domingo, 5 de março de 2017

Ad infinitum

Se hoje sou ser vivo, nem sempre fui assim
Nos esconsos da história fui chão, fui galho
Porque na evolução não há espaço pra atalho
Onde vence o adaptado e é vencido o ruim.

E, talvez, me vi como estrume ou até jasmim
Até mesmo água que corre, ou gota de orvalho
Com certeza, não carta fora do baralho
Pra evoluir há outros meios pra único fim.

Adaptar-se ao meio ambiente sempre a norma
Pois na roda da história tudo se transforma
E os seres vivos chegam onde hoje estão.

Foi assim que determinou a sábia natureza
Que funciona normalmente, tenho certeza
Pois testemunhas e atores da evolução.

sábado, 4 de março de 2017

Sobre moluscos


Gosto de moluscos pois são seres versáteis
Menos, quando a lide política lhes calha
Não têm muito cérebro, são do tipo táteis
Mas, seguindo o caminho, tornam-se canalhas

Há bichos lisos: calamar, ostra e escargô
Mas há bicho barbudo, para nosso espanto
Que habita cidade ou palácio no platô
E, como Paulo Maluf, rouba tanto quanto.

Esse animal se diz honesto, como escudo:
“Eu não tenho apartamento no Guarujá!”
“Porém sei, como líder, que consigo tudo”

“E homem honesto igual eu, sei que não há
“Sou o mais probo molusco, tal asno barbudo”
“E o petê que não deixa ninguém me pegá!”

sexta-feira, 3 de março de 2017

Caminhos...

Já não sei quais caminhos, são tantos
Caminhos esconsos e tortos, percorri
Desde quando fatalmente me vejo aqui
Nesta terra de sorriso, dores e prantos.

Contudo não são só vieses, há encantos
E transcende demais, o por do sol em si
Olhando e imaginando coisas que não vi
São tantas as lindezas em tais espantos.

Porém há que se participar do existente
Não há sequer chance de não ser assim
Tudo está ali, basta crer, sem um crente.

Porquanto à existência, há de dizer sim
Acreditar que a natureza nunca mente
E em consequência seguirá até seu fim.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Existe morte?

Eis-me como me apresento aqui, estou morto,
Totalmente inerte sem nenhum mísero alento
Pior que imundo e putrefato corpo macilento,
Até impossível de afirmar se fui direito ou torto,

Se espírito existia provavelmente está absorto
E com ele morreu a alma e meu pensamento:
De maneira que não há nem júbilo ou tormento
E este cadáver encontrou finalmente seu porto.

Como não existe vida não há tristeza ou alegria
Tudo naturalmente igual, seja noite ou seja dia
Mas não de todo mau, aqui existe tranquilidade.

Mas será que morte é apenas ausência de vida
Elo de certa sequência a qual deve ser seguida?
Ou é uma entidade estranha que o corpo invade.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Homo stultus

O riacho, à terra por onde ele em paz corria,
Balbuciava murmúrios de águas tranquilas:
A relva por aquela umidade mostrava alegria
Pois saudável era a vida nos campos e vilas.

O vivo equilíbrio natural no campo grassava.
Mas isso até que homem ali viesse, contudo
A relva desapareceu e o riacho ficou mudo
Como se um vulcão tivesse soltado sua lava.

Com certeza ali se percebia algo muito ruim
Terra arrasada por energúmeno bem brutal,
Que arrogante fazia questão: eu sou assim

Eu sou o sal da terra, acho tudo isso natural
Tenho tudo que quero, nada depois de mim
Da natureza sou um devastador muito mau.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Sonhando

Nos diz algo, às vezes, nosso sonho
E o faz por parábolas, a sua maneira
Nenhuma seta apontando ou certeira
Porém com alguma sutileza, suponho.

Conquanto o que é deveras relevante,
E que deve-se sempre levar em conta
É que propostas que um sonho monta
Não nos mostra como seguir adiante.

Eu pergunto: sonho é apenas utopia?
Uma maneira de transpor a realidade,
Algo que desaparece ao raiar do dia?

Sonho é um desejo oculto, na verdade
E alguma coisa que se não fosse seria
Mesmo de acordo com nossa vontade.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Do alto da arrogância do poder

É natural sonhar que estou numa ilha,
Onde as coisas estão sob meu talante
Sou rei, dono, aquele criador brilhante
Que manda e sobretudo mantém vigília.

Esse pedaço de sonho é como Brasília
Grande e ineficaz como o alvo elefante
Sem olhar em torno, então sigo adiante
Enquanto a politicagem este povo pilha.

Enquanto eu cego numa torre de marfim
Não consigo ver que está ali perto o fim
E tudo que é sólido se desmancha no ar.

Meu mal que tão nefasto se faz ao país
É conter falso brilho de superficial verniz
E esquecer que rapina o povo vai pagar.