segunda-feira, 3 de abril de 2017

O homo é viável?

Reage à ofensa, a natureza maculada
Enchente, seca, ou poderoso furacão
Ao escroto Homo sapiens ela diz não
Tentando deletá-lo por tanta cagada.

Este sacana, de maneira escancarada
Sabe-se predador de si próprio em ação
Envolvendo o belo planeta em destruição
De um jeito que, no futuro restará nada.

Ele diz: neste planetinha eu sou supremo
Portanto meu poder é assaz universal
Extermino tudo, destruo e sequer tremo.

Porquanto, tenho toda noção que sou o tal
Pois então, sumo desta velha Terra espremo
E aquele que estiver na frente vai pro pau!

domingo, 2 de abril de 2017

Um dia a casa cai

A ação do homem é deletéria é ruína
Ultrapassa o planeta e permeia o universo
Todo o cosmos poderá se tornar imerso
Numa espessada, fatal e álgida neblina.

Então não mais as florestas onde a ave trina
Nem mais onde o poeta comporá seu verso
O que a natureza fez estará disperso
Como fora uma vil e indubitável sina.

E quem deterá a criatura monstruosa
Cuja destruição até ao espaço se estende
E que por arrogância jamais se rende?

Talvez o próprio crie misterioso poder
Com o qual, sem o energúmeno perceber
Destrua ele mesmo que a tudo ofende.

sábado, 1 de abril de 2017

Puro estresse

Esta vida moderna é feita de incerteza
Pois nunca nos dá trégua uma grande cidade
A qual acresce o dia com certa ansiedade
Oriunda do estresse e da rude aspereza.

Cadê tempo para apreciar a beleza?
Pra vivenciar o melhor da mocidade
E transpor existência com suavidade?
Pois tudo que existe é contrário a natureza.

Na busca do porquê esta gente tudo atura
Onde sobra violência e falta ternura
Perde-se o verdadeiro sentido da paz.

Oh, sociedade funesta e desesperada!
Que corre na busca de tudo e encontra nada
Será que se olvidou de como é que se faz?

quinta-feira, 30 de março de 2017

A Noite


Então, divagam na noite meus pensamentos
Despejam o acúmulo que se fez no dia
Pois livram-se duma cotidiana agonia,
Para jamais se tornarem reais tormentos.

Se as terríveis dores, as levassem os ventos
A paz perfeita a humanidade veria
Livrando-nos duma escravidão da enxovia
E construindo-se a vida com incrementos.

Varrendo tudo minha mente se adormeço
Enquanto não tenho que pagar nenhum preço
Pois que zera meus dilemas e some o estresse.

E mesmo, as dores deste mundo não me vêm
E quando amanhecer estará tudo bem
Oh noite! Teu aconchego, sempre boa messe!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Talvez

Não existe almoço grátis, tudo possui custo
E não há dia que dádiva não se encontre
Mas de graça, só por do sol no horizonte
Ou ruína de coisa queimada, mero adusto.

Quando lhe é apresentado preço, cadê susto?
Ainda que numerário certo não conte
Neste caso, busca-se porém outra fonte
Nesta vida sempre existirá o preço justo.

Mas até certa gratuidade singular
E que jamais em nosso bolso vai pesar
Será evento da natureza tão somente.

E surpreenderá quando menos se espera
Talvez surgindo raramente em cada era
Benvinda, e agraciando até bichos e gente.

terça-feira, 28 de março de 2017

Vernáculo vivo vence. Viva!

Oh! Vernáculo, ainda serves toda gente
Tu és base da ciência e da filosofia
Então consegues sobreviver facilmente
Apesar da internet e sua tirania.

E manténs tua força porque tu és ingente
Mas, a web os navegadores inebria
És velha na forma, e permaneces presente
Render-se à degradação é pura ironia.

Não vais sumir, erigiu nosso pensamento
Admitir que sejas substituído é tormento
Praqueles que te construíram e o mantém.

Gramática da web é meretriz devassa
Que qualquer analfabeto marginal traça
E não vamos viver sem a crase também! 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Sonho?

Sonho utópico, sonho de épicas visões
Criado pelos meandros dos pensamentos
O qual recusa ser levado pelos ventos
Pelos tufões, terremotos e turbilhões.

Então sonho de indagamento e de senões
Donde nunca brotam agruras dos lamentos
Nem trafega por esconsos ares nevoentos
Porém são bem distinguíveis suas feições.

Enxergo portando, um retrato de minha alma
Que tem o vezo de revelar-se e tudo acalma
E deste corpóreo invólucro se desprende.

E creio que essas minhas internas vozes
Me sejam umas carrascas mais atrozes
Consciência travestida de óbvio duende.