domingo, 23 de abril de 2017

À Cervantes



Devagar, vou criando minha nova ideia
A qual a mim parece, está meio estagnada
Rearrumo em outro jeito, todos e cada
Vou construindo verdadeira panaceia.

Sou cavalheiro que venera Dulcineia
Com Rocinante, nesta busca embriagada
Aquela deusa que sem ela não sou nada
Porém, que me estimula para esta odisseia.

Tal inimigo se faz de moinho de vento
Vai roubando o placidez de meu pensamento
Porém, com minha lança, de joelho o pus.

De maneira que nesta viagem prossigo
Com coragem e Sancho Pança meu amigo
E sei que no fim do túnel haverá luz.

sábado, 22 de abril de 2017

Supérstites


E nos esconsos da nossa história, oculto
Mistério da sociedade mais primitiva
A qual no outback se mantém ainda viva
Embora a um europeu sequer faça vulto.

O aborígene antes culpado, tem indulto
Então sua cultura, o interesse aviva
Numa curiosidade bastante aflitiva
Do antropólogo interessado, mas estulto.

Sobre como se estabeleceu no deserto
Aonde a água é um elemento tão raro
E sequer o alimento estará ali por perto.

Não existem excedentes para preparo
Então eles vivem sem casas, a descoberto
Seja no negror da noite ou no dia claro.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Feliz aniversário?


Lembro-me pois, ainda era apenas menino
O tal sonho de, em pleno planalto central
Trazer progresso, como disse Juscelino
E lá construiu a grande e bela capital.

Na forma de pássaro, apareceu Brasília
Oscar Niemeyer concebeu pro futuro
Cidade acolhedora, uma isolada ilha
Onde haveria liberdade sem muro.

Porém, perverteram sua finalidade
Acrescentaram muitos porquês e senões
Transformando-a num túmulo da verdade.

Portanto, penso cá com meus velhos botões
Coitada daquela tão bonita cidade
Que agora não passa dum antro de ladrões.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um ignóbil Molusco


Me solidarizo com o grande pau dágua
Que todos os dias externa sua mágoa:
“As mídias ficam dizendo que não presto”
“Mas, de todos que conheço, sou o mais honesto”.   

Portanto, penso cá com meus velhos botões:
Quem será então o grande rei dos ladrões?
A cisma com a dúvida em mim se acumula
Será que esse que fala não é o bebum Lula?

Como presidente, foi excelente poltrão
Roubando e deixando afanarem de montão
E agora, no ócio, vai vivendo meio ao léu.

Tanta maracutaia fez que agora é réu.
Antes, seria um bêbado meio patusco
Hoje é remedo dum patético molusco.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Viagem

Navegando à deriva, sem encontrar porto
Sou vítima passiva, meu velame ao vento
E este é tirano, ignora meu melhor intento
Nenhum roteiro é reto, todo rumo é torto.

Todo cuidado aos detalhes me torna absorto
Roubando naco vivo do meu pensamento
Sou embarcação perdida de navegar lento
Impassível, derivando naquele mar morto.

Porém, vejo que talvez num ano, algum dia
Uma luz farta no fim do túnel viria
De forma a mostrar-me o caminho, porque não.

Com clareza, rumo da rota a ser seguida
Que nada mais é que o rumo da própria vida
Que eventos que se espera do futuro virão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Butterfly Effect

E não há como manter-se o homem, sereno
Frente a preconceitos e males seculares
Quando queimando-se incenso nos altares
Deseja-se, dos pecados um perdão pleno.

Acorda sociedade, preconceito é obsceno!
Em nome dessa aberração enlutam os lares
Banham-se de sangue apesar dos pesares
Por o primata Homo é um ser tão pequeno?

Em nome da paz, trucidam-se as multidões
Ficando a imaginar aqui com meus botões
Se Homo sapiens não seria vírus do planeta.

Planeta este que sequer terá algum futuro
Degradado, destituído do sonho mais puro
Porque vítima inocente do efeito borboleta.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

No frio da noite

A metrópole, formidável formigueiro
Onde vigoram tantos conúbios e tretas
E vagam os vagabundos como cometas
Fica fora de forma o feliz e o faceiro.

Uma selva de concreto pra aventureiro
Na qual nada nos informam as muitas setas
Então lhe interessa apenas as suas metas
Sejam benvindos, à escuridão e o nevoeiro!

Um negror que oprime, mas nada radiante
E se faz benfazejo ao marginal errante
O qual faz no atro submundo sua morada.

E a súcia refestela no escárnio da rua
Onde o malandro, achacando-nos continua
Pois essa tal escuridão lhe é camarada.