segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Cura Gay?

Meu caro amigo, confesso que já cansei
De tanta perseguição ao meu modo de ser
Agora, inventaram a tal da cura gay
Que fará com que, homem eu vou parecer.

A vida nunca foi fácil naquela opção
De andar pela rua vestido de mulher
Porque sapatos altos, torturosos são
E travesti nunca foi uma dama qualquer.

Porém, agora seremos machos de truz
Altivos, serenos, bastantes viris, sim
Chega de levar aquela pesada cruz.

Bem melhor esta vida um tanto chinfrim
Do que no final do túnel não haver luz
E ter que sempre vagar travestido assim.

domingo, 24 de setembro de 2017

Chegaram as flores!

P rimeiro um inverno nebuloso e feio
R adiante de  flores veio a primavera
I nclusive vive nos dizendo a que veio
M e parece, inaugurando uma nova era
A ssim propiciando sonho e devaneio
V em colorida, florindo igual quimera
E stagia como estivesse só a passeio
R ecebamos bem, então esta bela fera
A gora melhoremos os nossos anseios.

sábado, 23 de setembro de 2017

Meu caminho

Vou caminhando sobre passos repetidos
Num caminhar monótono, o qual entedia
Somando espaço durante a noite e o dia
Com pensamentos vários interrompidos.

No desespero um cão rompe seus latidos
Contudo no fundo o cão nada desconfia
Que por lá passando eu não faço razia
Não há razão para tocar meus ouvidos.

Deste peripatetismo uma ideia emana
Entretanto, eis algo que nada me adianta
Pois ideia má quebra como porcelana.

Quando noite na senda desce sua manta
Achando que no escuro confunde e engana
A mim, contudo, apenas seduz  e encanta.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Minha vida

Consciente, o fim desta vida estou beirando
Será que devo me sentir nervoso, teso
Por ter que carregar este terrível peso
De ter certeza que me vou, mas não sei quando?

A vida não nos é dada tal contrabando
Porém, a ela não estou plenamente preso
Enquanto vivo mantenho meu élan aceso
Vou comendo, andando, e alegre libando.

Pior, passar pela vida sem ter percebido
Dinâmica que certo ou errado nos conduz
Então dá a esta existência todo o sentido.

E é bom saber que no fim do túnel há luz
Para não pensar que o tempo foi perdido
E perguntar-se, onde minha vida eu pus?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Intento

Intenta clamar ao mundo meu triste canto
Pois pretendo não fazer denuncias vazias
Há toda a perversidade que vara dias
Nesta terra nenhum homem parece santo.

Confesso, com tal obra não sei se abrilhanto
Mas, nela costumo pôr minhas energias
Quem sabe, em busca de veras epifanias
Enquanto, pois, isso tudo me causa espanto.

Este mundo de potencialidades plenas
Mas onde existem tantos campos de aridez
Ó belo mundo, quais soluções nos acenas?

Quanto a mim, não sei, que acham vocês?
Porque estas vidas de durações pequenas
Saber isso, jamais teremos tempo, talvez.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Pretensões

Pretensioso quero escrever o que vi
Resumir toda existência assim de repente
Relatar eventos em que estive presente
E coisas interessantes que estão por aí.

Mas eximo das coisas que então eludi
Realmente, o que mais me lembro é de gente
E se houver omissão não foi consciente
Prá mim cada erro é fato isolado em si.

Hoje quero só um mundo ressuscitado
Sem desgraças, sem desastres e sem luxúria
Onde foi abolido para sempre o pecado.

E, por extensão, sem tempo para lamúria
Homens, só de cabeça ereta têm andado
A paz imperando onde antes havia fúria.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Manifesto

Que mais um vate neste planeta, poderia
Fazer para bem do mundo, eis que acrescento
Que não fosse somente poemas e intento
E uma espécie de contestação vazia?

Pois, enquanto o vate só faz a poesia 
Seja com concordância ou atrevimento
Seu modo de versejar assim, bem lento
Tem o condão de mudar a noite em dia.

E continuar a fazer poesia, quero
Porque, ao mundo é um grito de protesto
Grito lamentoso, embora claro e sincero.

Entendam, meu reclamo é o grito honesto
O qual, quanto mais berro, mais eu me supero
E apenas dessa forma eu me manifesto.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Natureza

A natureza assim é, sem alguma manha
Age no rítimo próprio mas não tem pressa
Quem respeita qualidade de vida ganha
Então perceberá que assim é bom a beça.

Porém, se te parece que tem moda estranha
Um jeito de fazer coisas que depois cessa
Caberá a ti não estimular essa tal sanha
Portanto, teus protestos gerais então, meça.
.
A natureza faz, refaz e até orienta
E basta observa-la com alguma acuidade
Que milhares de soluções pois, se aventa.

E toda natureza possui qualidade
Contudo há quem diga que ela é violenta
Porquanto, furacão tudo destrói e invade

domingo, 17 de setembro de 2017

A Natureza e o Poeta

As vezes, a natureza me dá um aceno
Eis que mostra contornos daquelas colinas
Certo por do sol em deslumbramento pleno
Muito verde contrastando com as ruínas.

Eu gosto de ver este panorama ameno
Enquanto tu, grande rei dos astros, declinas
Inspiro-me pois nas belezas do terreno
Observando, enquanto tu cerras as cortinas.

E também inspira-me a fria madrugada
Esta avenida alheia tristonha, vazia
Numa solidão extrema e desabitada.

Há na natureza alvíssaras em quantia
Que pelos raios do sol iluminadas
Dão fulgurância maiúscula todo dia.

sábado, 16 de setembro de 2017

Futuro

O futuro é a soma do agora e do antes
Igual todos, o meu passado não conserto
Dessa maneira, nunca há dias sobrantes
Nem algum futuro absolutamente certo.

Despreocupados, então, nossos semblantes
Só traduzem o visível que está por perto
Contudo, muitas vezes, por poucos instantes
Vislumbramos o futuro longínquo aberto.

Cada novo dia traz refrescante brisa
Então o presente vai passando ligeiro
O futuro está vindo à frente, ele avisa
Mas pra um novo dia, falta o dia inteiro.

E acode-nos uma sensação imprecisa:
É, de que virá por anônimos sendeiros.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Mário Quintana

Mário parece fazer parte do cenário
E há muito pouco fez seu centenário
Mas de muita fama é concessionário
Infelizmente faleceu no zênite etário.

Então se preocupa hoje o calendário
Lembrando este que não tem vicário
E que não ocultou versos no armário
Mas, lutou sempre o combate diário.

Aqui e ali medo de problema coronário,
E, um dia, descobriu-se septuagenário
Diga-se, boa idade, da vida é corolário!

E o tempo passado não é adversário
E como não existe tempo ao contrário
Quintana, te desejo: feliz aniversário!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tempo

São inimigas ou camaradas as horas?
Enquanto eu permaneço aqui sentado
Então se nada faço, existem demoras
Ou o tempo é meu inimigo descarado?

Contra correr do tempo existe escora?
Se você nada faz, quem fica cansado?
Quando relógio manda tempo embora
Um tic-tac parece continuar a seu lado.

O tempo é presente não passa ao largo
Está dentro de nós mas ainda nos rodeia
Inexorável, segue e não admite letargo.

Numa ampulheta sempre escoa a areia
E meu tempo, não comprimo ou alargo
Sequer mesmo com adrenalina na veia.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Difícil X Fácil

É tão difícil ser facilmente encontrado
Na internet com suas veras interseções
É tão fácil saber que não é procurado
Um fato que adiciona tantas decepções.

É tão difícil na web achar amizade
Até na atmosfera onde há tanto poeta
Mas é fácil cair na mediocridade
E ver que, no fundo, é apenas pateta.

É tão difícil uma amizade desfrutar
Que traga no seu bojo apego e conforto
De maneira honesta, austera e regular

É tão difícil encontrar aí um bom porto
Que nos seja bem fácil de ver e atracar
Sem que faça roteiro meandroso e torto.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Floresta

A floresta, as vezes convida, eu me avio
Odor da mata, raízes, folhas, luz, rama
Verdor brilha e piam aves na beira do rio
Aquele encanto todo, sedutor, me chama.

Um simples farfalhar, como fosse pavio
Que me aciona dum salto sair da cama
E, pela janela, enxergo a mata, arrepio
E, minha mente, um passeio já programa.

A floresta me encanta, me recolhe e fala
Pois faz parte doutro mundo, doutro universo
Mas, por comparação, do planeta é sala.

Porém, é onde construí meu melhor verso
Onde minha criatividade abre e estala
E fico eu em mudez estática imerso.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A Rosa e o orvalho

E, por breve momento, o orvalho cintila
Na ponta da pétala, desequilibrado
Então num átimo sua vontade oscila
Entre brilho efêmero e cair no gramado.

A rosa fascinada, mesmo que tranquila
Àquele broche tão logo foi dispensado
Substitui pelo que o segue naquela fila
Que pra brilho também é vocacionado.

Contudo, há paixão entre a rosa e orvalho
Entre o brilho da gota e o colorido dela
Infelizmente, entre eles não há atalho.

Porque a rosa, coquete, não é Cinderela
Permanece firme no seu sólido galho
Enquanto pobre orvalho no chão se estatela.

domingo, 10 de setembro de 2017

Barulheira

Daqui eu escuto a terrível barulheira
Mil sons desarvorados, até estalido
Até parece que uma multidão inteira
Une-se num grande formidável rugido.

Não é lamento como duma carpideira
Talvez algo bem eloquente, proibido
Tampouco algazarra de alguma feira
Mas por certo não faz algum sentido.

Então, só faço aqui me tornar quieto 
Não cabe observação ou reprimenda
Sentimento, mantenho o meu secreto.

Talvez porque não haja que o prenda
O barulho fica cada vez mais discreto
Então se perde, finalmente, na senda.

sábado, 9 de setembro de 2017

Elo

Leva a um lugar cinzento a escada
Porque não há nada naquele lado
É tal qual num vazio colocada
Prá ligar este presente ao passado.

Passado e presente tem via barrada
Viagens no tempo têm fracassado
Máquina do tempo? conto de fada
Nalgum livro de ficção bem bolado.

Para que o que foi, então se procura
Se aquilo que existiu já levou o vento
E perdeu-se pra sempre a tessitura
Então é oco todo e qualquer alento.

Meu amigo, até a ciência mais pura
Ver o passado não mais tem intento.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Ausência

As vezes, enche um universo, a ausência
Sinceramente algo que sequer tem sentido
Poderá algo cheio de vazio na essência?
Nunca! até na minha audição fica doído.

Entretanto, lirismo não lida com ciência
Não tem o dever de pôr no lugar devido
Porém, sim, cada termo por sua aparência
Dar ao fenômeno, seu nome ou apelido.

Pro vate, vernáculo é um livro aberto
E, interpretar como aborda-lo é uma arte
Por vezes sua leitura sequer passa perto.

E a poesia sempre faz a sua parte
Talvez puristas achem que não está certo
Mas é assim, todo bardo constrói destarte.


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Os dois lados

Há homens que somam, e outros que dividem
Uns somam dores outros dividem a mesa
Em seus corações as boas ações residem
E os malévolos, somam a data à despesa.

Existe, também, homem bom e homem mau
Um, bom filho da puta, outro mau cobrador
Um solve de dívida, outro te põe no pau
Com um é na porrada e outro é com amor.

Eis o exemplo, de como palavras amenas
Podem ter lateral ou real conotação
Depende de como se cria a frase, apenas.

Pois não quer nos dizer sim, e pois sim! é não
E, grande coisa! diz-se das coisas pequenas
Entre o dito e fato, não existe comunhão.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A rua

Um céu cinzento e aquela molhada rua
Silenciosa, não se escuta ou vê gente
Despida de movimento parece nua
Um leito que lembra o caos diariamente.

E haverá por trás, um mundo paralelo
O qual, assim, se nos oculta de repente
Portanto, por não o saber, eu não revelo
Entretanto, por ignorar, ninguém o sente.

Onde muitas pessoas se cruzavam antes
Naquela azáfama cruenta e desmedida
Caberá pois uma manada de elefantes.

Agora, esssa tão estreita pista de corrida
De horas apressadas, já pouco distantes
É retrato fiel do que acontece na vida.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Terrarismo

Movem-se as placas e o solo estremece
Essa crosta que parece haver dormido
Em pontos estranhos enrugando-se cresce
Apavorando com furor de seu ruído.

Das obras humanas, um nada permanece
Caos descomunal quase tudo perdido
Certa solidez que havia, desvanece
Experiência que não faz nenhum sentido.

O Homo surpreso por ser assim destarte
Não acostuma ao telurismo, jamais
Não entende que independe de sua parte.

E não sabe que terremotos são normais
Uma forma do Planeta mostrar sua arte
De um ser imponente sobre os demais.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Aos poetas maiores - Soneto-acróstico


odo poeta que têm certa competência
Uns versos com a perfeitíssima justeza
aí, ou exerço bastante minha tenência
u meu pobre versejar jamais faz a mesa.

ego a poetas maiores, aplausos mil
eróis das palavras, das métricas e versos
les com algum alumbramento febril
olvem os óbices de todos universos.

abem compreender pedras, cores e rosa
ssimilam matizes do arco-iris também
ngerem os goles de flama fabulosa

B asta-lhes olhar o que as coisas contém
ntão fazem suas rimas que ninguém glosa
aravilha! porquanto tudo lhes cai bem!

domingo, 3 de setembro de 2017

Vento

Ao largo, indiferente, passa o vento
Invisível e tenaz, aponta igual seta
Não mais um dia chato e nevoento
Sinais de melhora o clima acarreta.

Entre folhas, leve cicio de lamento
Como se do vento aquilo fora meta
À paisagem, certo que traz alento
Que alegria da natureza completa.

Aos poucos, o vento se torna brisa
Mantendo uma corrida mais suave
E onde soprava forte, agora desliza.

De modo a não mais causar entrave
E, assim, vai devagar e se eterniza
E não mais um tal fenômeno grave.

Interação de Ania
Brisa da Primavera...

Aos poucos, tão suave, vai-se o vento
segue o destino, passando ligeiro
e o dia, antes triste e tão cinzento
desperta de repente, altaneiro...

Entre nuvens surge o sol em alento
o céu azul veste, lindo, faceiro
pássaros trinam em agradecimento
flores sorriem em seus canteiros...

E a brisa sopra, a pele acaricia
as borboletas bailam em sintonia
e o magnetismo do dia se apodera...

Tudo é formosura, encanto e magia
setembro chegou com sua alquimia
Trazendo a sedução da primavera...

Obrigado Ania, você engrandece este pedaço.

sábado, 2 de setembro de 2017

Caminhando

Enquanto sem olhar, distraídos andamos
Sem inquirir, sem talvez meter o bedelho
Ao caminhar, algum sentimento pisamos
Então antes de julgar olhemos o espelho.

Da árvore da vida, somos apenas ramos
Se nasce verde, no outono será vermelho
E uns aos outros sorrindo nos contemplamos
Porquanto, nosso coexistir, corre parelho.

Correm apenas pra frente, águas do rio
Turvadas ou límpidas, pouco nos importa
Nos fascinam desde nosso tempo infantil.

Essa maravilha apenas a morte corta
Contudo se encanta com tudo aquilo viu
Porque parece chover na sua horta.