segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Emancipação

Benjamin

Liam

O menino procura seu próprio caminho
Vai deixando seus pais sonhadores um tanto
“Me deixem, que agora como e bebo sozinho!”
“Eu mesmo sei dosar o que degluto e quanto”.

“E não se preocupem, não vou beber vinho”
“Que tal bebida pode trazer dor e pranto”
“Comigo só suco e água, mas de canudinho!”  
“Serei um natureba saudável, por enquanto”

“Como bem estou dominando meus sentidos”
“Calma minha gente, nada de ansiedade”
“Piá que tem decisão não é foco de queixumes” 

“Pois então não vou chorar os seios perdidos”
“Emancipei-me sem qualquer publicidade”
“Ao invés de leite, só frutas, carne e legumes”.

domingo, 29 de janeiro de 2017

O Corsário



Antes, uma trilha de sucesso aplaudida
Demonstrando calma e tranquila confiança
Empreendimentos correndo a toda brida
E mais! Cada mês, um novo projeto lança.

Sua coragem nas empresas intimida
Portanto, de avançar o prócer não se cansa
Fazendo dos negócios projeto de vida
Contudo, valendo-se de alheia poupança.

Foi assim que criou um universo cor de rosa
Parecendo mais, mero castelo de areia
Talvez, resplendente miragem luminosa.

Então, mantendo mentira de taça cheia
De existência faustosa e mulher formosa,
Agora vai saber como uma prisão é feia.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Milionário e picareta



Capital e pobre, unidos em falcatrua
Numa escalada sem limite, em amplo espaço
Numa grande roubalheira indescente e crua
Ledos ladrões coligados num pacto de aço.

O erário deste país fluiu em teu regaço
Grana que conseguiu pegar já não flutua
Porque o cânon desta nação é muito lasso
E enquanto houver petê o roubo continua.

Eike, dos carros caros e mulher bonita
És rei da cocada preta não sei até quando
Mas, até ontem, estavas muito bem na fita.

Agora a peéfe, o procura, está no comando
E tua condenação no livrão foi escrita
Não só de ti, mas até do chefe do bando.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Milionário e ladrão


Imóveis e Lamborghinis de ouro recobre
Na justa medida duma enorme ambição
E suas contas bancárias o tornam nobre
Diamantes e opalas constam no brasão.

Mas, embora bem material então lhe sobre
Para seu progresso, uniu-se a certo ladrão
Aquele que era um metalúrgico e pobre
Que da justiça aguarda sua extrema-unção.

Foge, pois há certo perigo, lhe parece
Por causa de falências e tanto mal feito
Então, se crente fosse, faria uma prece.

Pois, não mais lhe é confortável o seu leito
Perdeu o sono até que perseguição cesse
Ou que, no ano que vem, o Lula seja eleito.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pensamento

É nosso pensamento um ente esquivo
E apenas não controlo como eu quero
Seja uma lucubração ou fato vero
Comporta-se como real ser vivo.

Magicidade do tal, seu atrativo
E sempre melhor do que mais espero
E tão surpreendente, mesmo sincero
As vezes tenaz, as vezes furtivo.

Não costuma blasonar. Satisfeito
Tampouco quer exercer tirania
Então jamais quer parecer estreito.

Pense como a sociedade seria
Sem cérebro lucubrando a seu jeito
Sem poder fazer tanta fantasia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

24/01 dia do Aposentado

Vagarosos meus dias vão correndo,
Ocos, indiferentes e ócio cresce
Pele flácida, cabelo embranquece
Neurônios exaustos estão morrendo.

Sei que o fim chega, pois então vou lendo
Não existe envelhecimento que cesse
Mesmo a custa de milagres ou prece
E uma existência futura não estendo.

Porém, sossego meu desejo aspira:
Quero, aposentado, viver em paz
Pois qualidade de vida é que me inspira.

Sei que ser saudável serei capaz
Enquanto isso, viver tudo me tira
Pois é assim que a senilidade o faz.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pensando

Esta tarde escorrendo por meus dedos
Enquanto, mudo, pras paredes falo
Dizendo-lhes porque calo meus medos
E porque sonhos na verdade embalo.

Frágil dentro, lá fora desafio
Pássaros vão desafiando o vento
A multidão na rua flui como rio
Então, para mim, guardo pensamento.

Derreto-me na tarde de janeiro
Esperando que passe o longo dia
Navego como trágico barqueiro.

Vendo a vida como muito não via
Caminhando triste neste sendeiro
Faço das minhas agruras, poesia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Prisão

Barras de ferro prendem a matéria
Mas pro espaço sideral voa mente
Somente o corpo sofre essa miséria
Porque o livre espírito nada sente

Pensa prender ideias o verdugo
Porém estas desconhecem correntes
E não se submetem a qualquer jugo
São libertas, de submissões ausentes.

Ideias, seres muito interessantes
Depois de nascidas nunca têm dono
Somadas que são a ideias de antes

Não procuram fama, nem sequer trono
Sejam elas pequenas ou brilhantes
E se você as tem, não perca seu sono.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Quatro anos de embuste


Eu sou milionário, portanto posso tudo
Cago pra todos, inclusive pra você
Contra especulação sobre mim tenho escudo
Porquanto a minha declaração ninguém vê.

Sou Donald Trump, misógino e topetudo
Ridículo, que só no deus dinheiro crê
Dizem que Ivana me tornou dócil cornudo
Porém, se tal aconteceu, não sei porquê,

Passo, hoje, a comandar a maior nação
América grande de novo, quero tornar
Enquanto viro as costas para este povão.

Mas agora que estou ocupando este lugar
Os pobres vão perceber como as coisas são
Cada pobre, seu médico tem que pagar.

sábado, 21 de janeiro de 2017

A Besta assumiu o trono!


Egolatria e estultice desse pretenso
O qual conduzirá seu país à dor e ao pranto
Com tal verborragia sem qualquer bom senso
Certo visual estranho sem nenhum encanto.

Vai colocar fogo no Planeta, então penso
Pelo seu discurso que a todos causa espanto
Topete alaranjado feio como imenso
Deflagra frases bobas contra sacrossanto.

Sobre o mundo, caiu como maldoso raio
E sonho de ser um líder mundial nutre
Diz: “I'am bolder eagle”, tenho suas garras!

Então deste meu patamar eu jamais caio
Também estou imune a bafio podre do abutre
E dos crimes dessas minorias bizarras!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Bosta


Fecha-se ciclo do bravo guerreiro Obama
Esse homem probo, honesto e de alma boa
Agora eleição estranha que voto atraiçoa
Que eleitorado que ganhou então reclama.

Nova era, sociopata Trump, com a coroa
Um boquirroto populista o qual inflama
Calcinará tudo a destruidora chama
Desse merda que muçulmano não perdoa.

Diz: para isolar o México farei um muro!
Porque mexicanos só nos causam injúria
Então, com eles, se deve ser muito duro!

Para os chineses mostrarei especial fúria
Reganho os dentes para oriental impuro
Se depender de mim, morrerá na penúria!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Essa tal de Alma

Nossa alma essa quase entidade tão passiva
Quando silenciosa nosso corpo habita
Certamente com seus dotes ela cativa
Uma outra alma que lhe pareça mais bonita.

Talvez numa relação um tanto o lasciva
Na qual a nossa tão preciosa alma acredita
Essa bela interação tão discreta viva
Sob nenhuma norma até agora escrita.

Então, nada disso nos deixa amargurados,
Somos veículo que carrega a alma apenas
Por menos que tal não tenhamos anelado.

Porquanto se as tais almas não são pequenas
E que nós estejamos desta vida animados
Nossas relações corpo/alma serão serenas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Nossas almas

E lembremos que as almas têm segredos
Como se esqueletos em seus armários
São pérfidos, esconsos e arbitrários
Que contraem nossas entranhas em medos.

Lembremos: as almas não são rochedos
Sucumbem aos cavilosos cenários
Frente a adversidades? sem comentários
Pasmas, seus movimentos ficam quedos.

Porquanto, esses entes transcendentais
Comunicam-se apenas com iguais
E a nós não dão nenhuma explicação.

Conduzimos as almas nessa jornada
Apesar delas não nos dizerem nada
Perguntando, a resposta será não.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O soneto

Há certa imposição no corpo do soneto
Algo que fascina, cativa e desafia
Porque essa modalidade de poesia
Aposta em modelo na forma de folheto.

As primeiras estrofes, rígidos quartetos
Uma parte integrante dessa anatomia
Não importa se de tristeza ou de alegria
Finaliza com conjuminantes tercetos.

Dentro desse notável arranjo final
Sem que lhe reste uma dúvida terminal
O tema será claramente esgotado.

Porque o soneto é estória bem contada
Despido dalguma rebarba, sem mais nada
Onde o sonetista encontra-se amarrado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lambança

E nunca duvidem do bom gosto do vate
Esse mesmo que tece loas ao bombom
Ele gosta ao natural e com chocolate
Porquanto muito bem sabe ele o que é bom.

Se você notar no bardo quilos a mais
Saiba que provêm dalgum ótimo motivo
Bem longe de quaisquer lipídios virtuais
O lambe-lambe é que o mantém redivivo.

Não interessa que por causa do diabetes
Nos proíbam a comilança de lasanha
E o doce das tortas o médico nos vete.

Pois, quando certo chocolate nos assanha
Nos comportamos como famintos pivetes
Nós lambemos do pescoço até a aranha.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Pósteros

Para nós, apenas sombra, o passado
Pretensiosos, nos vemos demais
No futuro o hoje será julgado
Por aqueles nossos ditos iguais.

Aí, aos olhos deles, noutra dimensão
Reflexos de nossos enormes feitos
Como objetos de sua reflexão
Onde rir-se-ão desses nossos jeitos.

Motu continuum: julgado será
Porque somos peças da engrenagem
E relativamos o que existe acolá.

Devemos zelar pela nossa imagem?
Não! essa expectativa que não há
Pois pósteros também farão bobagem.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Nada

E não serei poeta de um mundo caduco
Tampouco versarei sobre beleza e luz
Sou escravo desta realidade, sou eunuco
Que a azulada cor do mar não me seduz.

Então, veremos que este Planeta é grande
E o vate com sua ecumênica visão
Traz o futuro ao presente porém o expande
De modo que o transcendental é ilusão.

Eu, então não serei cantor de letras mortas
Nada contribuirei para qualquer história
Entretanto, escreverei pelas linhas tortas.

Mas, em tudo que farei não haverá glória
Porque aquilo que o poeta faz, nada importa
Quando obra, a posteriori se torna escória.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vivendo

Aqui, eu, cansado, no ocaso da vida
Caminhando, percorri meio mundo
Subi montanhas e desci mais fundo
Carrego tristeza, cicatrizes e feridas

Nem sequer sei se bastante aprendi
Nesta escola-mundo que percorro
Porque nada veio em meu socorro
E nem lembro daquilo tudo que vi

Também não sei se sempre fui assim
E se como era, esqueci, ai de mim
Agora no horizonte vejo meu porto

Esperando-me pra ancoragem final
Que tudo que começa acaba, afinal
Porque daqui a pouco estarei morto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Voltei 04/16

Resta que, por boa que a viagem que esteja
Estando longe de casa surge certa saudade
Têm-se pois que enfrentar volta numa peleja
O cansaço dum longo voo sem comodidade.

Retorna-se a esse Patropi tumultuado, enfim
Não sendo possível evitar óbvia comparação
O poder público da Austrália não é trampolim
Austeridade é seu lema e trabalho de montão.

Os impostos, que são bem menores que aqui
Bastam para uma ótima prestação de serviço
Real é a excelente qualidade de vida a qual vi
Autoridade com sociedade tem compromisso.

Se um dia o Brasil quiser tomar jeito, percebi
Imite os australianos ser permanecer omisso
Luta e trabalho sério tornarão ótimo o Patropi.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Que calor!

Atrás das montanhas o sol em chamas ardendo
Alva que precede nascimento do dia
Talvez antecipando solama bravia
 Ou rápido vislumbre de verão tremendo.

O fato é que o sol, muito calor preludia
Pois então, exatamente assim acaba sendo
Dia canicular de extra calor horrendo
Que no fim, agoniza a própria agonia.

Numa jornada que até o frio é quente
Onde, tal como sorvete, derrete a gente
Ao relento, ou abrigado sob grossos véus

Calor que, do coração força, o palpitar
Numa condição claramente irregular
Que faz o crente, temente, clamar aos céus.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fifis fofoqueiras

Elas, sem saber onde a lira toca
Num vil trabalho de leva e traz
Doam sua vida por uma fofoca
Porque abelhudice as satisfaz

Não existe assunto ou intimidade
Que sejam por demais privados
E fiquem isentos da curiosidade
Ou de serem aos ventos levados

Fifis devem ocultar seu passado
Como fosse impoluto, comezinho
Pois aqueles que estão a seu lado

Jamais conhecerão seu caminho
Pois sendo de vidro seu telhado
Teme demais a pedra do vizinho.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Sonhos na janela

Impedem que sonhos saiam, as janelas
Não deixam a realidade entrar por elas
Na verdade de nós guardiãs elas são
E permitem, do mundo, perfeita visão

Os sonhos não quebrarão a vidraça
Por onde somente a luz nos passa
Sonhos são voláteis, simplesmente
Pois apenas nosso cérebro os sente.

Fiquemos com eles bem ao nosso lado
Deixemos realidade do lado de fora
Porque sonho é um modo engraçado

De mandar as preocupações embora
Então, dizer à natureza muito obrigado,
Enquanto sonho, minha mente te namora.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Coelho da páscoa é para os fracos!

Buldogue francês Budgie da páscoa

Ou se é um coelho ou um porco, certo?
Porquinhos roncam e coelhinhos não
O que talvez deixe opções em aberto
Ronco, e ando onde os porquinhos vão

Coelho não, e menos porco encoberto
O sou buldogue francês, cara de bisão
Dê uma olhadinha assim bem de perto
A minha cara perfeita de animal turrão.

Porém, na páscoa tenho que trabalhar
Álacre, em qualquer fantasia me atraco
Só em celebração puramente familiar.

Como quero, me visto até de macaco
O que vige: coelho aqui não tem lugar
Aqui, coelho pascoal, só para os fracos.

sábado, 7 de janeiro de 2017

À Drosófila


Melanogaster é sobrenome que me dão
Os cientistas no laboratório me desejam
Sou mosca da fruta também, porque não
Contam que as experiências boas sejam
Assim à ciência dou minha contribuição.

Devido a meu muito rápido crescimento
Registro de grandíssimo interesse se faz
O avanço é notável em cada novo evento
Sem a Drosófila, pouco a ciência é capaz
Ó cientistas que conferem o experimento
Fazendo o avanço cada vez mais eficaz
Incluindo meus dados em cada momento
Levantando dados para saúde e para paz
Assim eu, cada dia mais valia acrescento.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Espertos


Lá no Patropi onde impera a lei
Está tudo muito nos conformes
Interpreta-se aquilo que não sei
Dou-me bem enquanto dormes.

E me importa o lucro gigantesco
Garanto que batizo até a cerveja
É assim, embora sendo grotesco
Roubo no produto e vou à igreja.

Só que, veja que rocambolesco
O ruim que para o esperto seja
Na bunda dos outros é refresco.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O tempo manda

É junho quando menos se espera
E parece ter sido ontem, contudo
Que traz esperança de nova era
Começou janeiro e já era entrudo.

Para deter o tempo não há como
É ele muito impiedoso e arrogante
Se mais um aniversário eu somo
Um ano chega a seu fim num instante.

Então vamos nos submeter ao ano
Já que ser avesso a ele não nos acode
Mas o tempo impera e não há engano
Porque contrariá-lo não se pode.

Os doze meses ao subir o pano
É tempo prá viver que nos sacode.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

É nóis na fita!


O honestão

Tremei, desenvolvido primeiro mundo!
Que diz sermos chegados a uma treta
E nos despreza, o terceiro e o segundo
Eis o homem mais honesto do planeta!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Bichos australianos

Calopsitas

Claro, sou um psitacídeo tão colorido
Aqui sou Rainbow lorikeet somente
Lá no Patropi calopsita eu tenho sido
O que não ligo, fico papando semente
Por toda Austrália, pássaro conhecido
Sou símbolo deste quase continente
Isolado nem pensar, só bando sortido
Toda esta beleza, cativa muita gente
Abafar? Impossível, este meu alarido.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Por que humanidade?

Existência da humanidade não entendo
Homens estúpidos, mortíferos e cruéis
Se trata com eles vão-se dedos e anéis
E tudo aquilo que não foi, acaba sendo.

Este homem é um predador tremendo
Extermina outra espécie por cinco réis
Sem necessidade de laudos ou papéis
No final, todos acabaremos morrendo.

O homem não é, mas como vírus fosse
Destrói o planeta porque é apenas ruim
Destruindo portanto essa humanidade

E com isso não ganha sequer um doce.
Então pergunto por que deve ser assim
Sobretudo porque é uma cruel verdade.