segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Saudade de Palmeira




Que mais quero, que aqueles bosques sombrios,
que tais descampados verdes e deslumbrantes;
ou que colinas transformadas em mirantes,
e florestas frescas com aves e bugios?

Pinheirais fechados, refúgios dos amantes,
vacas à sombra ruminando seus fastios;
marulhar de simples corredeiras nos rios,
e tudo exatamente como fora dantes?

Pois é a Palmeira que me visita no sono,
onde de ingênuo menino me fiz homem,
e nunca me senti rei, nem ocupei trono.

Lá não existe ouro, diamantes ou jade,
contudo, vida de qualidade lá tem,
e para mim só permanece uma saudade.

sábado, 6 de outubro de 2018

Go Back to Austrália

Volto a Austrália pra rever meus netos um dia,
país onde todas as paisagens são mais belas;
e as vidas sem complicações são tão singelas,
então, não há quem ao lá chegar não sorria.

Além disso, é um país tropical, quem diria!
muito organizado e bem longe de mazelas;
mulheres exultam com os direitos delas,
enquanto todos trabalham, não há apatia

Nação pacífica, de paisagens serenas,
queen Elizabeth ainda é sua majestade,
dizem, por uma questão de tradição apenas.

Na Austrália existe poucas grandes cidades,
sendo que a maioria são vilas pequenas,
e a Fauna é desfile de curiosidades.


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A morte um dia virá

No fim restarão aquelas almas chorosas,
que descobriram fim dos tempos de repente;
embora este, tão cantado em versos e prosas,
sempre estivesse nos nossos dias presente.

O homem sabe do fim, embora não comente,
por isso suas virtudes ditas corajosas;
que, parece, o mantém comandando o ambiente,
como a plantar um bonito jardim de rosas.

O homem, Don Quixote, de tristonha figura,
o qual caminha por aí amoque num delírio,
e goza desta vida estimulante e bela.

Vivendo, livre sem pensar na sepultura,
porque viver e morrer nunca foi martírio,
a morte porém, um homem jamais anela.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

À morte

A morte nivela, os valores despedaça,
porque ricos e pobres a um ignoto envia;
primeiro, o corpo preso sob a laje fria,
mas alma, a vagar por algum ignoto passa.

Some da percepção quando noite, ou se dia,
há certa indefinição, uma clareza escassa;
e terrível medo pela existência grassa,
numa indizível eternidade vazia.

A tal ceifadeira desmancha nosso norte,
então, empalma tudo que existir possa,
e certamente nada depende da sorte.

Escolha dalgum destino sequer é nossa,
porque a última palavra será da morte,
da qual todo ser vivo leva dura coça.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

No espaço sideral

A Terra, pequena rocha viva no espaço,
tímida, rodando num cosmos iracundo;
vai perdida naquele negror tão profundo,
onde as leis mecânicas nada deixam lasso.

Mas, vaidosa, por ser o único vivo mundo,
estende Gaia, às criações, amplo abraço;
acolhendo cada ser vivo em seu regaço,
dando a todos um acolhimento fecundo.

Planeta sóbrio de extremada solidez,
ao longe seu azul cerúleo, sincero brilha,
a causar inveja em outros astros talvez.

Vai sem nem ligar seguindo uma velha trilha,
pouco se importando com sua pequenez,
dentro de regra estrita de certa cartilha.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Criando

As vezes, tudo que sei a meus versos empresto,
e minha mente, até a gramática devasta;
e um soneto tranquilo, fluente e honesto,
tranquilamente me vejo pondo na pasta.

Registro portanto, cada vírgula ou gesto,
enquanto minha criação nunca se arrasta;
porque é desse modo que me manifesto,
e aquilo que sei fazer em geral me basta.

E da gramática minha vontade arranca,
produto de minha autoria que não vendo,
porquanto me seduz apenas o fazer.

E, afirmo, tudo feito de maneira franca,
mesmo que o resultado pareça horrendo,
garanto que essa feitura me deu prazer.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Esfinge meteorológica

Olha as alturas, este observador terreno,
e, sonhando, transforma tudo em poesia;
já que vê no céu tanto mistério e magia,
e tanta enormidade que se acha pequeno.

Mas o firmamento não lhe faz um aceno,
que seja sério, ou que seja mera ironia;
mesmo apenas simples piscadela vazia,
ou cumprimento vão, destilando veneno.

E, por vezes este céu tornando-se fúria,
na fé dos homens violentamente, bate,
borrascoso, cidades e aldeias atinge.

Como a impingir à terra suprema injúria,
em um estranho unilateral combate,
mantendo-se misterioso igual esfinge.