segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Morte

A inescapável morte, esse tremendo evento
Um sonho crudelíssimo, assim nos parece
Ainda que ninguém veja nela, benesse
Alcança a humanidade cento por cento.

E talvez alguma reflexão aqui coubesse
Um meio de desviar nosso pensamento
Que ela venha de muito longe em passo lento
Chegando bem suave, sem causar estresse.

E, quando chegar, não cause nenhum tumulto
Pois bata com suavidade à nossa porta,
Sem alguma maldade ou preconceito oculto.

Haja ela com naturalidade bem aberta
E não nos cause transtorno nem insulto,
Nos convencendo que é esta a coisa certa.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

...e deus criou a mulher


Beicinho sensual, curvas voluptuosas
Rainha inconteste de charme e beleza
Influenciou nossa geração sem glosas
Grã representante da mulher francesa.

Insisto, Bardot era única, era pioneira
Trouxe ela à tela grande seu nu frontal
Testículos ouriçou, queira ou não queira
Em cada homem, um fã incondicional.

Bardot querida, já tua figura jus não faz
Aquele monumento erótico que tu eras
Refinada sensualidade que nos apraz.

Deliciosa fruta proibida de outras eras
Onde havia certo recato se fosse capaz.
Tu trouxeste ao mundo as nossas feras.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eis-me


Caricatura produziida por Cícero


Cabelos escuros e magro, velho quase
Ereto apesar da idade, médio na altura
Sisudo e observador, e indistinta figura,
Amante das palavras, fazedor de frases.

O beletrista, que nunca desprezou a crase
Cultor do vernáculo da linguagem pura,
Autodidata, enxerga na escrita, cultura,
E não crê que a necedade, algo bom embase.

Indagativo, tranquilo e bastante cético
As vezes profundo, sempre tão curioso
Pensa que pensa, sabe-se peripatético.

Eis-me desprendido, tímido, bondoso
Comunicador sofrível, falto e sincrético
Entretanto, ouvinte mais que atencioso.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Essa tal noite

Noite atra a morte anunciar costuma,
Pela sua escuridão me surpreende
Velando luzes do dia uma a uma
Quando brilho das estrelas acende.

Negror, tal moradia de duende
Então perfeita, antes que afinal suma
Some se a tal claridade se estende
Escondendo-se bem além da bruma.

Porém a noite é simplesmente amiga
Mistérios do dia que outros intriga
Envolve no seu manto e bem e o mal

Cobrindo agruras dos homens com véu
Impedindo que se desvende o céu
Que é o mistério mais obscuro afinal.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Migração interna

Quando o caipira deixa o campo amado
Desfaz as raízes e a antecedência,
Optando por cidade e a violência,
Se torna um retirante deslocado.

Antes camponês e agora um coitado
Deixou no pasto da vaca, a inocência!
Dessa vida servil, não tem ciência
No meio do rebanho, é simples gado.

Na lida do campo, sinceridade
A urbe, estranha maldade encobre
É donde se vê o cinismo e a inverdade.

E não há virtude que não soçobre
Há culto da riqueza e da vaidade
Ricos só vivem a custa do pobre.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A saga do Molusco



Arrogante, o Molusco se acha soberano
E ignorância dos adeptos mantém acesa
Com discurso pilantra, pleno de esperteza
Bem astuto, contra a justiça articula plano.

No afano, “não sei de nada”, sua torpeza
Político sagaz, alterna roubo e engano
Dizendo-se honesto, tal um ladrão insano
Porém bem atento à justiça portuguesa.

Orgulha-se de sua gestão inclusiva
Pois que, realizou desejos da pobreza
Porém, a par disso, ele e sua comitiva
Locupletam-se em mordomias da riqueza.

O Molusco baba pela elite lasciva
E nem tríplex sabe dizer, o língua presa.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Fim dos tempos


Veja a mata, a pouca mata que resta
Lá piavam aves e um rio corria
Nesse ambiente alguma cotovia
Tinha morada no antro da floresta.

Pavor do desmate se manifesta
Num leito seco onde rego havia
Em nada lembra a antiga alegria
Quando fauna e flora faziam festa.

Digo: a humanidade tem solução?
Homo sapiens, Midas ao contrário
Transforma em caca tudo que põe a mão.

Ao invés de criar, desmonta o cenário
E a linda natureza ele diz não
Age como um semideus arbitrário.