terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O bicho homem!

A raça humana se acha no sólio:
- Porque meu destino eu mesma traço!
- Rápido nas pernas, forte no braço
- E do planeta tenho o monopólio!

Acha-se pois, inserida no espólio
Mas com um sentimento tão escasso
E um coração tão duro como aço
No fluxo de sangue, apenas óleo.

Porém, de cabeça ereta andando
Onde pára, amoque formando bando
Diligente, sequer obedece turnos.

Se diz sempre subindo uma escada
Respeito à natureza? Isso, nada!
E sempre vai ao leito de coturnos!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Elfos e quimeras

Pois o vate não busca a claridade
Onde esta lhe aparece de graça
Prefere uma escuridão que passa
E vai criando sua própria verdade.

Então, no escuro, pela cidade
Ele quebra da noite sua couraça
Naquele momento que os versos traça
Com bastante talento e humildade.

Tira rimas da dor escrusciante
E versos lhe vêm a qualquer instante
Através de rimas ricas e austeras.

Enquanto sente o poeta insiste
Compondo poema alegre ou triste
Habitado por elfos e quimeras.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Somos poeira de estrelas

Este Cosmos profundo e curvilíneo
Que não sabemos de suas raízes
Mas nos abriga em globais marquises
Está presente no fluxo sanguíneo.

Das estrelas, um filho ferrugíneo
É a criação de todas as matizes
Sejam seres tristonhos ou felizes
Uma prova de qualquer escrutínio,

Das estrelas evoluímos, sem saltos
Tanto nós, como os baixios e altos
Nesses transcendentes éons tão longos.

De bactérias a primatas risonhos
De musgo a seres que tem sonhos
E capazes de construir ditongos.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Nós no cosmos

Onde o horizonte de eventos existe
Contudo, a distância real encobre
Então há muito pouca luz que sobre
Quando pensamos, parece bem triste.

Nem aos telescópios alguém assiste
Aquela ocorrência, digamos, nobre
Mesmo que Hubble sua nitidez dobre
A fenomenal distância resiste.

Então, apenas cogitações sombrias
Turvadas por solares ventanias
Tornam uma lucubração tão forte.

O cosmos não é imensa avenida
Antes, é um nascedouro de vida
No qual vivemos apenas por sorte.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Juízo final

O apocalipse promete redenção
Porém não um oceano de doçuras
E somente praquelas almas puras
Que resistiram a toda tentação.

A crença que boas novas virão
Não convida a maiores aventuras
Descarta umas tantas amarguras
E, então conforta alma e coração.

Se tu fostes bom, acabarás rindo
Se, não, ao inferno serás bem vindo
Então fique em paz, meu caro amigo.

Porque almoço de graça não existe.
Só pecador permanecerá triste
Mas tua alma ficará num abrigo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O riacho

O riacho timidamente nasce
Modesto, vai rastejando normal
Ele sabe que neste trecho dá vau
Contudo, logo terá outra face.

No entanto, rolando pelo caminho
Surpreso, aos poucos se vê engordando
Um tanto, que sequer sabe até quando
Enquanto flui quieto, de mansinho.

Solitário, anda no solo ermo
Não percebendo onde será seu termo
Conduzir as águas é seu destino.

De mansinho torna-se caudaloso
Acelerado, vivo e buliçoso
Ciente de sua existência, imagino.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A baleia e o homem



Nadando plácida e livre a baleia
Cruza sem esforço todo oceano
Enquanto no mar peixe enxameia
O bicho nada por baixo do pano.

Muitas vezes, o animal vagueia
Como se não tivesse algum plano
Provavelmente de barriga cheia
Porém não comportamento insano.

Só que este cetáceo está ameaçado
Pelo mamífero mais desgraçado
Aquele que mata por simples prazer.

E que num futuro vai ser extinto
Pelo bruto de maldade faminto
Que nas chamas do inferno vai arder.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não se é jovem para sempre

Dono do mundo, quando se é moço
A existência? vivaz e enlouquecida
Enorme avenida larga é a vida
Força nos músculos que é colosso.

Na juventude não existe fosso
Mente aberta na cabeça erguida
Bom humor frente a óbices da lida
Nada é prá sempre, tudo é esboço.

Contudo, quando chega certa idade
O viço se transforma em saudade
Pois os problemas bem maiores são.

Então, o que era doce se acabou
Das delícias da infância nada restou
À frente? ponto de interrogação.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Meu cérebro


Nesta mente, sinapses peregrinas
De minhas volutas encaracoladas
Massa encefálica desmemoriada
Dum cérebro como a subir colinas.

Ah! aquelas lembranças matutinas
Vindas de recordações esticadas
Misto de coisas nenhumas e nadas
Insalubres como áridas salinas.

E não existe pensamento ingente
Que ocupe plenitude desta mente
Numa conspiração, assim, genial.

Elevada de maneira admirável
Mostrando este cérebro saudável
Que eu gostaria de ter, afinal.

domingo, 3 de dezembro de 2017

A vida é um rio

Energúmeno homem na sua busca
De ser protagonista da história
Está mais para figura patusca
Que não consegue viver sem glória.

Pretensioso, seu limite é o céu
Enquanto tantos sonhos acalenta
Mesmo perdido, vivendo ao léu
Numa caminhada um tanto lenta.

Um dia tudo terminará, contudo
Porque nossos destinos são sombrios
Mas o homem pensa que sabe tudo.

A vida comporta-se como um rio
É caudaloso, bravo, porém mudo
Deixa de ser se estiver vazio.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Droit

E a nossa direita? Vai bem, obrigado
“Os mesmos” aproveitam o momento
E pregam volta olímpica ao passado
Assegurando apenas futuro cinzento.

A direita dorme, mas jamais desiste
Fica dormitando na moita enquanto
Aguarda com sua ideologia em riste
Para no Patropi estender seu manto.

É vanguarda do retrocesso veja você,
Que para vencer presidencial eleição.
Uma direita que traz de volta efeagacê
Apoiando Aécio Neves, uma abstração.

Votemos portando nesse peessedebê
Prá que a vaca vá pro brejo da nação.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O jardim

No jardim, aromas, pétalas frescas
Pássaros e seus cantos maviosos
Formam as paisagens mais pitorescas
Balouçadas pelos ares ventosos.

Só não há jardim de flores farsescas
Alguns têm elencos bem curiosos
Já outros têm pretensões principescas
Porquanto, não há jardins ociosos.

Jardim construído para o deleite
Funciona como um belo enfeite
De beleza assaz alegre e intensa.

Denegrir belo constructo é injusto
Porquanto é emocional o seu custo
E contrário o que tanta gente pensa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Em Palmeira

Imagem da internet - from Foursquare

Na velha praça, vistoso repuxo
Inaugurado no fim de agosto
No topo, rindo, anjinho gorducho
E, certa blague, no ridente rosto.

E lembre-me que depois do sol posto
As luzes lhe davam um certo luxo
Tal como decoração de bom gosto
Talvez dalgum arquiteto bem bruxo.

Luz brilhante o nosso riso fazia
Uma luz que convidava à poesia
Então não representava perigo.

Pois éramos infantes deslumbrados
Que pasmos permaneciam calados
Adorando aquele repuxo amigo.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Doa-se alegria

Vai desinibido pela alameda
Nem um pouco transido, só ridente
Face longe de parecer azeda
Vai sorrindo pro mundo, prá gente.

Pois, denotando ser pessoa leda
Adepta do conviver contente
Traz alegria para esta vereda
Segue envolta na sua aura somente.

Não vê a crueldade deste inverno
Leva no rosto seu sorriso eterno
Que todo transeunte vê e assiste.

Ignora qualquer estação de gelo
Porquanto acha que deve fazê-lo
Eis que este mundo é muito triste.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Despretensão

Quase nada, sem laivos de grandeza
Obra desprovida de majestade
Menosprezo total pra riqueza
Poema que nos conquistar, há de.

Obra que modesto vate põe à mesa
Palavras onde não há imensidade
Contudo eivadas de bela surpresa
Pois, no seu bojo só felicidade.

Poemas há que enchem olhos d’água,
Outros que cutucam a velha mágoa
Naquela voz muito clara e sonora.

Contudo, existe vate que expande
Mesmo sem usar um pensamento grande
Então, leitor que compreende chora.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Noite do poeta

Translúcido este céu constelado
Com estrelas que formam cascata
Num fundo negro de tom azulado
E com difusa luz que sabe a prata.

Então o poeta se põe deslumbrado
Numa admiração que nunca desata
No firmamento com olhar parado
Como que escutando airosa tocata.

Porquanto tais luzes fosforescentes
Adulam e cativam suas mentes
Através destas conjuntas razias.

Pro vate é uma transcendente fase
De poema definidora, ou quase
Cornucópia de grandes alegrias!

domingo, 26 de novembro de 2017

Pela estrada

Vou pela estrada buscando caminhos
Caminhando e, apesar dos pesares
Livrando-me de percalços e espinhos
Os quais dão à vida lúgubres ares.

Talvez como aves que deixam seus ninhos
Procurando onde cantar seus cantares
Como o fazem todos os passarinhos
Eu busco por paragens singulares.

Entretanto, ainda, algo me diz
Será somente assim que se é feliz?
Surpreso, tal pergunta eu não afago.

Porquanto se existe vida e desejos
Esta lança seus frementes arpejos
Que se ignorados produzem estrago.

sábado, 25 de novembro de 2017

O frio vem para todos



Aves são animais de sangue quente,
Assim, mantêm sua temperatura
Independente do clima, do ambiente.
É por isso que uma às outras procura
Então, nenhuma do frio se ressente.

Pois esse trabalhar em conjunto,
Contra a inclemência do clima frio.
Porquanto essas aves, eu pergunto:
Encolhidas, lado a lado sem um pio
Entendem elas do gelado assunto?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Essa aurora!

Numa resplendência calma e serena
Surge gloriosa e bem vinda aurora
Numa duração talvez tão pequena
Que só ela neste momento vigora.

Raios translúcidos lembram melena
Porém, faltando-lhes trilha sonora
O que nos parece será uma pena
Pois nossa mente por isso implora.

De todo modo, a claridade lança
No espaço uma fímbria de esperança
E, nela, nossos sonhos são imersos.

E no vate surge um alumbramento
Que lhe proporciona certo alento.
Os quais ele transfere a seus versos!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Ser poeta

Se há um poeta em mim eu não sei
Pois são seres especiais os poetas
E jamais se comportam como rei.
E suas manifestações são quietas.

Brincam com sílaba, palavra e frase,
Costumam conjugar mesmo, adjetivo
São definidos, definentes ou quase.
Admirando suas criações eu vivo.

Os vates grávidos de calor e luz
Como um sol vivaz e incandescente.
Cuja obra o tédio do mundo reduz.

Com versátil e uma afiada mente
Criador bardo este mundo seduz
Falando a verdade enquanto mente.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Estrelas e flores

No meio deste universo me vejo
Observando movimentos e cores
No meio deste universo despejo
Meu olhar sincero, sem amargores.

Contudo, no fundo, tenho o desejo
Que estrelas pareçam apenas flores
Sensíveis a meus sinceros arpejos
Pois por elas vou morrendo de amores.

Flores e estrelas parecem esferas
Luzes no céu, cores nas primaveras
Dão ao caminho vivência colorida.

São perfeitas para quem acredita
Cada uma a seu jeito, vera e bonita
E que tornam mais doce esta vida.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nosso Universo

Cosmos, onde estrela se constela
Resplandece todo astro luminoso
Envolto no éter fátuo e poroso
Numa Via Láctea envolvente e bela.

Cometas que aos planetas não dão trela
Buracos negros que são misteriosos
Quasares e pulsares furiosos
Onde fatal força bruta revela.

Numa atmosfera um tanto transida
Este universo criou nossa vida
Que lota este Planetinha agora.

Somos seres premiados, portanto
E vivendo tranquilos neste canto
Até quando partirmos embora.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Radicalismos

Se o lema do fanatismo desfralda
Pondo acima de tudo sua crença
Com uma certeza assim tão imensa
Certamente não olha sua cauda.

E tudo que crê torna-se esmeralda
Ainda que a ilusão seja extensa
Só eu tenho razão, o crente pensa
E aquele que não concorda, malda.

Quem não pensa como eu, um coxinha
Tolo, crê em história da carochinha
 Que a direita seduz, então castra.

Um perdedor, analfa e errado
Não tem futuro, não sabe o passado
Fascista que ignorância alastra.

domingo, 19 de novembro de 2017

19/11 - Dia da bandeira

Soneto-acróstico atípico, os quatorze versos não dispostos de modo a formar quartetos e tercetos.


É “Ordem e Progresso” que nela está escrito

D ístico que nos faz lembrar Auguste Comte
I mperioso lema que pode ser um grito
A inda que para ele já ninguém aponte.

D um lábaro estrelado que é só um mito
A lguns brasileiros desejam seu desmonte

B andidos, à socapa em Brasília reunidos
A frontam sem pudor cada cor estampada
N enhuma legislação pune esses bandidos
D eitados em berço dourado a tal cambada
E ntão por esses bandos estamos perdidos
I ndígnos, pra eles o pano não vale nada
R asgaram a bandeira esses anjos caídos
A ssim nossa bandeira está enxovalhada.