sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Poeta sofre

Na procura do poema mais puro
para manter alumbramento aceso;
olhos fechados no quarto escuro,
do vate pensamentos perdem peso.

Quase sempre, na sua frente o muro,
que desejando mantê-lo ali preso;
não percebendo que o vate é duro,
é bravo, e vai se mantendo ileso.

Porque é vendedor de maravilhas,
as mais boas intenções ele tem,
então os seus poemas não são ilhas.

O poeta as vezes não se contém,
põe suas composições a partilhas,
sabendo que sequer ganha vintém.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Tributo a Jorge Luis Borges


Borges sabe que nunca fora vão,
que, cego, observou de frente o mudo;
com seu olhar puro, porém agudo,
como a ver nele seu próprio irmão.

Borges, o filósofo que bem sabe,
e, por saber, estende seu perdão
a todos que tem merecido então,
pois julgar semelhante não lhe cabe.

Borges, de ilustres modos também;
sábio e engajado tal como o pinto,
nos textos e linhas não se contém.

E sobre a história tem olhar distinto,
porquanto passa e vai bem mais além,
sem errar, já decifrou o labirinto.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O vulcão


A lava no interior da terra presa
quase eternamente adormecida,
mas em calorosa matéria acesa,
bem ansiosa para entrar na lida.

Seu aparecimento será surpresa,
numa data talvez indefinida;
para o homem, a horrenda beleza
que tanto destrói como traz a vida.

E permanece queda, palpitando,
até que, certo dia, não sei quando
mostra-se em forma de som e clarão.

De maneira a deixar o povo mudo,
extático, a olhar aquilo tudo,
encantado diante do vulcão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Esses poetas...

Vates são pregadores nos desertos
E, se bem sucedidos, viram lendas
De glória e homenagens são cobertos
Sob louvação e premiações tremendas.

Mas, ainda que bons, não são espertos
E, as vezes, sob privações horrendas
Eles se perdem em destinos incertos
Andam amoque por estranhas sendas.

E, se perdidos, permanecem quedos
Como se poetas tivessem segredos
Terríveis de consequências mortais.

Se livres, poetas soltam as travas
Porque suas obras não são escravas
E gostam de conquistar seus portais

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Alma do sonho

Sonhar sonho etéreo que no alto ondula,
sonho, talvez, levado pelo vento;
aqui no chão andando a passo de mula,
vai a alma em busca dalgum alento.

Porém, o sonho com alma copula;
desse encontro o poema é rebento,
do poeta que assume sua gula,
de gravar em pedra o pensamento.

Sonho, alma e poeta, a feliz fusão,
que só beleza ao Planeta nos traz;
o vate esse construtor de ilusão,
daquele sonho, um poema ele faz.

Se pode dizer sim, jamais diz não,
porque de criar sonho é capaz.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Convocação

Poetas!  Sigamos  juntos,  altivos!
usemos nossos cérebros potentes,
produzindo   poemas  expressivos;
os melhores que fazem nossas mentes.

Passemos a ser bardos redivivos,
nossas vozes troantes e frementes;
nenhum  poema estático / passivo,
contudo de exclamações refulgentes.

Ocupemos o que houver de espaço
com amplo talento, contudo, lasso,
eficaz, mas dum expressar brando.

Pois recuperemos todos e cada,
numa obra sólida mas motivada,
que pelo mundo saia badalando.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Utopia

Na vida, segundo minha vontade
Não teria espaço para o pranto
Tampouco desavenças e maldade
Predomínio da amizade no entanto.

Desaparece a dor e ansiedade
O dia-a-dia quase um só encanto
Não nos falariam da eternidade
Ou dos poderes de qualquer santo.

Não seria cada um pra seu lado
Mas, por certo, um viver descolado
E sem desânimo nem amargura.

Ao invés de armas, amor a rosa
E nada da tal senda dolorosa
Acaba todo ódio, fica a doçura.