segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Morte

Por mais que conquistemos nesta vida
Marchamos em direção à sepultura
Malcheirosa, esconsa, também escura
Recôndito de carne apodrecida.

Porém a morte será fim da lida,
Dessa existência que se fez ventura
Fornecida pra cada criatura
Numa senda medonha desmedida.

E a morte será o único evento
Completo, final e definitivo
Que não admite sequer complemento.

Ela alcança todo e qualquer ser vivo
Pois não contempla nenhum sentimento
E também não explica se tem motivo.

domingo, 15 de outubro de 2017

15/10 - Dia do Professor

Quero compartilhar com os leitores esta homenagem à minha primeira professora de português, Maria Jamur.

Das profissões esta é a mais nobre
Início da primeira real noção
Assim, que o aluno na aula descobre
Dalguma dúvida a explicação.

O professor nos mostra, descobre
Põe sabedoria em cada questão
Repete, explica e nada encobre
Obtendo assim toda nossa atenção.

Feliz dia! Ó mestre desprezado!
Este Patropi nem lhe dá valor
Suor e desprestígio é seu legado.

Seja, por sequência, lá onde for
O meu mais sincero muito obrigado
Reconheço: do saber és portador.

sábado, 14 de outubro de 2017

No STF

Soneto-acróstico escrito quando da assunção de Carmen Lúcia à presidência do STF

e vocês imaginavam diferente
ludidos que as coisas iam mudar
inistra Carmen Lúcia, dlz pra gente:
É nóis na fita, com Lula no altar!

osso petê continuará na frente
Ó bices são feitos para contornar
nventamos saídas continuamente
aímos do poder só se nos fartar!

ão alimentem esperança, portanto
gora este Tribunal eu o presido
aremos da justiça piada, um tanto.

ncólume como o Lula tem sido
eremos no Tribunal mais um canto
coitando o político bandido.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Caminhando

Peripatético: caminhas a pensar
Enquanto margarida no caminho vês
Razão terias, namorando um limiar
Indo adiante, encarando seus porquês.

Pois isso é a vida, no seu vago andar
Assim tu, teu ego e você, todos os três
Tentam com o mundo se reconciliar
Encontram inverso do contrário, invês.

Também, vate, este universo tem graça
Isto é, se tu quiseres que seja assim
Seja um mundo onde felicidade grassa.

Mas aproveite as margaridas no jardim
Ontem eram muitas, hoje talvez escassas
Sobretudo porque lá longe há um fim.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Universo

Pois, além do universo, tudo escuro…
E nada existe, nada ouvir se pode
Mesmo que se suponha tudo puro
Sequer existe certeza que nos acode.

Só o desconhecido, eu te asseguro
Nada que se possa fazer uma ode
Algo intransponível como um muro
Mas que nossa imaginação sacode.

Extra mundo não é de nossa alçada
Porque sendo domésticos tal um cão
Do que existe além, sabemos nada.

As feições do cosmos mistérios são
Que metamorfoseiam a madrugada
Tornando toda sombra, assombração.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Palavras

Palavras há que se perdem ao vento
Errantes, preferem ser soltas aves
Porém, trazem no bojo pensamento
De conteúdos amenos, suaves.

Há palavras profundas como poço
Que na alma inquietude assoma
Outras que são apenas um esboço
Da sapiência do nosso idioma.

Mas, a minha palavra não tem fim
Porquanto muda de forma e jeito
Um dia é assado, outro é assim
Porque depende do que tenho feito.

E diz não quando queria dizer sim
Na busca de pensamento perfeito.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Fora apego!

D ecidir é apenas o primeiro passo
E m direção à liberdade esperada
S em pensar, o que é que eu faço
A gora, pra me livrar da cacalhada?
P reciso, portanto, quebrar os laços
E, jogar fora isso tudo, que é nada
G anho auto estima e mais espaço
O que no apego será uma tijolada.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A mente

Extremamente poderosas, nossas mentes
E sequer sei quanto ocupo do cérebro meu
Mas, se não muito inteligente tu te sentes
Como funciona a mente, não entendeu.

Pois a mente se expande quando mais usada    
Portanto o ócio jamais lhe cairá bem
Um cérebro não estimulado nem nada
Regride porque a inação não lhe convém.

Então, amigo, pense e crescerá, acredito
Teu cérebro e mente não serão desleais
Pois isto está escrito em pedra de granito.

Vai exercitando a cabeça cada vez mais
E não importa como e nem sequer qual fito
Você terá a mente tal qual aos demais.

domingo, 8 de outubro de 2017

O Mar

Há que reconhecer, tudo acaba na praia
O sólido, o etéreo e mesmo a essência
Até o oceano nessa magnificência
Não existe onda que na areia não caia.

O pôr-do-sol merece aplauso, não vaia
Veranistas o louvam na sua saliência
Porquanto na praia rei sol é eminência
Muito mais, até, que nossa própria Gaia.

Oceano, milênios muitos, atravessa
Mas constrói e desmancha continentes
E ninguém sabe onde termina ou começa.

Então, este mar que vemos tem insistentes
As marolas e ondas que trabalham a beça
Sequer no escuro da noite estão ausentes.

sábado, 7 de outubro de 2017

Sonhos

 Há sonho acordado e sonho dormido
Se um dorme o outro está despertado
Sempre contraria ao um, outro estado
Que um dia eles se encontrem duvido.

Se fico com um ou com outro, decido
O não escolhido se sente desprezado
Sonhando num deserto, abandonado
Mas se fosse contrário, que teria sido?

Qualquer sonho será apenas quimera
E em coisas palpáveis não se traduz
E realizado ou não, ao acordar já era.

Sonho é tão somente uma brilhante luz
Desprovido de conteúdo e nada espera
Mas, o incauto poeta as vezes seduz.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

E, segue a vida

Fim de semana quase, hoje sexta-feira
Sábado, seguido de domingo restante
De uma semana que acaba agonizante
Vida, que já segue rápida, se aligeira.

Sinto-me como se sentado numa esteira
No movimento célere pois incessante
Que a despeito de tudo segue adiante
Sem atentar para paralisante canseira.

E continuo rápido, nunca me detenho
Como só interessasse cobrir a senda
Peso nas pernas seriedade no cenho.

Pois nada existe que aqui me ofenda
Nem ligo pra onde vou, donde venho
E se a existência é apenas oferenda.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Insondável

Universo na sua invejável constância
Sem arestas descontínuas e esquinas
Surpreende as nossas vítreas retinas
Por aquelas magnitudes e distância.

Olho do Hubble a mirar essa estância
Vai abrindo ao mundo suas cortinas
Cientistas pois no interior das oficinas
Mantêm-se em atividade e vigilância.

E, embora o salto dado na sapiência
Aumento fantástico nalgum poderio
Ainda falta muito para nossa ciência
Deste mistério descobrir ponta do fio.

Portanto, há que ter muita paciência
Pra preencher na mente esse vazio.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Com tampinha!


Laranja com tampinha

Na minha infância na cidade de Palmeira
E quando na minha casa laranjas tinha
Gurizada muito eufórica de primeira
Se lambia pra chupar uma laranjinha.

Que nossa mãe havia trazido da feira
Eis que, muito bem planejado ela tinha
Tal como descascar uma laranja inteira
Pra contentar os piás e a guriazinha.

Ao redor do fogão como numa lareira
Todos os filhos menores e a menininha
Quase formando uma pequena fileira.

Nossa mamãe descascava com a faquinha
Todos bradando como fosse brincadeira:
A minha laranja só quero com tampinha!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Natureza

Pois é, a natureza sempre tem razão
Sua voz adentra, as vezes, o nosso ouvido
E, quando a escuto, cabe uma reflexão
De como com aquela informação eu lido.

E seu chamado é em forma de canção
Aves, mamíferos alçam suas libidos
Numa corrimaça que traduz o sentido
Duma única e excepcional ocasião.

Então, numa veraz imitação dum rogo
Convida a todos a adentrar naquele jogo
Que ao final visa manter suas raízes.

Mas, as coisas as vezes voam com o vento
E trazem a todos viventes um alento
Independente do que tu as vezes dizes.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O troféu

Bela e sedutora a aventureira alemã
Vestida de dossel e cabelo ostentoso
Enroscada no braço lasso do esposo
Trajado a caráter e carranca malsã.

Nos gestos uma sugestão de cortesã
Um olhar dúbio, um sorriso silencioso
Que deixou o frio ambiente luminoso
Seu andar prenuncia radiosa manhã.

O marido, por mero acaso, milionário
De bengala, colete, relógio e chapéu
A conduz a toque impessoal, utilitário.

Disfarça o prazer, parece andar ao léu
Talvez, preocupado de ter um vicário
Que esteja de olho nesta esposa/troféu.

domingo, 1 de outubro de 2017

Em Hamelin foi assim

Ao flautista, aquele séquito então o seguia
Pois eram todos carneiros, ovelhas e anhos
Mas mesmerizados com olhares estranhos
E Hamelin voltava a ter sua energia.

Flautista o Alfa daquela hierarquia
Condutor inequívoco de seus rebanhos
Que nunca havia visto destes tamanhos
Como toda essa população que então via.

Porém não diz a história que eram ratos,
Conduzidos para a morte na escuridão?
Mas, talvez, sejam diferentes estes fatos

Este flautista não era o bom sujeito não
Pois ele montou todos os tais aparatos
Prá roubar os ovinos, ele era ladrão!

sábado, 30 de setembro de 2017

Nossas almas

Pois enquanto transita por aqui o diabo
Em busca das almas que um dia se vão
Há algumas já marcadas, mas outras não
Que a estas ele dedica seu menoscabo.

Porquanto o satanás, às emoções apela
Mas se empenha no trabalho logo cedo
É convincente, amável faz um jogo ledo
Adquire alma sem jamais se referir a ela.

Pode ser, que agora esteja na sua frente
E sua amarga pílula, tornando-a dourada
Então, ingênuo, você sequer está ciente.

Mas não se avexe, sualma será trocada
Por um bem melhor, mais que suficiente
Algo que no idioma pátrio dizemos: nada.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Com meus botões

Eu aqui pensando, com pé gelado:
Que bom que minha criatura sente
Significa que estou vivo e presente
Embora, um tanto velho e cansado.

Agora viver é ter particular cuidado
Não se pode ser audaz até valente
O melhor é ir devagar com a gente
Com parcimônia amar e ser amado.

Não precisa ter a vida encarcerada
Entravar existência com paroxismo
Basta corpo saudável e alma curada.

Pode ser que logo ali haja o abismo
O qual por certo nos levará ao nada

Valerá mais encará-lo com cinismo.