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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Fim dos tempos

Homem contra Planeta, batalha renhida,
mas está ganhando esta luta o celerado;
harmonia entre eles, um sonho do passado,
e que mais e mais esta sociedade olvida.

Se depender do homem, Gaia está  perdida,
porquanto degrada todo dia seu estado;
algum convívio com homem, abandonado,
cresce ameaça contra sua própria vida.

Mas, o mundo, a paciência perde algum dia,
então suas latas complacências somem,
talvez volte a chorar aquele que se ria.

No entanto, não haverá meios que tomem,
pra reverter terrível e final razia,
e a culpa do fim dos tempos será do homem.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Caminhada

Caminhante abatido, pele e osso,
parece que, com medo de morrer;
medo normal em homem tão moço,
ah! certamente não podia ser!

Magérrimo, talvez sem janta/almoço,
enquanto sua vida está a escorrer;
seu futuro mais lhe parece um fosso,
eis, que não sabe quando vai comer.

O inferno no campo da sua visão,
além, no fim desta lúgubre estrada,
seus pés sequer deixam marcas no chão.

Sente que será última caminhada,
um fim inglório sem brilho e rojão,
pois terá, enfim, chegado ao nada.

domingo, 24 de dezembro de 2017

A ceifadeira

E, mortais são todas as criaturas
Por mais que viva, cada uma morre
Está escrito, então assim decorre
Pra toda gente, em todas as culturas.

Hipócritas e, também, almas puras
Vai o sóbrio, e o carinha de porre
Sedentários, e aquele que corre
Saudável, e aquele do mal sem cura.

Morre-se como remédio faltasse
A medicina não te livra a face
Você pode ser bom, mas é mortal.

Buraco para o ateu e o piedoso
Um fim ameno ou um fim doloroso
Não importa, morte é sempre igual.

sábado, 18 de novembro de 2017

Quando eu me for

Quando eu for, favor não chorar por mim
Prefiro que guardes essa tua dor
Por certo é melhor que seja assim
E lembrar do melhor seja onde for.

Quando eu for, por favor sorria sim
Prefiro que não fiques em torpor
Somente meu corpo chegou ao fim
Os que ficam ainda podem compor.

Na cova não há beleza ou bondade
E tampouco espaço para saudade
Apenas muita paz, tão somente.

Nossa alma não tem nenhuma vontade
Só um grande silêncio a invade
E, naturalmente, ela nada sente.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Morte

Por mais que conquistemos nesta vida
Marchamos em direção à sepultura
Malcheirosa, esconsa, também escura
Recôndito de carne apodrecida.

Porém a morte será fim da lida,
Dessa existência que se fez ventura
Fornecida pra cada criatura
Numa senda medonha desmedida.

E a morte será o único evento
Completo, final e definitivo
Que não admite sequer complemento.

Ela alcança todo e qualquer ser vivo
Pois não contempla nenhum sentimento
E também não explica se tem motivo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O fim é o início


É moto contínuo o movimento social,
Cobra mordendo o rabo exatamente,
Onde termina começa, sem um final,
E, de roldão vai carregando a gente.

Não há começo e não haverá um fim
Enquanto o mundo continuar girando
Porque existência terá que ser assim
Sem um porém, um tanto, um quando.

Então vamos nessa minha gente boa
Pois quando acaba começa de novo
Aquilo que para sempre então ecoa
Causando desesperança neste povo

A essa gente a qual vou tecendo loa
Ao invés da galinha o início foi o ovo.

domingo, 6 de março de 2016

Despedida

Deixa-me tentar este verso caro
Que para o mundo o deixo claro
Mas não firmado na pedra a cinzel
Apenas rabiscos a lápis no papel

Será meu testamento, entretanto
Sem lamento, tristeza ou pranto
Dirá nas entrelinhas, no intervalo
Aquilo que por timidez nunca falo

Pois quando não mais estiver aqui
E nunca mais lembrarem de mim
Saibam que gostei de tudo que vi

E vi esse mundo tal como é assim
E a cada dia sempre mais aprendi
De tal modo que não lamento o fim.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Après les rapports sexuels, la fin

A sensualidade fluindo como um rio
As bocas que não encontram limites
Pois é primavera, a estação do cio
A qual aos amantes estende convite

Para o amor sensual e reprodução
Que num frenesi como num festival
Mostram delírios de sexo e paixão
Onde tudo vale de maneira especial

Entretanto tudo que começa termina
Com bocas emudecidas e olhar frio
Deságua naquela espécie de rotina
De amados que se ligam por um fio

De um amor que apenas se imagina
Antes de cair naquele interstício vazio.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Vida


Esta vida é um caminho só de ida
É um relâmpago na atra escuridão
É o caminhar correndo sem medida
É correr adoidado, amoque, em vão.

É ir atrás da escolha desaparecida
É encontrar beleza e até desilusão
É cansar do movimento dessa lida
É ter consciência do sim e do não.

É no duro travesseiro deitar a cabeça
É amargurar a dor até que esqueça
É ter na mente que existe o mistério

É versar cada nota, então cada passo
É perceber que o tempo será escasso
É ter ciência que no fim é o cemitério.

domingo, 7 de junho de 2015

À morte


O medo de morrer, um frio na barriga
Noite insone, temendo fria escuridão
Fantasmas, pesadelos, há quem diga
Mas morte ceifadeira não é pura ilusão.

Há, porém, aquele mortal que não liga
Pensa, ao inevitável destino, dizer não
Topar com certeza da morte não instiga
Como a exigir da morte, sua absolvição.

Mas, um dia, todos estaremos na essa
E até negadores na mesma horizontal
Que à morte compraz de matar à beça.

Porquanto somos todos mortais, afinal
E falecimento é apenas fim que começa
Preço que se paga por ter nascido mortal.