sábado, 23 de junho de 2018

Insanidade

Mistério! no esconso onde os sonhos são reais,
lugar em que circunstâncias são muito vagas;
há que ter em mente situações abismais,
que nos ameaçam como fossem adagas.

Há mistério, onde até a solidão se sepulta,
e a fímbria do universo não está mui além;
envolta em volutas do tempo esta se oculta,
porquanto dorme um sono eterno ali também.

Ninguém ali vive, na beira do penhasco,
tremendo de pavor daquela escuridão,
grandes medos servidos em pequeno frasco.

a névoa, o terror, verdadeira escrotidão,
como estar frente a frente com carrasco,
que ao pedido de perdão diz somente não.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Sobre minha cabeça

Contemplo a abóbada desta praia escura,
enquanto a Selene seus véus de nuvens veste;
e meus olhos estão simplesmente a procura,
de algum imenso aglomerado celeste.

Deste firmamento estou, portanto, aqui a seus pés,
como todos os entes submissos ao seu poder;
a mercê de possível e telúrico revés,
sobre o qual, nós nada poderemos fazer.

O cosmos é dominante nesta tardia hora,
impondo-se de maneira a nos esmagar,
imensidão de hoje como desde outrora.

Então esse espaço de imensidão estelar,
detém toda verdade do que há lá fora,
e, dele, só temos visão rudimentar.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Eles e nós

Como entender este mundo mais que insensato,
no  qual  quem  maior  meliante  é,  mais  brilha;
enquanto o  povão  vai  sempre  pagando o pato,
sem  nenhum  futuro,  sem  sequer  uma  trilha?

Senador,   é   versão    moderna   de   rato,
que  constrói  sua toca/morada  em Brasília;
onde  ganha  dinheiro  sem  gastar  fosfato,
e, as vezes, apenas com seus pares partilha.

Querem, os mesmos, que seja somente assim
o  povão  se  ferra   e   o   deputado   devora:
- "Para  o povo merda, para nós, farto butim!" 

- "Eu  gosto  do  povo  só  numa  certa  hora,
quando vai  às  urnas e dá seu voto pra mim,
no mais, eu no ar condicionado, eles lá fora!" 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A vida

Talvez não nos caiba questionar a existência,
a respeito dela emitir um grito sequer;
porquanto a vida na sua real essência,
é tão somente o que a natureza nos der.

O existir da vida não explica a ciência,
talvez porque não é um fenômeno qualquer;
e não se pode ter alguma deferência,
que no Éden criou-se o homem e a mulher.

Nem de longe a vida é criação do poeta,
a vida é um evento a ser levado a sério,
esteja fervilhando, ou num canto quieta.

Claro, que sua origem constitui mistério,
que a totalidade das criaturas afeta,
e que só terminará no ermo cemitério.

terça-feira, 19 de junho de 2018

A fúria

Em   pleno  oceano  o  tufão  desencadeia,
muita água e ventos tonitruantes a uivar;
varre a  tona  como a vassoura varre areia,
com   potência   letal,   e   vigor   singular.

Trata-se   do   maior   desconforto  do  mar,
revoltado, ruidoso, acordando quem dorme;
e tampouco   de   nada   adianta   reclamar,
pois,  o furacão  causa  transtorno  enorme.

Mais estrago quando adentra terra, suponho,
onde   o   ser   humano   suas  casas  constrói,
então   dá   largueza  a  cada   melhor  sonho.

Agora que a fúria dos elementos  mais  dói,
estrago que vai se tornando mais medonho,
e a   segurança   do   homem   então   corrói.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Na Rússia

Brasucas  e  suíços  prontos  pra batalha,
muito preparados para  aquela  dura  liça;
e cada qual crendo que na hora não falha,
jogando  com  força  tenaz e sem preguiça.

Então, com eles nenhuma  jogada encalha,
pois sabem que não estão assistindo missa;
que   chutando  no  gol  a  rede farfalha,
e quem marca mais golos, vence por justiça.

Eis que, quando naquela rede a bola malha
fortes  paixões  das  torcidas por certo atiça
então,  esperança  nos  torcedores se espalha.

Porque todo  mundo aquela taça  cobiça,
ganha quem não pensa em pedir a toalha,
e acaba que  Brasil não carcou na Suíça,

domingo, 17 de junho de 2018

E assim caminha a humanidade...

Pra sobreviver, o Homo em esforços ingentes,
contra intempéries formidáveis, inclementes;
unindo com inteligência os homens todos,
independentes das origens ou apodos.

Quem os chama daquela pobre gente inculta,
certamente a rica história deles insulta;
então dá as costas à própria sociedade,
a qual foi construída pela antiguidade.

O Homo sapiens nunca foi fraco e inerme,
e, supostamente, se o fosse era um verme,
porém hoje, este homem não rasteja, voa.

Então, a tese que o denigre se esboroa,
e esta criatura do pó de estrelas, vence,
embora, as vezes, com certo jeitão non sense.