segunda-feira, 10 de abril de 2017

Maquiavel


Sim, é inescapável, o poder é solitário
Que por muito poderoso e endurecido
Um qualquer detentor perde-o se distraído
Porquanto o preço de exercê-lo é calvário.

Tirano, ditador, ou chefe mandatário
Nunca deve influenciar-se por alarido
O maquiavélico chefão é destemido
Comportando-se tal um bastardo corsário.

Por definição o tirano está sempre certo
Pois então será sempre avesso às mudanças
E do rebanho submisso estará por perto.

Contudo, é amarguento o poder absoluto
Comprovam-no os genocídios e as matanças
Os quais de Hitleres e Stálins são produto.

domingo, 9 de abril de 2017

O energúmeno

A natureza fala e um timorato escuta
Entretanto, não o faz o homem rebelado
A mata tropical de ramagem hirsuta
É vítima da motosserra e do machado.

Pois o energúmeno homem de força bruta
Se julgando dono absoluto emancipado
Ele desmata, se achando criação astuta
Então sai contando o dinheiro arrecadado.

Homo sapiens, um bandoleiro impassível
O qual só dá valor à própria liberdade
A todo crime que faz, riso indefinível.

Porque só crê e admite a sua própria verdade
Quer seja ela pequena, quer seja terrível
Vai destruindo o mundo por banalidade.

sábado, 8 de abril de 2017

O texto manda

As vezes eu me pergunto, o que há comigo?
Desejo fazer um verso e sai quase oposto
Contudo, sai algo de acordo com o meu gosto
Então penso: já que vale o escrito, ignoro e sigo.

Quero confessar, o texto em geral é amigo
E, no discurso, parece estar bem disposto
Correto, conciso, informal, e bem composto
Então é isso aí! me sinto orgulhoso, e nem ligo.

Se por acaso é mau texto, vou deletá-lo
Sem, certamente, nenhum trauma nem abalo
Escrever é que me mantém vivo, o que amo.

E, me conformo, pois nem sempre era assim
Algumas vezes, o texto é menor, chinfrim
Isso é sina minha, porque vate me chamo.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Feliz aniversário, meu Burgo!



Ó Palmeira, era pequena, dolente e fria
Que hoje, realmente, já não mais importa
A quase vila daquela infância está morta
Que somente na minha lembrança vivia.

Porém, vendo como é à luz plácida do dia
À minha mocidade você me transporta
Então, cordialmente, abre-me sua porta
E curto esse acolhimento com alegria.

Pois cento e noventa e oito anos você festeja
Merece, com certeza, um brinde de cerveja
E não é pouco do que deste dia se espera.

Traz saudade de alguma passada atmosfera
Desejo sempre o Pão no Bafo a minha mesa
Queijo de Pescoço, também uma beleza.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Futuro possível?

Doem-me estas desesperanças das esperas
O futuro? nele enxergo só negação
Porque o visto do futuro não dá noção
Vejo invernos e outonos e nunca primaveras.

Ao invés de risos, vejo carrancas austeras.
E o esconso negror oculto na escuridão
Onde não existe o positivo e impera o não
Homens devorando semelhantes, tal feras.

Nos ares apenas ais, gemidos, lamentos
Desconhecendo do destino, seus intentos
Em tudo atinge a perfeição o tal egoísmo.

Deixaram de existir poetas e sonhadores
Não há mais luar para exaltar seus amores
À frente, visível um tenebroso abismo.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Aí vem o futuro


Minha esperança me obriga olhar adiante
Para avaliar se existe esperança à frente
Entretanto, parece, nada enxerga e sente
Que seja especialmente bom e flagrante.

Como agora, o futuro terá mal abundante
Cada humano potencial escroto demente
Cobrando o olho por olho dente por dente
Em alucinada sortida pelo mundo errante.

Como filme de ficção sem nenhuma ironia
Vivendo no mundo sinistro, absurdo, atroz
Que roubou a bondade, e deixou alma fria.

Ao perceber essa decrepitude perco a voz
Como pode um futuro sem alguma poesia?
Onde cada um, entre bilhões, estará a sós?

terça-feira, 4 de abril de 2017

Velho sim! e daí?


Velho, ancião, septuagenário ou vetusto
Os pés que se arrastam, andando inclinado
E sem nenhum esforço, sente-se cansado
Não vê futuro, mas o passado é robusto.

Viver tanto com tantas agruras, é injusto
Bem melhor se tivesse o vigor renovado
Pois é horrivel admitir que esse é seu fado
Porquanto carrega tanta velhice a custo.

Mas quando, e se fosse, interpelado a gritos
Teria uma chance de clamar aos malditos:
Eu sou velho, mas tenho bagagem imensa!

Sei desta vida e faço o quero do meu jeito,
Fedelhos, os palpites de vocês não aceito
Porque não existe obstáculo que não vença.