domingo, 9 de setembro de 2018

Minha floresta



Nesgas de sol invadem o sombrio da mata,
quebrando o verdor semi transparente apenas;
cortam o ar borboletas asas de prata,
contrapondo-se a araucárias não pequenas.

No vale um riozinho quase silente cascata,
e somente ele fere as dolências serenas;
dando acordes que compõe argentina sonata,
onde voejam folhas outonais amenas.

Do galho alto, coruja apõe seus pios graves,
coleópteros coruscam os élitros seus,
enquanto se esquivam de famélicas aves.

Porquanto, tudo forma atmosfera que enleva,
dos gigantes pinheiros aos grilos pigmeus,
das flores das copas às minhocas da treva.

2 comentários:

  1. Belo soneto telúrico, meu caro amigo poeta Jair! Uma oração à natureza. Um abração. Tenhas uma ótima semana.

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  2. Meu caro, voltei para dizer (ao mesmo tempo pedir escusas pelo atraso) acabei de ler o maravilhoso soneto que publicaste no dia 05 de setembro : as cores do céu. Achei o poema digno de Olavo Bilac, porém, menos pesado que os poemas bilaquianos, portanto, mais, mais leve, mais solto, mais vivaz; enfim, um encanto. Um abração. Tenhas uma ótima semana.

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