sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O mar

O avesso de Augusto dos Anjos

O mar é alegre sob qualquer critério;
Cada cor abrandada revela a doçura,
Da coberta de espuma sua brancura
Até pontuais marés e seu gesto sério.

Ah! dirão, e a profundeza de mistério,
Cujo fundo se encontra àquela lonjura
De amplidão imensurável e tão escura
Do tamanho de um inteiro hemisfério?

Quando à mente tais questões tragas,
Pense na água, não apenas nas fragas,
De modo que qualquer dúvida se esvai.

Refletindo a luz do avermelhado poente
O poeta transcende pelo que vê e sente,
Então chora quando a sua ficha lhe cai.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Essa tal de vida...

Existe uma força descomunal
A qual, por si, cria e destrói igualmente
Está presente em qualquer animal
Como em plantas, da raíz à semente.

Tudo ela corrompe até seu final
Pois vai seguindo amoque e tudo sente
Sendo indiferente ao bem e ao mal
É dinâmica, sempre indo pra frente.

Quem a tem, acha-se um ente de sorte
Mesmo sendo caminho só de ida
E que as vezes nosso sonho aborte.

Podendo ser ela curta ou comprida
Ainda que achem que se trata de morte
Saibam! seu nome de batismo é vida.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Velhice

As vezes me sinto velho e cansado
E sento-me, a lamber minhas feridas
Então me vêm dores indefinidas
Que maltratam este corpo fatigado.

Sinceramente? Sou gente “no estado”
Que já viveu, talvez, múltiplas vidas
E que anda sobre estas pernas tremidas
Vive de teimoso, como o ditado.

Acompanha-me constante fadiga
Que portanto já se tornou amiga
Então minha autonomia governa.

Veja, ser um velho me deixa farto
Mesmo sabendo que bem logo parto
Para que a desgraça não seja eterna.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Nossos grilhões

Corpo livre, mas sua mente escrava
Essa sociedade nos põe grilhões
Só somos livres com nossos botões
Tevê, buraco nas mentes escava.

Porque a lida do dia-a-dia é brava
Cheias de tretas, muitas decepções
Pois em nós predominam os senões
Eis que tudo que é sólido, deprava.

Não mais existe pensamento puro
E não há nenhum caminho seguro
Existir? evento eivado de liças.

Vítimas e algozes da natureza
Esta que nos põe alimento na mesa
E que demanda nossas preguiças.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Morte

Por mais que conquistemos nesta vida
Marchamos em direção à sepultura
Malcheirosa, esconsa, também escura
Recôndito de carne apodrecida.

Porém a morte será fim da lida,
Dessa existência que se fez ventura
Fornecida pra cada criatura
Numa senda medonha desmedida.

E a morte será o único evento
Completo, final e definitivo
Que não admite sequer complemento.

Ela alcança todo e qualquer ser vivo
Pois não contempla nenhum sentimento
E também não explica se tem motivo.

domingo, 15 de outubro de 2017

15/10 - Dia do Professor

Quero compartilhar com os leitores esta homenagem à minha primeira professora de português, Maria Jamur.

Das profissões esta é a mais nobre
Início da primeira real noção
Assim, que o aluno na aula descobre
Dalguma dúvida a explicação.

O professor nos mostra, descobre
Põe sabedoria em cada questão
Repete, explica e nada encobre
Obtendo assim toda nossa atenção.

Feliz dia! Ó mestre desprezado!
Este Patropi nem lhe dá valor
Suor e desprestígio é seu legado.

Seja, por sequência, lá onde for
O meu mais sincero muito obrigado
Reconheço: do saber és portador.

sábado, 14 de outubro de 2017

No STF

Soneto-acróstico escrito quando da assunção de Carmen Lúcia à presidência do STF

e vocês imaginavam diferente
ludidos que as coisas iam mudar
inistra Carmen Lúcia, dlz pra gente:
É nóis na fita, com Lula no altar!

osso petê continuará na frente
Ó bices são feitos para contornar
nventamos saídas continuamente
aímos do poder só se nos fartar!

ão alimentem esperança, portanto
gora este Tribunal eu o presido
aremos da justiça piada, um tanto.

ncólume como o Lula tem sido
eremos no Tribunal mais um canto
coitando o político bandido.