quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Natureza


Do meu ponto eu enxergo as aragens
Que das florestas fazem ramaria
Parece, as plantas prenhes de alegria
Compondo umas idílicas paisagens.

Minha mente se perdendo em viagens
Com a vista em completa harmonia
Torcendo pra que não acabe o dia
Que desfará quadros tão selvagens.

Pois agradeço viver neste mundo
Trágico, mágico, belo e fecundo
Mas que nos oferece suas flores.

Em algum lugar sempre é primavera
Onde há olor e cada flor é sincera
Onde as aves praticam seus amores.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O bicho homem!

A raça humana se acha no sólio:
- Porque meu destino eu mesma traço!
- Rápido nas pernas, forte no braço
- E do planeta tenho o monopólio!

Acha-se pois, inserida no espólio
Mas com um sentimento tão escasso
E um coração tão duro como aço
No fluxo de sangue, apenas óleo.

Porém, de cabeça ereta andando
Onde pára, amoque formando bando
Diligente, sequer obedece turnos.

Se diz sempre subindo uma escada
Respeito à natureza? Isso, nada!
E sempre vai ao leito de coturnos!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Elfos e quimeras

Pois o vate não busca a claridade
Onde esta lhe aparece de graça
Prefere uma escuridão que passa
E vai criando sua própria verdade.

Então, no escuro, pela cidade
Ele quebra da noite sua couraça
Naquele momento que os versos traça
Com bastante talento e humildade.

Tira rimas da dor escrusciante
E versos lhe vêm a qualquer instante
Através de rimas ricas e austeras.

Enquanto sente o poeta insiste
Compondo poema alegre ou triste
Habitado por elfos e quimeras.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Somos poeira de estrelas

Este Cosmos profundo e curvilíneo
Que não sabemos de suas raízes
Mas nos abriga em globais marquises
Está presente no fluxo sanguíneo.

Das estrelas, um filho ferrugíneo
É a criação de todas as matizes
Sejam seres tristonhos ou felizes
Uma prova de qualquer escrutínio,

Das estrelas evoluímos, sem saltos
Tanto nós, como os baixios e altos
Nesses transcendentes éons tão longos.

De bactérias a primatas risonhos
De musgo a seres que tem sonhos
E capazes de construir ditongos.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Nós no cosmos

Onde o horizonte de eventos existe
Contudo, a distância real encobre
Então há muito pouca luz que sobre
Quando pensamos, parece bem triste.

Nem aos telescópios alguém assiste
Aquela ocorrência, digamos, nobre
Mesmo que Hubble sua nitidez dobre
A fenomenal distância resiste.

Então, apenas cogitações sombrias
Turvadas por solares ventanias
Tornam uma lucubração tão forte.

O cosmos não é imensa avenida
Antes, é um nascedouro de vida
No qual vivemos apenas por sorte.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Juízo final

O apocalipse promete redenção
Porém não um oceano de doçuras
E somente praquelas almas puras
Que resistiram a toda tentação.

A crença que boas novas virão
Não convida a maiores aventuras
Descarta umas tantas amarguras
E, então conforta alma e coração.

Se tu fostes bom, acabarás rindo
Se, não, ao inferno serás bem vindo
Então fique em paz, meu caro amigo.

Porque almoço de graça não existe.
Só pecador permanecerá triste
Mas tua alma ficará num abrigo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O riacho

O riacho timidamente nasce
Modesto, vai rastejando normal
Ele sabe que neste trecho dá vau
Contudo, logo terá outra face.

No entanto, rolando pelo caminho
Surpreso, aos poucos se vê engordando
Um tanto, que sequer sabe até quando
Enquanto flui quieto, de mansinho.

Solitário, anda no solo ermo
Não percebendo onde será seu termo
Conduzir as águas é seu destino.

De mansinho torna-se caudaloso
Acelerado, vivo e buliçoso
Ciente de sua existência, imagino.