terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nosso Universo

Cosmos, onde estrela se constela
Resplandece todo astro luminoso
Envolto no éter fátuo e poroso
Numa Via Láctea envolvente e bela.

Cometas que aos planetas não dão trela
Buracos negros que são misteriosos
Quasares e pulsares furiosos
Onde fatal força bruta revela.

Numa atmosfera um tanto transida
Este universo criou nossa vida
Que lota este Planetinha agora.

Somos seres premiados, portanto
E vivendo tranquilos neste canto
Até quando partirmos embora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Radicalismos

Se o lema do fanatismo desfralda
Pondo acima de tudo sua crença
Com uma certeza assim tão imensa
Certamente não olha sua cauda.

E tudo que crê torna-se esmeralda
Ainda que a ilusão seja extensa
Só eu tenho razão, o crente pensa
E aquele que não concorda, malda.

Quem não pensa como eu, um coxinha
Tolo, crê em história da carochinha
 Que a direita seduz, então castra.

Um perdedor, analfa e errado
Não tem futuro, não sabe o passado
Fascista que ignorância alastra.

domingo, 19 de novembro de 2017

19/11 - Dia da bandeira

Soneto-acróstico atípico, os quatorze versos não dispostos de modo a formar quartetos e tercetos.


É “Ordem e Progresso” que nela está escrito

D ístico que nos faz lembrar Auguste Comte
I mperioso lema que pode ser um grito
A inda que para ele já ninguém aponte.

D um lábaro estrelado que é só um mito
A lguns brasileiros desejam seu desmonte

B andidos, à socapa em Brasília reunidos
A frontam sem pudor cada cor estampada
N enhuma legislação pune esses bandidos
D eitados em berço dourado a tal cambada
E ntão por esses bandos estamos perdidos
I ndígnos, pra eles o pano não vale nada
R asgaram a bandeira esses anjos caídos
A ssim nossa bandeira está enxovalhada.

sábado, 18 de novembro de 2017

Quando eu me for

Quando eu for, favor não chorar por mim
Prefiro que guardes essa tua dor
Por certo é melhor que seja assim
E lembrar do melhor seja onde for.

Quando eu for, por favor sorria sim
Prefiro que não fiques em torpor
Somente meu corpo chegou ao fim
Os que ficam ainda podem compor.

Na cova não há beleza ou bondade
E tampouco espaço para saudade
Apenas muita paz, tão somente.

Nossa alma não tem nenhuma vontade
Só um grande silêncio a invade
E, naturalmente, ela nada sente.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Está escrito?

Há aqueles que acreditam na tal sorte
Sem a qual estariam talvez perdidos
É certa fé tão maior que seus sentidos
Que lhes fornece um potente norte.

Agora eu, se não for bastante forte
E não der crédito a meus ouvidos
Vendo-me sujeito ao desconhecido
É normal que a coisa toda entorte.

Então, acho que não está escrito
Que o destino será feio ou bonito
E que o caminho será desse geito.

Meu amigo, destinados não estamos
Nosso caminho? Só nós o traçamos
Nada absolutamente está feito!



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Versejando

Espremi o suco de cada estrofe
Como se fora inspirado poeta
Embora eu nem um pouco filosofe
Penso que essa forma é mais direta.

Fazer rimas, pra mim é lucidez
Que no meu cérebro vai explodindo
Encontro nelas um pavio talvez
Que detona a lírica modo lindo.

Nestes versos não há conciliábulos
Apenas exponho uns belos vocábulos
Que desejam exprimir as ideias.

Ideias tais que não causem assombros
Também não reduzam tudo a escombros
E não sirvam pra grandes panaceias.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Uma República tropical


Era um quinze de novembro bem normal
Tudo correndo tranquilo naquele Império
Mas, descontentes do Partido Liberal
Queriam que seu movimento fosse sério.

Foram, pois, acordar o velho Marechal
Que este tinha força de um grande critério
Em que pese ao Monarca ser mui leal
A Dom Pedro não deu lhe nenhum refrigério.

Proclamou esta República meio no grito
Eis que um tanto sonolento e de ressaca
Porém, a história fez dele grande mito.

Então, hoje o proclamador ninguém ataca
Embora seu gesto tenha sido esquisito
E a República transformada numa caca.