terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sonho de bardo

Clamando aos elementos, o vate delira,
e, diz-se tolhido por tenazes algemas;
as quais, exercem nele censuras supremas,
obrigando viver em terrível mentira.

E não lhe vêm respostas para seus dilemas,
não há sequer real controle dalguma ira;
então nenhum acorde do piano tira,
e não consegue recitar os seus poemas.

Gostaria de soprar argênteas trompas,
que aglomerassem as pessoas de roldão,
ciente que tal fato é apenas um sonho.

Porquanto poeta não espera nem pompas,
nem conquistar das pessoas, o coração,
porque sabe que o seu, é poema bisonho.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Beleza interna

Toda manhã, contraste entra pela janela,
uma dolorosa verdade vespertina;
beleza sã que no fim do dia termina,
mas que desperta maior horror dentro dela.

Porque imperioso ciclo se revela,
que vai do nascer àquela fatal ruína;
que traz rugas e frescor da pele assassina,
transformando em baranga moça que foi bela.

Apesar das cirurgias, muito desgosto,
plásticas que só mascaram a sufoca-la;
sequer lembra como fora seu rosto,
e mesmo a dicção agora por vezes resvala.

Evita sair a céu aberto com sol posto,
sua formosura, só escultura de sala.

domingo, 9 de setembro de 2018

Minha floresta



Nesgas de sol invadem o sombrio da mata,
quebrando o verdor semi transparente apenas;
cortam o ar borboletas asas de prata,
contrapondo-se a araucárias não pequenas.

No vale um riozinho quase silente cascata,
e somente ele fere as dolências serenas;
dando acordes que compõe argentina sonata,
onde voejam folhas outonais amenas.

Do galho alto, coruja apõe seus pios graves,
coleópteros coruscam os élitros seus,
enquanto se esquivam de famélicas aves.

Porquanto, tudo forma atmosfera que enleva,
dos gigantes pinheiros aos grilos pigmeus,
das flores das copas às minhocas da treva.

sábado, 8 de setembro de 2018

Crepúsculo

Cores invadem a translúcida atmosfera,
subvertendo a calmaria daquela hora,
exaltando o brilho da nuvem que evapora,
então o coração do enamorado acelera.

Existe certo conluio entre a fauna e a flora,
cujo resultado, parece, não se espera;
é a conjugação que faz o verde e a fera,
porém, no horizonte o fulgor não demora.

Esse crepúsculo de natureza rara,
se faz acompanhar de silvos e gritos,
de pios e sussurros que trazem ternura.

Que só quando a noite se veste seu véu, pára,
e nada demonstra este crepúsculo contrito,
o qual prenuncia uma noite bem escura.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Facada que não mata elege


Ilustração da internet

Agora, não existe mídia que não comente,
a  grande  violência  desse   gesto  ignaro;
que por certo qualquer eleitor então sente,
alguns até mesmo num grande desamparo.

O  candidato,  nos   braços  daquela  gente,
num momento de campanha bastante claro;
eis que, atacado talvez, por algum demente,
ou  por  uma  pessoa  sem  nenhum  preparo.

Dizem   seus  eleitores   que  Jair é  decente,
sobre o que, nem  adversários  fazem reparo,
pois nos parece que o candidato não  mente.

Mas, para nós também parece um caso raro,
querendo interromper  carreira a presidente,
eis  que,  acabou  de  eleger  Jair  Bolsonaro!

No ceio do mar

Numa demonstração feroz, massa bravia,
seu movimento alterna em ondas esse oceano;
sobem e descem como vero monstro insano,
o mar ignora os barcos, lhes faz porfia.

Balouçando conveses, procela fugidia,
em minutos, constrói evento diluviano;
acima da compreensão do ser humano,
como que por medonha força da magia.

Frente ao fenômeno, o homem se vê perdido,
nada o preparou para a fatídica espuma,
que dissolve a luz e transporta-o a treva.

Nessa azáfama letal só se ouve gemido,
que mostrar desespero nessa hora costuma,
enquanto aos céus almas descarnadas eleva.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

As cores do céu

Cada céu com sua cor, e também do artista,
e pouco interessa se irreal ou de fato;
porquanto toda coloração é imprevista,
pois variam pelo estado dalma, remato.

Então, um céu descolorido nos entrista,
porque algo inusitado, mas insensato;
o qual desafia nosso ponto de vista,
porque o colorido do céu é um barato.

Quando varre o céu de nuvens, ávido vento,
vai-se para as calendas, a nuvem fornida,
e o cerúleo brilha mais neste momento.

De beleza ímpar que muita gente duvida,
tais cores intrigam até ser desatento,
que enfim enxerga no alto cores da vida.