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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

À luz do sol de raios fúlgidos

Uma tênue esperança que aqui existia
Moeda de troca que anunciava o futuro
Agora corroída pelo deboche/algaravia
Nada mais resta daquele porto seguro.

Ontem sorrisos, pois esperanças havia
Inclusive dissipava-se medonho escuro
Tudo, como Mariana, virou pornografia
E o vale que era Doce, tornou monturo.

E aquele molusco que era um proletário
Saiu-se muito bem nesta sua existência
Confundindo seguidores, já é milionário.

Um sol com seus raios de benemerência
Refulge somente em Brasília, seu otário
Aqui no mundo real, pobreza e violência.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Escorre a lama

Por incúria e descaso da milionária Vale
A lama que atinge ribeirinhos em partilha,
Exigindo que neste país ninguém se cale,
Concorre com a lama que flui de Brasília.

No Parlamento não há quem não regale
Até apaniguado humilde, se puder, pilha
E o Planalto, à súcia de ladrões equivale
Executivo? mais parece uma camarilha.

E a lama mortífera impunemente escorre
O responsável? Ninguém sabe e não viu
Pela verdade, neste país ninguém morre.

Todos preocupados com o bem do Brasil
O povo, de abastança tomando um porre
Quem reclamar que vá a puta que o pariu.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tudo é lama

De Brasília à Mariana, mortal lama pura
Vale e governo, de bom, nenhum gesto
Conluiados da impunidade na tessitura
Atos libidinosos, num autêntico incesto.

Não sou Diógenes, não ando à procura
Sequer saio às ruas em formal protesto
Acho-me acometido de mal que perdura
Pois eu tenho vergonha de ser honesto.

Roubalheira nesta República, é cultura
O Parlamento de meliantes está infesto
Rouba, então programa pilhagem futura
Num ritual espontâneo e também lesto.

E o povo? ora essa plebe é cavalgadura
Fica sempre a mercê do larápio funesto.

domingo, 29 de novembro de 2015

A quadrilha

Cadê o Doce vale que estava aqui
Onde gente tão humilde vivia feliz?
Que agora procurando não mais vi
Sobre o que a Vale cala, nada diz?

Cadê a floresta onde voeja o colibri
Que, parece, arrancada foi pela raiz
Lama grudenta descendo em frenesi
Da vila que encontrou fez o que quis.

No país da impunidade escorre lama
E outros problemas enervam Brasília
Salvar seu mandato poder proclama.

Nada importa àquele que mais pilha
Se o flagelado está comendo grama
Ele está confortável com a quadrilha.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A lama


Corre pro mar a lama avermelhada
Da displicência e descaso oriunda
Cara de paisagem, a Vale diz nada
Os pobres do vale tomam na bunda.

Até quando essa gente humilhada
Continua atolada nessa barafunda?
Poder público, tremenda cambada,
Nesse atoleiro diz que não afunda.

Rio Doce com aves e peixes morre
Não se dá bola para os ribeirinhos
Enquanto a lama pelo leito escorre.

Quando houver brio um pouquinho
A Vale sai da inércia, vai e socorre
Prá quem acredita no bom velhinho!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

De que vale a Vale?

(Ao jeito de Ruy Barbosa)

De tanto ver o vetusto verde vencido
Pela ganância dessa ignóbil criatura,
De tal porte que além não mais dura
Na árida mata já sem algum sentido;

Quando mais a Vale é ente bandido
Dum tipo que só vantagem procura
Numa ausência total de compostura,
As florestas e rios perdem colorido.

Nos vemos vítimas dessa vil dança,
Adiante, do rio Doce uma morte rude,
E um futuro destituído de esperança;

De tanto aguentar a criminosa atitude,
Que leva uns a nadar na abastança:
O decente sente vergonha da virtude.