Mesmo sendo essa triste ceifadeira injusta
Pois que, não dá início, porém promove o fim.

terça-feira, 7 de março de 2017

O Mar à minha porta

O poderoso mar é grandeza, é fúria
De coerência assaz transcendental
Apesar de que o faz nunca por mal
Nem sequer por vontade ou luxúria.

Se seu comportamento causa injúria
No homem, bicho, continente ou nau
Há que entender sua rixa com litoral
É briga perpétua, de origem espúria.

Porquanto é inelutável o mar/oceano
Sequer se pode transigir de sua luta
E por mais que nos pareça inumano
Ele só um pouco do mundo desfruta

Porque certamente nunca foi leviano
É ente sem o qual a terra seria enxuta.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Inelutável destino

Morte: está escrito, todos vêm a mim
Portanto, não há nada que se faça
Tentar se ocultar, driblar é pirraça
Tampouco vale gastar seu latim.

Os seres caem no meu colo, enfim
Onde afunda a arrogância e a graça
e meu poder se estende a qualquer raça
Deixando claro qual vai ser seu fim.

De nada valendo esquivar-se então
Nunca me importa quem eu desagrado
E se alguns vão lamentar e outros não.

Minha missão: arrebanhar como gado
Fauna, flora, gente grada e até povão
E todo mundo volta ao pó degradado.