quinta-feira, 21 de junho de 2018

Eles e nós

Como entender este mundo mais que insensato,
no  qual  quem  maior  meliante  é,  mais  brilha;
enquanto o  povão  vai  sempre  pagando o pato,
sem  nenhum  futuro,  sem  sequer  uma  trilha?

Senador,   é   versão    moderna   de   rato,
que  constrói  sua toca/morada  em Brasília;
onde  ganha  dinheiro  sem  gastar  fosfato,
e, as vezes, apenas com seus pares partilha.

Querem, os mesmos, que seja somente assim
o  povão  se  ferra   e   o   deputado   devora:
- "Para  o povo merda, para nós, farto butim!" 

- "Eu  gosto  do  povo  só  numa  certa  hora,
quando vai  às  urnas e dá seu voto pra mim,
no mais, eu no ar condicionado, eles lá fora!" 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A vida

Talvez não nos caiba questionar a existência,
a respeito dela emitir um grito sequer;
porquanto a vida na sua real essência,
é tão somente o que a natureza nos der.

O existir da vida não explica a ciência,
talvez porque não é um fenômeno qualquer;
e não se pode ter alguma deferência,
que no Éden criou-se o homem e a mulher.

Nem de longe a vida é criação do poeta,
a vida é um evento a ser levado a sério,
esteja fervilhando, ou num canto quieta.

Claro, que sua origem constitui mistério,
que a totalidade das criaturas afeta,
e que só terminará no ermo cemitério.

terça-feira, 19 de junho de 2018

A fúria

Em   pleno  oceano  o  tufão  desencadeia,
muita água e ventos tonitruantes a uivar;
varre a  tona  como a vassoura varre areia,
com   potência   letal,   e   vigor   singular.

Trata-se   do   maior   desconforto  do  mar,
revoltado, ruidoso, acordando quem dorme;
e tampouco   de   nada   adianta   reclamar,
pois,  o furacão  causa  transtorno  enorme.

Mais estrago quando adentra terra, suponho,
onde   o   ser   humano   suas  casas  constrói,
então   dá   largueza  a  cada   melhor  sonho.

Agora que a fúria dos elementos  mais  dói,
estrago que vai se tornando mais medonho,
e a   segurança   do   homem   então   corrói.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Na Rússia

Brasucas  e  suíços  prontos  pra batalha,
muito preparados para  aquela  dura  liça;
e cada qual crendo que na hora não falha,
jogando  com  força  tenaz e sem preguiça.

Então, com eles nenhuma  jogada encalha,
pois sabem que não estão assistindo missa;
que   chutando  no  gol  a  rede farfalha,
e quem marca mais golos, vence por justiça.

Eis que, quando naquela rede a bola malha
fortes  paixões  das  torcidas por certo atiça
então,  esperança  nos  torcedores se espalha.

Porque todo  mundo aquela taça  cobiça,
ganha quem não pensa em pedir a toalha,
e acaba que  Brasil não carcou na Suíça,

domingo, 17 de junho de 2018

E assim caminha a humanidade...

Pra sobreviver, o Homo em esforços ingentes,
contra intempéries formidáveis, inclementes;
unindo com inteligência os homens todos,
independentes das origens ou apodos.

Quem os chama daquela pobre gente inculta,
certamente a rica história deles insulta;
então dá as costas à própria sociedade,
a qual foi construída pela antiguidade.

O Homo sapiens nunca foi fraco e inerme,
e, supostamente, se o fosse era um verme,
porém hoje, este homem não rasteja, voa.

Então, a tese que o denigre se esboroa,
e esta criatura do pó de estrelas, vence,
embora, as vezes, com certo jeitão non sense.

sábado, 16 de junho de 2018

Palavras

Vale apenas o que uma palavra determina,
conceito universal, valendo aqui ou na China;
o vate, as vezes, explora outra conotação,
pois é criador, como tantos outros são.

E uma palavra expressada jamais se cala.
pelo contrário, serve também como bengala,
se quisermos significado mais profundo;
para explorar certas nuanças deste mundo.

Uma estrutura de vogais e consoantes,
palavras não são mudas são altissonantes,
mesmo, que as vezes, carregadas pelo vento.

Contudo, só expressam o nosso pensamento,
e se espalham pelo Planeta, em todo canto,
definindo tudo, de horrores a encanto.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Homo sapiens

Por milênios, no planeta o Homo foi forte,
ocupar cada vez mais espaço se atreve;
então nessa existência ainda tão breve,
fez-se presente do sul, ao centro, ao norte.

Foi ocupando obstinado, num passo bem leve,
enfrentando perigos de lesão até morte;
então por sequer ter um elevado porte,
aprendeu a viver do sol tropical à neve.

Daí inventou tudo, da agulha ao navio,
teve, mesmo que subjugar pavor e medo,
inventar indumentos prá combater frio.

Para sobreviver levantar muito cedo,
e habitar sempre bem próximo a um rio,
porém nunca permanecer parado, quedo.