sábado, 25 de fevereiro de 2017

Meu calvário

Um dia a saúde tão velhaca, nos falha
Meio que coisa certamente já esperada
Porquanto, na luta da renhida batalha
Resulta que, por vezes, levamos porrada.

O melhor é cuidar logo, contrário espalha
Como recomenda a situação delicada
Errado é resignar-se, jogar a toalha
Deixe nas mãos da medicina essa parada.

Insano então, não encarar essa verdade
Mandatório, efetuar um procedimento
Escolher viver talvez uma longa idade.

Nada, com certeza, seguro cem por cento
Também, sequer apresentar fragilidade
O que importa será ganhar um novo alento.

O que é destino?

À frente nada se vê, apenas névoa baça,
Incerteza que tudo alcança e tudo cobre
Não há expectativa, como vida de pobre
Parece que apenas dúvida sutil e crassa.

Quem, ante desse quadro, destino traça?
Quem terá essa determinação tão nobre?
Tão ampla persistência que a todos sobre
Derramando sua virtude por onde passa?

Não sei, para onde olho só cupidez vejo
No fim desse túnel nenhuma luz sequer
O futuro, parece, não se faz com desejo.

Existe, o dizem, seja o que deus quiser
Estaremos todos a mercê de seu ensejo
Vítimas dos males que com destino vier.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Rio da vida

Igual um rio, vejo a existência que passa
Como caudal silencioso, tristonho e lento
Algo levianamente sem nenhuma graça
Como, talvez estátua resistente ao vento.

Pois, observa-se que assim a luta é escassa
Apática, contrária, sem qualquer alento
E desvio de conduta certamente enlaça
Dependente somente daquele momento.

Tal um rio, não voltam as águas passadas
Fluiu no passado, como neste presente
O que se foi, trata-se de favas contadas.

Contudo só permanece aquilo que sente
Os eventos, acontecimentos e os nadas
Sem deixar espaço para que se lamente.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Noite atroz

O dia se vai, em consequência anoiteço
A noite está lá fora como dentro de mim
E angústia do anoitecer é só o começo
De uma insônia que parece não ter fim.

E meandros de Hipnos devagar eu teço
Uma fila de carneirinhos saltando assim
Naquela associação que não tem preço
Vou contando um a um, tintim por tintim.

Contudo a noite sendo infinita, continua
Independente de quando aparece a lua
Sinceramente, não sei o que ela me faz.

Porquanto, essa noite é minha inimiga
Não diz a que veio enquanto me intriga
E, indormido, continuo procurando paz.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Questão de olhar

É tudo verdade? as vezes me pergunto
Será, tão somente essa pilhéria, a vida?
Que se mostra à nossa vista estarrecida
Onde maldade e falcatrua é O assunto?

No país que político e o roubo vem junto
De maneira a população sentir-se traída
Estática, exânime, num beco sem saída,
Como a antecipar seu estado de defunto?

A esperança que seja um sonho apenas
Pois que sejam passageiras essas cenas
Que um dia a verdade verdadeira vença.

No decorrer, do bônus levante-se o véu
E que a vida seja como mamão com mel
Elimine para sempre o mal e descrença.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Miragem

Vendo o verde da relva, tudo está bem
E, como se nada fosse, sopra o vento
Som das cigarras de muito longe vem
Funcionando implícito tal chamamento.

Porém há no ar certo modo de espera,
Que apela à inércia de um caminhante
Estático, fica pensado na sua amante
Enquanto o seu cativo coração acelera.

Não existe assim movimento rompante,
Ainda que uma araponga oculta cante.
Pois aquilo tudo faz parte da paisagem

Então tudo está bem como deve estar
Fazendo parte duma existência regular
Bem real, tão real como uma miragem.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Morte

A inescapável morte, esse tremendo evento
Um sonho crudelíssimo, assim nos parece
Ainda que ninguém veja nela, benesse
Alcança a humanidade cento por cento.

E talvez alguma reflexão aqui coubesse
Um meio de desviar nosso pensamento
Que ela venha de muito longe em passo lento
Chegando bem suave, sem causar estresse.

E, quando chegar, não cause nenhum tumulto
Pois bata com suavidade à nossa porta,
Sem alguma maldade ou preconceito oculto.

Haja ela com naturalidade bem aberta
E não nos cause transtorno nem insulto,
Nos convencendo que é esta a coisa certa.