sábado, 19 de agosto de 2017

Poesia

Pra fazer versos não precisa ser asceta
Porém, precisa as pestanas ter queimado
E mais: ter em mente certa aceitável meta
Então, todo o universo ouvirá seu brado.

Eis que, ao morrer, a sua obra se completa
Pois senso dos leitores a terá filtrado
E ganha força, mesmo criação discreta
Mas os seus erros? Apagam-nos o passado.

Versar é ensacar temores e sensações
Embrulhados em transparentes versos
É externar variadas perguntas e senões
Criar estranhos singulares universos.

Dosar muito bem as pitadas e porções
Para não cair nos tais caminhos transversos.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mente

Quero clarear minha mente nevoenta
Pois, embaçada ela as vezes tem sido
Contudo, como já traspassei os setenta
Certa dolência mental faz todo sentido.

A mente repleta de animação, inventa
Então, pode-se ouvir ao longe o seu balido
Refrescante como uma bala de menta
Talvez, um argentino som a ser ouvido.

Ah, mente arejada, és refrescante brisa!
Tudo que quero: explorar teu potencial
Porquanto sei que, se o quiser tu o realiza.

Vamos lá, ó mente querida, taca-lhe pau!
Pra criar, da sapiência vista a camisa
Porque, assim juntos, não vamos nos dar mal.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Musa

Se um dia toda inspiração for embora
Formando com o pensamento um cortejo
Eu garanto, meu lado poeta então chora
Esperando por um novo azo ou ensejo.

E vazia, como está minha mente agora
Tão cheia de sonhos e sem algum desejo
Acho que minha Musa, somente me ignora
E minha relação com ela então revejo.

Querida Musa volte pra sua morada
Se vieres toda traição então olvido
Daí, fazemos de conta que aconteceu nada.

Ó Musa, eu não sei como contigo lido
Você é cruel, vingativa e até malvada
Quando vier, talvez eu já tenha dormido.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Palavras

Entender todas as palavras eu quisera
Cada especificação, para meu conforto
Domar absolutamente este termo fera
Então mergulhar no seu íntimo, absorto.

Se é redondo nem sempre será esfera
Mas só quem sabe vai a um seguro porto
Então, se destaca dessa ignara galera
Pois, pra literatura não estará morto.

Vernáculo não é evento de ocasião
É ferramenta presente, necessária
Porquanto, a ela não se pode dizer não
Há que adota-la de maneira voluntária.

Gramática e criatividade, onerosos são
Porque de graça, só resfriado e urticária.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Vida

Nosso universo é pejado de  mistérios
Talvez aguardando serem elucidados
Que vão encantando os cientistas sérios
Que pra soluciona-los necessitam dados.

Mas nem pensar que existam refrigérios
Se assim fosse não teríamos malogrado
Todos os estudiosos de dois hemisférios
Que suas pesquisas não haviam parado.

E, confortáveis, envoltos pela atmosfera
Cá vivendo como se o futuro certo fosse
Não nos interessa se tudo um dia já era.

Aproveitar a vida enquanto esta for doce
Pois nunca a coisa vem como se espera
E, viver confortavelmente não é precoce.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Homo idosus

Vai, idoso, fazer sua caminhada lenta
Indo pra longe, talvez, de sua morada
E saiba que de andar, idade não isenta
Pois está a tua espera, a trilha calada.

Porém, ninguém é moço com mais de sessenta
Embora a vida seja muito sossegada
Contudo, se correr por aí você intenta
Lembre que é difícil até subir escada!

Mas, perceba a magreza deste seu teu braço
E a quase inexistência da sua bunda
Essa presbiopia no teu olhar escasso.

Enquanto mais nos teus anos você afunda
Então, uma advertência portanto lhe faço:
De tanto olhar o solo vai ficar corcunda.

domingo, 13 de agosto de 2017

Meu pai


Não, meu pai nunca foi um homem perfeito
Falo de Ananias meu pai já falecido
Contudo, ele deu o melhor de si lá a seu jeito
Porquanto fora um bom caráter desmedido.

Dentro da pobreza que andava nossa vida
Na pobre mesa jamais se via fartura
Mas ele via no estudo a única saída:
“Quem estuda, no mundo achará o que procura”.

Pois assim crescemos nós, os cinco rebentos
O pai legou-nos exemplo de honestidade.
Vida composta somente de bons momentos.

Hoje meu pai olhando talvez da eternidade
Deve notar para onde sopram nossos ventos
Daquele seu legado pra posteridade.